Curso de chiens de garde

Adiantam-se duas das vinte lições do Curso de uma imaginária Universidade de Verão.
O livro será lançado, no próximo dia 12, pelas 19 horas.
A apresentação caberá a Manuel Pinto, docente universitário, ex-jornalista e ex-provedor do Leitor. Será na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (R. Rodrigues Sampaio, 140).

por César Príncipe

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Aula de Abertura

DEPOIS DA CENSURA OFICIAL

Propõe-se uma pedagogia provocatória, no sentido de não temer (antes eleger) focagens/linguagens desestabilizadoras da Pax Mediática. Para decepção de aprendizes de primeiro grau e mestres anglo-saxonizados, desconstrói-se o Discurso Consensual. Não se hesita em tirar o véu à noiva/Liberdade de Imprensa. Denuncia-se a Censura em Regime Democrático. A contradição é aparente. O comprovatório é evidente. A Censura move-se pelos quatro cantos de Portugal e pelas sete partidas da Aldeia Global . Apenas lança mão de novos condicionamentos/instrumentos/novo léxico. Apenas não incorre na imprudência ou na impudência de actuar sob a denomi(nação) de Direcção/Comissão dos Serviços de Censura/Exame Prévio. Mas qualquer cidadão-telespectador/radiouvinte/leitor, se usar os olhos e os ouvidos para ver e ouvir e não só para olhar e escutar, poderá identificar dispositivos/objectivos censórios/manipulatórios. Notará o apagar/avivar de acon(tecimentos)/pontos de vista. Bastará parar/ver e escutar nas Passagens de Nível da Informação Sem Guarda. Para alguns, a matéria será controversa; para outros, perversa. Estou entre os que consideram o grosso dos média Unidades de Produção de Agitprop & Showpop do Sistema. Em suma: os Meios de Informação são um Meio de Ex(pressão)/Infor(matação). O autor das reflexões entendeu cooperar na descodificação da Nova Censura, que, para melhor censurar, nega a sua existência. Em 1979, trouxe à Praça da Informação Os Segredos da Censura /Jornal Póstumo de noticiário salazarista-marcelista (1967-1974), não havendo, na era democratizante, feito voto de silêncio, já que o Processo de Garantização das Liberdades é um contínuo dialéctico. Também, na Esfera Mediática, o Fim da História não se operou. Assim, posta a nu a Velha Senhora, haverá que ir levantando a burka da Nova Senhora: após Os Segredos da Censura do Fascismo/Os Segredos da Censura do Farsismo.

Daí esta colectânea de constatações/contundências, entre o Estudo e a Crónica. Achega para desassossegar Discípulos & Rebanhos dos Senhores. As vozes dissonantes enriquecem a música. Seria promissor que a maioria dessas vozes irrompesse do seio red(actorial). Não apenas por auto-reparação corporativa/reinvenção de valores profissionais. Há uma dimensão nacional e universal na autocrítica. E o desalinhamento também oferece prazer est(ético). É excitante violar o PRBCM/Pacto de Regime do Bloco Central Mediático. Com tal disposição de pronúncia/denúncia se elaborou este Curso Intensivo de Vinte Lições, tendo por base o Cadastro dos Onze & de alguns Centros de Citação. O programa da Universidade de Verão divide-se/por razões metodológicas/em dois painéis: Ordem Mediática Interna/Ordem Mediática Internacional. A esquemática é relativamente autónoma. As malhas de interesses cruzam posições accionistas & guiões editoriais.

Ler Curso de Chiens de Garde e reler Os Segredos da Censura resultará num exercício de identificação de raças lusitanas/euro-americanas, desvelando hábitos da Canilândia e cruzamentos de pedigree. Como se chegou a tal apuramento na casota lusitana? Através do simplex: o dono domestica o cão e o cão domestica o homem. Ler e reler servirá também de alarme co(lectivo): após a acção dos Capitães da Liberdade, foi emergindo uma casta de coronéis, também reconhecíveis como bacharéis, pessoal, já não formatado em academias castrenses/tarimbado em quartéis da metrópole/picadas africanas, mas em Estabelecimentos de Ensino Superior (Estatal/Privado)/na Cultura da Empresa/na Guerra Colonial da Opinião Publicada. Na verdade, sob a retórica da Ordem Democrática, existe uma Ordem Mediática/subsiste uma cartilha dirigista/proibicionista, cujo recorte ideológico nos leva a entidades políticas/empresariais/profissionais, as primeiras eleitoralmente sufragadas, mas promovidas/capturadas por instâncias que não se sujeitam às urnas.

Um dos acentos pedagógicos prende-se com o regime e o modelo de gestão da propriedade/os condicionadores sistémicos, instalados com armas e bagagens na Esfera Mediática, sector que requereria apetência de serviço público/particular capacitação/efectiva regulação. No entanto, as Corporações Multimédia actuam em linha com a Lei dos Dividendos & da Guarda do Sistema e não com as Leis da República ou dos Direitos do Homem & do Planeta. Como está inscrito no bronze da Constituição Portuguesa/nos volumes que enobrecem as instituições. Evoluindo na continuidade, como no Velho Estado Novo, a Censura do Novo Estado lê o presente/reescreve o passado/prescreve o futuro, intervém numa dinâmica de proteccionismo estatal/falsa concorrência/reproduzindo enlaces/modelos mercadológicos/instruindo chiens de garde /fidelizando públicos: uma Verdadeira Canicultura/ Quadratura do Círculo.

Independentemente dos Livros de Estilo dos Negócios, as empresas socorrem-se da Hierarquia Censória/Agenda do Corte e da Morte Cívica da Mensagem. Se fosse possível editar as deturpações/mutilações do Novo Jornalismo de Encomenda & Campanha, fundar-se-ia um Banco de Não-Notícias/um verdadeiro Banco de Portugal/Novo Portugal Amordaçado. [1] Que terá a ver noticiário com Informação? Diremos, sem receio de grandes desautorizações, que a primeira preocupação informal de um órgão noticioso é não dar notícias e a segunda/a formal/ é fingir que as dá. Importa manter os consumidores disciplinados pela Agenda da Aparência & da Conveniência/de olhar fixo nos Painéis Propagandísticos & Publicitários. Assim, a estratégia mediática passa pela comunicação/mercadorização/não pela diversinformação conteudística/espectogramação crítica. Para optimizar o binómio, os Grupos interactivam plataformas red(actoriais), recorrendo a balcões próprios/ratos de colheita internet/colaboradores de grelha apertada/subcontratadas de comunicação. Este modelo reduz o preço da produção-redacção. Reduz também a iniciativa dos red(actores). A tendência para o uniformismo vertiginoso/ruidoso está à vista. O selector/potenciador sinergético deixa de fora, por razões de preconceito/lucro, um rol de matérias/uma lista de intocáveis. Revelar-se-ia pródiga a edição de um Jornal da Censura Democrática. Tal matutino/vespertino bateria em estupor o Jornalismo de Sarjeta / Jornalismo de Referência.

Na ausência de um rasgo empreendedor do Grupo dos Onze, controlador do Portugal Mediático, disponibilizar-se-á uma bateria de alertas sobre o acesso aos media (propriedade/feitura/consumo). Facultar-se-ão também alguns expedientes de auto-defesa. Na retaguarda de cada notícia está montada uma metralhadora ideológica. Na manga de cada comunicador jaz um truque mobilizador/desmobilizador. Estamos sob bombardeamento das forças de filtração do ocorrido/segmentação do reflectido/globalização hegemónica/das Lavandarias de Cérebros de Manada. Sob uma batuta e uma batota telecomandadas interna/internacionalmente, actua, mais ou menos afinada/refinada, uma Régie Mediática. Na generalidade, os nossos produtores são mais consumidores do que produtores. Raramente transcendem a função repercussionista/telecopiadora/de pés-de-microfone/recitadores de teleponto. Daí que as Agências/os agentes actuem segundo o Princípio da Circularidade. Daí o crescente cansaço do Uniforme, que os programadores procuram refrescar com números de circo/dra(matizações) que façam crer que o artigo é puro porque é cativante. O empresariado/asssim/pela doutri(nação) e pela di(versão): a Agenda Double Face /um Jornalismo de Artes Marciais/Jornalismo-Spa. Eis como se foi impondo a Lusofonia Mediática/traduzida no eduquês/ economês/ politiquês/ militarês/ futebolês/ sexês/ americanês: DJ/Dicionário de Jornalês.

Neste curso/desvalorizaremos/desincentivaremos a vocação templária: situacionista/unanimista. Enalteceremos a Soberania da Diversidade & da Divergência/do Choque Frontal. Accionaremos sensores anti-censores/anti-Novo Exame Prévio, travestido de Prioridade da Agenda/Primado da Concorrência/Gosto do Público. O peso da factura/preço da fractura estão a tornar-se perniciosos/penosos/indecorosos. Devolver a factura é inadiável. Fracturar é preciso. Uma situação a extremar-se pede uma oposição de contundência/emergência. O mal du pays e o diagnóstico planetário recomendam uma operação de cabeça aberta. O défice mediático-democrático é astronómico. Igual ou superior ao das finanças. Os responsáveis da gover(nação) económico-política & os seus agentes-comunicadores têm uma colossal dívida para com a Liberdade de Informação. A Liberdade de Imprensa pouco tem a ver com a Liberdade de Empresa. A Futura Ordem Democrática terá contas a ajustar com a Presente Ordem Mediática.

É inadiável antecipar o futuro.


[1] Soares, Mário, Le Portugal bailloné, Calman-Levy, 1972. Portugal Amordaçado, Arcádia, 1974. Na versão portuguesa, o autor suprimiu as alusões ao comprometimento da Igreja Católica com a ditadura. Em 1972, estava exilado em Paris; em 1974, compunha o Governo em Lisboa.


Aula de Encerramento

DECOMÉDIA

 
[1] Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma. [1]
Joseph Pulitzer

O xonarlismo non morreu. De certeza, cada vez está máis presente. O que morreu e é unha verdadeira desgraza - é o xornalista tradicional, comprometido, axitador, inconformista, crítico… Hoxe vivemos tempos de consensos esmagadores. [2]
Carlos Reigosa

Dispomos de centenas de canais/estações de TV/Rádio. Têm um preço. Facultam-nos milhares de publicações em suporte de papel/ on-line. Têm um preço. Estamos cercados por condicionários da inteligência/da vontade/dos desejos/da sensibilidade/dos impulsos (políticos/comerciais/sociais/culturais). Convidam-nos a comprar o nosso cativeiro/a nossa pulseira mediática. São realmente muitos mas são demasiado semelhantes. Têm dono. Quase todos se declaram objectivos/ isentos/ imparciais/ independentes. Utilizam muita cor e muito som para seduzir/estontear: conduzir os rebanhos. Programam os dias e as noites como os cabos de guerra planeiam as ofensivas: nós, telespectadores, nós, radiouvintes, nós, leitores, não passamos de consumidores de refeições preparadas com todos os aperitivos/condimentos/aditivos das Indústrias da Infor(matação) Controlada-Publicidade Dirigida. Comecemos por desconfiar dos que têm necessidade de espectacularizar a imparcialidade e de nos envolver nos seus cenários. Tratemos de os sopesar como amigos de ocasião ou inimigos de camuflado, que nos prestam algum serviço ou dão algum alvitre ou montam emboscadas. Lúdicas, por vezes. Tratemos de os ouvir como vendedores de mercadorias emocionais/mentais, além do seu grande empenho em nos caninizar/fidelizar como clientes/crentes do Grande Bazar Mediático-Teologia do Mercado.

Acima de tudo, recomenda-se estado de alerta máximo perante a maior arma de destruição (massiva/maciça) de personalidades/colectividades, municiada pelo Neoliberalismo Globalizante: o televisor. Para manter o estado de prontidão, face a esta Ogiva de Cabeça Múltipla, é indispensável conservar o comando sempre em posição correcta: dedo no gatilho. Alguém nos quer constantemente ordeirizar/abater. Exerçamos o direito de defesa/contra-ataque. Façamos zapping como snipers da GEU/Guerrilha Electrónica Universal. Disparemos à queima-roupa na direcção dos pivots com semblante de Estado ou com ar de privada/de comentadores de aparência contestatária ou de bobos WC.

Limpemos o écran do Sistema com sabão Radical. Para grandes males, grandes remédios Deixemos de dizer: É a hora do noticiário. Não. É a hora do propagandiário. É ur(gente) que cada cidadão do mundo tire um curso intensivo de minas/armadilhas/espingardas com mira telescópica. Precisamos de um Diploma de Atirador Multimédia/de Unidades Móveis de Glo(balística). Assim, embora dispensando à TV a atenção devida ao estatuto de instrumento-mor de clonagem de seres humanos em carneiros, jamais deveremos descurar a Rádio/Imprensa escrita/oferta livreira/as redes- net. Adaptemos a cada produtor/produto a especificidade da carga balística/do alvo certeiro. Na nossa viseira deveremos, sem grandes compassos de espera, actualizar as estatísticas: somos um país do pelotão da frente em número de consumidores de resíduos audiovisuais e de relva de estádio e somos um país da lanterna vermelha a consumir livros e, quando consumimos, tendemos para a Literatura das Doenças Infantis do Capitalismo/dos Chiclets Culturais de Hipermercado. Best-seller, na generalidade, quer dizer Linha Editorial de Cabeleireiro.

No entanto, como consumidores, deveríamos promover a organização da resistência pessoal/nacional/global, corporizável num novo tipo de associativismo, a que daremos um nome neo: DECOMÉDIA. [3] Como? Desde já, disparando o telecomando/sintonizador/abandonando nas bancas e prateleiras o lixo do Sistema. Desde já, usando máscara no mercado audiovisual e luvas no mercado impresso/abordando relutantemente qualquer produto das ETAR`s do Poder/Saber. Desde já, cooperando na formação de novos conteúdos/novos públicos, pois se nos mantivermos como escaravelhos-bosteiros, arrastando os detritos da Sociedade da Abundância e se não ampliarmos o Levantamento de Rancho, restaremos na Pré-História Alimentar das Cons(ciências).

Arrojemos, na primeira aula de ginástica cívica, um Livro Proibido e outras publicações marginais contra os vazadouros digitais/parabólicos/por satélite. Façamos um esforço para não ofender demasiado a vista com a Imprensa de Referência/Sarjeta, faces do mesmo sujeito, o capitalismo selvagem, que finge comer com faca/garfo/guardanapo, fazendo, um, as necessidades debaixo da mesa/outro, em cima da mesa. Não consumir é uma opção de grande ascese democrática. Os telespectadores/radiouvintes/leitores só ganharão em não acumular resíduos no Sistema nervoso central. A Declaração de uma Greve Geral por tempo indeterminado a produtos informativos/culturais avariados talvez se revele uma Forma Superior de Contestação. Haverá que exaltar a Ideal Liberdade de Imprensa e problematizar a Real Liberdade de Empresa. Esta última tão receptiva a choques tecnológicos como avessa a choques sociológicos.

Por outro lado, a auto-legendada Classe Jornalística não deve ficar à espera de um questionamento ao retardador e do exterior. A Comunicação é Social mas também comporta uma dimensão de Sector e uma dimensão de actor. Existem volumes de dossiers atirados pelo patronato privado/estatal para a berma da estrada das negociações. Existem atropelos à Liberdade de Imprensa e ao Pluralismo que davam para congestionar um Tribunal de Delitos Censórios-Laborais. A Comunicação Social está a pedir um buzi(não). Alguma da energia do pseudo-jornalismo musculado da Nossa Praça faria bem em ser aplicada em causa própria. E tem prementes/pungentes motivos face às condições profissionais/assistenciais. Seria uma excelente cacha acordarmos com uma vaga de inconformismo vinda de dentro. Teremos, contudo, de manter a expectativa em limiares típicos de uma classe que só é francamente mobilizável quando os motores sociais aquecem o ambiente e se desencadeiam disputas de amplificadores. As associações ambientalistas deveriam integrar, sem tibiezas, na sua Agenda, a maioria das publicações periódias e não-periódicas e das emissões sonoras e visuais: para além das mentes, quantas florestas não são devastadas e quantas atmosferas não se degradam com as edições do Sistema?

Há, entretanto, que conferir significado a uma concertação/direcção de pequenos passos. O tempo não está para conversões em massa mas para conversões à massa. O que leva uns a entregar-se ao inimigo/outros a enveredar pela resig(nação). Atitudes que podem resolver aspirações ou cobrir indolências particulares/esconder amarguras idealistas mas que nada contribuem para um ab(anão) nos recintos do publicado e dos públicos. Contribuir para um meio ambiente mais saneado implica uma auto-desintoxicação mediática e um desinquinamento das fontes. Seria bem necessário um Protocolo de Quioto para atenuar a carga tóxica do Pla net da Informação. Mas quem o celebra? Não poderemos confiar na grande maioria dos Estados nem na grande maioria dos empresários nem na grande maioria dos assalariados nem na grande maioria dos infogaseados. Como é do contudo move-se de Galileo Galilei, evoluir-se-á do consenso esmagador para o consenso emancipador, a partir de Pequenas Células de Infocidadania/Redes de Contra-Projecto.

Eis o Estado da Nação dos Onze.

Os Donos do Showinfo passeiam-se sobre a espinha dorsal de numerosos red(actores) – chiens de garde que se reviram com as cócegas ventrais. São mesmo sujeitos para fingir que nada têm a ver com o retratado/cadastrado. É com este Jornalismo Ordeirista & Diversionista que temos de nos haver em todos os debates/combates. É com um ambiente político-jurídico cada vez mais criminalizador das opiniões anti-sistémicas e da investigação de fundo que teremos de nos posicionar como cidadãos-consumidores. De certa maneira/havia mais liberdade de Imprensa no fim do séc. XIX/princípio do séc. XX em Portugal do que no fim do séc. XX/princípio do séc. XXI. Se ressuscitasse/Rafael Bordalo Pinheiro passaria a vida de tribunal em tribunal, para não dizer de cadeia em cadeia. Provavelmente teria de se refugiar nas Caldas da Rainha a moldar falos e batráquios em nome do Zé Povo e da Patroika/antiga Pátria. De facto e de jure, a pressão penal paira no clima de trabalho e contribui para o défice de transparência. Quando é que Bordalo voltará a chamar porco ao rei? O honrado red(actor) terá de se precaver. Está de volta o Jornalismo de Entrelinhas. O ludibriado leitor terá de se defender e treinar a vista. Na verdade e na generalidade, se gastamos mais de dez minutos com um diário ou mais de quinze minutos com um semanário da Uniformédia, é de recear um problema de fixação doentia/amarração. Procuremos um consultório perscrutador/respeitador de segredos íntimos. Acomodemos as partes no divã e desvendemos o que nos vai na alma. Ler jornais poderá significar saber menos? A desconfiança tornou-se digna de caricatura.

Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data. [4]

Neste panorama de mentiras e omissões programadas/dúvidas armadilhadas/verdades superficializadas, é ur(gente) pugnar por um Jornalismo Inqui(ético), que não se submeta a consensos esmagadores. Por este Jornalismo valerá a pena clamar e terçar como Ribine, sinalizador de leituras essenciais:

Ajuda-me! Dá-me livros, daqueles que um homem, depois de lê-los, não encontre sossego. [5]

Este Curso pretendeu alertar alunos/adestrar candidatos/desiludir estagiários/reescolarizar profissionais. Também teve a intenção de intranquilizar telespectadores/radiouvintes/leitores. Fez o possível por reintroduzir o espírito de verão no inverno do nosso descontentamento. [6] Encerraremos o presente ciclo com um apelo/que gostaríamos de ver retransmitido nos aparelhos de Comunicação ao abrigo do Direito de Resposta.

Cuidado.

Acima de tudo e de todos/a lidar com a Televisão. Nunca será demais reflectir sobre o poder fascinador/ regulador/ normalizador/ malfeitor deste equipamento. Foi transformado numa prótese biológica/numa arma ideológica e numa fábrica de teledependências. Tornou-se sofisticada(mente) mediocratizada/mediocratizante. Os Espaços Retóricos & Cénicos do Sistema estão empenhados em transmitir/com abundantes e cativantes meios técnicos/a mesma coisa/defender a mesma causa com caras de cartaz ou fortuitos convidados, mais ou menos à mesma hora. O telespectador já não suporta o rancho do dia nem os enlatados da noite? Zapping. Mude-se para um canal dito Segundo. Poderá conter menos carga tóxica/até gratificantes surpresas. Mude-se para a Mezzo. Declare-se exilado político-musical. Zapping. Mude-se para as manhãs de domingo. As televisões também obrigam os inocentes a madrugar. Regresse ao parque infantil. É menos custoso suportar horários nobres do que horários nobres. Zapping. Mude-se para o National Geographic. Qualquer paisagem é menos hostil/qualquer selva é menos feroz. Zapping. Mude-se para a CNN. Ficará a saber o que pensa o patrão. Evite perder tempo com intermediários. Tempo é dinheiro. Money. Corte nos gastos.

Inscreva-se na RAMG/Resistência Anti-Mediática Global.

1. Joseph Pulitzer (1847-1911). Jornalista-empresário.
2. Reigosa, Carlos, jornalista, escritor. Citação: in editorial Galaxia novidades: www. editorialgalaxia. com (Primavera/Verão '07).
3. DECOMÉDIA/Defesa do Consumidor dos Média.
4. Veríssimo, Luís Fernando, jornalista, escritor ( odiario.info, José Paulo Gascão, 24/05/2008).
5. Ribine, citado por Francisco Mangas, jornalista, escritor, Notícias Sábado/ NS, 31/05/2008. Fonte original: A Mãe, Máximo Gorki (1868-1936).
6. This is the winter of our discontent made glorious summer by this sun of York /Richard III/1592-1593/Shakespeare/ The Winter of Our Discontent /1961/Steinbeck, John (1902-1968).


Estes textos encontram-se em http://resistir.info/ .
06/Out/12