Pico da produção petrolífera:
Os países que já o ultrapassaram e aqueles que ainda não

por Steve Andrews e Randy Udall

A cantilena dos noticiários nos media diz que "o pico petrolífero está morto". Se assim é, por que é que os americanos estão agora a consumir dez por cento menos petróleo do que o fizeram em 2007? Será que os altos preços da energia petrolífera, incluindo os recordes de preços de 2012, estão a contribuir para uma desaceleração da economia e a actual destruição da procura?

Ao rever as mais recentes estatísticas da British Petroleum (BP), descobrimo-nos a perguntar quantos jornalistas entendem que apenas 20 países produzem a esmagadora maioria (86%) do petróleo do mundo. Ou então, quantos compreendem que apenas o Iraque, os EUA e talvez o Brasil parecem ter capacidade acrescentar 1 milhão de barris/dia ou mais à sua produção ao longo dos próximos anos.

Os dez países do topo produzem 64% do petróleo mundial; muitos aumentaram a sua produção em 2012. Ao mesmo tempo, a maior parte daqueles classificados entre o 11º e o 20º viram a sua produção declinar. Com a produção mundial de petróleo bruto mais ou menos estagnada desde 2005, o planeta está a tentar alimentar o crescimento económico com líquidos de gás natural e biocombustíveis, o que torna o andamento difícil.

A tabela abaixo conta uma história. Ela trata: 1) dos países que já ultrapassaram o pico (ver na coluna "Ano do Pico" as quadrículas com fundo azul turquesa), devido a limites geológicos (ex.: Noruega, Reino Unido) ou por razões extra-geológicas; e 2) dos países que ainda têm claramente de chegar ao pico. Verifica-se que 10 dos 20 países principais já alcançaram os seus máximos de produção de todos os tempos. Mas num certo número deles a produção está a aumentar temporariamente, sendo os EUA o caso mais característico. A Rússia e a China aproximam-se do Pico petrolífero no momento em que escrevemos. Em 2012, três países não-OPEP aumentaram a produção em mais 100 mil barris/dia-ano (contra 12 em 2004), ao passo que quatro países não-OPEP experimentaram declínios de aproximadamente 100 mil barris/dia-ano (contra dois em 2004).

Dentro deste quadro de destruição da oferta, o Pico petrolífero parece próximo mas ainda não presente, adiado ao invés de morto e disfarçado na contabilidade da BP pela inclusão dos líquidos de gás natural . Após o planalto (plateau) de 2005-2009, a produção de petróleo cresceu durante três anos consecutivos, devido ao shale oil dos EUA, à recuperação da Líbia e a aumentos da OPEP. Olhando em frente, os temas chave a seguir são: destruição da procura, violência do Médio Oriente, nacionalismo do recurso, procura chinesa e Pico petrolífero das exportações.

Ao examinar os números, você não pode pretender segurar a respiração à espera de uma "independência energética" americana. Apesar da conversa alegre, o nosso futuro petrolífero pode não ser um romance com abundância mas sim uma árdua negociação (plea bargain) com o esgotamento.

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Afunilamento da produção
Países produtores
milhões de barris/dia (2012)
% do Total
10 primeiros 55,1 64,0%
11 a 20 18,9 21,9%
21 a 30 7,56 8,8%
31 a 40 2,55 3,0%
41 a 48 + resto do mundo 2,04 2,4%
Total mundo 86,15 100,0%


Ver também:
  • A centralidade ignorada do Pico Petrolífero
  • Reflexões acerca da conferência Pico Petrolífero, em Doha
  • A identificar o "petróleo" que mais preocupa
  • O fraco crescimento do PIB mundial e o Pico Petrolífero
  • Como se fica a saber que o debate do Pico Petrolífero já está (quase) ultrapassado
  • Uma breve explicação económica do Pico Petrolífero
  • Uma história da complexidade energética

    O original encontra-se em Peak Oil Review, de 17/Junho/2013


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • 21/Jun/13