Outubro de 2000 — "A segunda metade de 1948"

por Tanya Reinhart [*]

Clique na capa para aceder à Editorial Caminho. UMA GUERRA SANTA

O actual levantamento palestiniano foi desencadeado pela visita provocatória de Ariel Sharon ao Haram al Sharif/Monte do Templo em Jerusalém, em 28 de Setembro de 2000, acompanhado por centenas de soldados. Mas as bases para esta provocação tinham sido lançadas muito antes.

O Monte do Templo é uma das zonas mais melindrosas do Médio Oriente, já que alberga lugares sagrados tanto para os Judeus como para os Muçulmanos. Para os Judeus, o Monte do Templo é o local do primeiro e do segundo templos. Para os Muçulmanos, Haram al Sharif é o lugar a partir do qual o Profeta Maomé subiu ao céu, sendo considerado o terceiro lugar mais sagrado da comunidade muçulmana mundial. Desde o início do século viii, a zona tem sido um centro activo de práticas religiosas muçulmanas, situando-se nesta mesma colina a mesquita al-Aqsa, mesquitaal-Aqsa, mesquitaAl-Aqsa, fundada no ano 715. As práticas religiosas judaicas têm como centro um local vizinho — o Muro das Lamentações, a que os judeus chamam Muro Ocidental, um nome que sugere, incorrectamente, ter em tempos pertencido ao templo. (De facto, este muro não pertencia ao complexo do templo, sendo antes a escora de uma praça que se situava acima dele.) Na realidade, a ortodoxia religiosa judaica proíbe os Judeus de rezarem na zona do Monte do Templo ou mesmo de entrarem na praça do Monte. O princípio mais profundo subjacente a esta interdição é que tudo o que diga respeito à ressurreição do templo deve ser deixado ao Messias vindouro.

Clique para ampliar. O melindre deste lugar tem sido amplamente reconhecido por todos os governos israelenses desde a sua ocupação em 1967. Desde então, o sistema político, em colaboração com o aparelho religioso, tem deliberadamente tentado minimizar a importância religiosa do Monte do Templo e a sua relevância para o Israel dos nossos dias. Asaf Inbari escreveu um estudo excelente sobre a história do Monte do Templo — com as suas raízes pagãs — e a forma como o sistema político israelense tem abordado o problema desde 1967 [1] . Escreve, por exemplo, que pouco após a conquista do Monte do Templo em 1967, o Parlamento israelense aprovou a «lei da preservação dos lugares santos», que confirmava os acordos de Moshe Dayan com a autoridade muçulmana (Wafk). Na reunião do Parlamento em que esta lei foi aprovada, Zerah Werhaptig, do partido religioso Maf'dak, «pronunciou um discurso cerimonial em que fez citações do “Masekhet Kelim” na Mishna: “A terra de Israel é abençoada com dez medidas de sacralidade: oito delas encontram-se em Jerusalém e no seu centro, o Muro Ocidental [das Lamentações], o qual, segundo os nossos antepassados, a presença divina jamais abandonou”». (A partir da tradução para inglês da autora.) Imbari diz ainda:


Werhaptig sabia que estava a reescrever o texto original. «Monte do Templo» é o que diz a Mishna, não «o Muro Ocidental». O Muro Ocidental [das Lamentações] não é mencionado na Mishna. E por que seria mencionado? Não passa de um muro; não se localiza no Monte; situa-se nas proximidades do Monte, tal como o resto da cidade velha. Mas Werhaptig, tal como os rabis principais, estava a pensar rapidamente...
Sabia que era necessário encontrar de imediato um substituto para o Monte do Templo, agora que nós [os Israelenses] o controlamos, para o caso de alguns judeus quererem construir nele um templo ou qualquer coisa do género. O substituto [o Muro Ocidental (das Lamentações)] estava ali, pronto e disponível, bastava dar brilho à sua glória... [2]

Ao longo dos anos da ocupação, Israel manteve esta política de minimização da importância do Monte do Templo. Somente alguns malucos marginais exigiam o controlo israelense do Monte. O grupo messiânico Fiéis do Monte do Templo planeava até a colocação de uma pedra angular para o terceiro templo, mas sempre que tentava entrar no local, a polícia israelense bloqueava-lhe a entrada ou arrastava os seus elemento para fora (como sucedeu na véspera do feriado judaico de Sukkot em 1990). Até recentemente, as palavras «Monte do Templo» eram consideradas como pertencendo ao vocabulário bizarro de fanáticos religiosos.

O primeiro a alterar a política de Israel relativamente ao local foi o governo secular liderado por Barak, que transformou a soberania israelense sobre o local numa das principais questões em debate nas negociações de Camp David. De repente, o Monte do Templo era «o lugar mais sagrado do judaísmo». O político mais manifestamente empenhado na questão era o então ministro da Polícia, Shlomo Ben-Ami — um ex-homem de esquerda que saiu da universidade para ocupar o cargo e declarava dia e noite que «nenhuma nação pode ceder os seus lugares sagrados».

A reclamação do direito ao «Monte do Templo» por Israel é completamente nova, sendo apenas apresentada desde Camp David. No Plano Beilin-Abu Mazen para o acordo final — que era, como vimos, a base para as negociações — declarava-se ainda que a zona pertenceria à «soberania extraterritorial palestiniana» [3] . Observe-se que esta questão é meramente simbólica. Como, de qualquer forma, Jerusalém permaneceria sob a soberania e o governo de Israel, a única questão era como garantir algum estatuto simbólico aos Palestinianos relativamente ao local. Mas Barak optou por transformar a questão num centro de conflito. É impossível que não tivesse consciência de que uma nova exigência por parte de Israel relativamente ao lugar muçulmano mais sagrado nos territórios ocupados iria desencadear mais frustração e perturbações.

Na última semana de Setembro de 2000, Sharon, que era então o líder do Partido Likud, na oposição, anunciou que tencionava exercer o seu «direito básico» de visitar «o nosso lugar santo». Este anúncio coincidiu com o aumento da frustração e dos protestos nos territórios, por os Palestinianos estarem a aperceber-se de que, mais uma vez, nada obteriam em Camp David e em negociações posteriores e que Israel não tinha qualquer intenção de cumprir os seus compromissos de Oslo. Avisando Israel quanto a possíveis consequências explosivas, a Autoridade Nacional Palestiniana, juntamente com deputados árabes do Parlamento israelense, instou Barak a não autorizar a visita de Sharon ao local. Mas Barak não só a autorizou como também ordenou uma presença maciça de forças policiais e do exército para acompanharem Sharon e esmagarem quaisquer sinais de protesto. Não existe qualquer dúvida de que esta provocação foi coordenada entre Barak e Sharon.

Sharon cumpriu a sua missão em 28 de Setembro de 2000. Um relatório da Associação Palestiniana para os Direitos Humanos (LAW) descreveu os acontecimentos da visita de Sharon da seguinte forma:

A visita efectuou-se às 07h45 da manhã. Sharon tentou avançar para a mesquita Al Marwani, mesquita: Consulte também Al-Aqsa, mesquita Al Marwani, onde se encontravam cerca de 200 palestinianos para lhe barrarem a entrada. As forças de ocupação israelenses abriram caminho à força, recorrendo a bastões e espingardas. Entre os ocupantes contavam-se deputados árabes do parlamento israelense, membros do Conselho Legislativo Palestiniano e uma série de dignitários e activistas políticos... As forças de ocupação não conseguiram romper a cadeia humana à volta da pequena mesquita, e forçaram a retirada de Sharon e da sua comitiva. Contudo, cerca de 1000 soldados e polícias israelenses ocuparam os telhados das casas vizinhas, tendo disparado balas de borracha e lançado bombas de gás contra os manifestantes pacíficos, do que resultaram 24 feridos palestinianos [4] .

Quando estes acontecimentos desencadearam novas manifestações no dia seguinte (como seria de esperar), Barak ordenou a escalada do ataque e acabou por enviar forças e tanques israelenses para zonas palestinianas densamente povoadas. Ao fim de três dias de violência, as mortes ascendiam a trinta palestinianos e dois israelenses [5] . Segundo tudo indica, parece provável que o agravamento dos protestos, transformando-se em recontros armados, poderia ter sido evitado se a reacção israelense tivesse sido mais contida.

OUTUBRO DE 2000

A rapidez da escalada da situação é particularmente espantosa. De facto, quase todos os actos de opressão ou planos logísticos que Israel tem levado a cabo contra os Palestinianos durante a actual Intifada eram já visíveis em Outubro de 2000. Todos os temas que definem actualmente o discurso político e a propaganda israelenses ganharam igualmente forma no início, durante aquele mês. A análise dos acontecimentos de Outubro de 2000 é reveladora, especialmente visto que não tinham ainda ocorrido quaisquer ataques terroristas palestinianos contra civis israelenses. (O primeiro desses ataques dentro das fronteiras de Israel, durante o actual levantamento palestiniano, verificou-se em 2 de Novembro de 2000, com a explosão de uma bomba num mercado de Jerusalém.) Embora Israel defina os seus actos militares como uma defesa necessária contra o terrorismo, tanto estes actos como os temas da propaganda de Israel de facto já existiam antes do início do terrorismo.

O exército israelense estava já a preparar-se para um recontro muito antes de Outubro de 2000. Em Junho de 2000, Barak informou os meios de comunicação israelenses de que «existe o perigo de distúrbios palestinianos, seguindo o modelo do Sul do Líbano», e, paralelamente aos preparativos para as negociações de Camp David, encontrava-se abundante informação na imprensa israelense sobre os preparativos militares para um recrudescimento da violência em grande escala, provavelmente agendada para Setembro, «mas as FDI têm ordens para se prepararem como se fosse ocorrer amanhã». Se forem utilizadas armas, «Israel empregará tanques e helicópteros» [6]

Na verdade, todo o arsenal militar israelense foi utilizado logo desde o início do levantamento. Em 5 de Outubro de 2000, a LAW noticiava já que «Israel empregou todos os meios para a repressão dos protestos, incluindo armas de uso internacionalmente proibido contra civis tais como: balas reais, balas de alta velocidade, balas dum-dum (balas expansivas), balas de metal revestidas de borracha, armas automáticas, helicópteros de combate, tanques e veículos blindados, mísseis (utilizados contra civis), gás lacrimogéneo e gás irritante e espingardas equipadas com silenciadores utilizadas por atiradores furtivos» [7] .

No actual levantamento — ao contrário da primeira Intifada — os Palestinianos têm recorrido às armas. Contudo, durante os primeiros dias os disparos ocorriam apenas esporadicamente, enquanto a maior parte do arsenal militar de Israel estava a ser utilizado contra manifestantes civis, pessoas que assistiam a funerais e multidões que arremessavam pedras. Assistiu-se à escalada gradual da utilização de armas por parte dos Palestinianos em resposta à escalada da opressão armada por parte de Israel. Ao deslocar tanques e forças para zonas densamente povoadas, Israel provocou recontros armados e empurrou um número cada vez maior de pessoas desesperadas para um confronto suicida entre lados desiguais.

Ao contrário dos actos de terrorismo contra civis, que todas as pessoas racionais denunciam, a lei e as normas internacionais reconhecem o direito de um povo ocupado a envolver-se em luta armada contra o exército ocupante. Mesmo assim, pode questionar-se o acerto da decisão de recorrer às armas. Acredito que, nas circunstâncias actuais, com forças tão desiguais em confronto, a utilização de armas por parte dos Palestinianos roça o suicídio. A forma mais fácil de exterminar uma nação fraca sempre foi arrastá-la para uma guerra que não poderá vencer. Toda uma geração de jovens palestinianos está a perecer num confronto desesperado dentro dos muros da prisão, enquanto a maior parte da sociedade palestiniana — mulheres, estudantes e civis normais — é gradualmente excluída da luta. Só lhes resta esperar, nos seus lares cercados, pela punição colectiva seguinte ministrada pelo exército israelense.

No entanto, a legitimidade da luta armada palestiniana é inquestionável. O romancista israelense David Grossman escreveu em Janeiro de 2002, em resposta à notícia da captura de um navio palestiniano que transportava armas de contrabando para os territórios ocupados:

Que prova se obteve aqui? A prova de que, quando se oprime um povo durante 35 anos, se humilha os seus líderes e não se lhe dá uma réstia de esperança, os membros deste povo tentarão afirmar-se de qualquer forma possível? E algum de nós se comportaria de forma diferente dos Palestinianos em tal situação? E comportámo-nos de forma diferente quando, durante anos, estivemos sob ocupação e tirania? Avshalom Feinberg e Yosef Lishansky partiram para o Cairo para trazerem dinheiro daí para o movimento clandestino Nili, de modo a que a comunidade judaica na Palestina pudesse afirmar-se contra os Turcos. Os combatentes dos movimentos clandestinos Haganah, Lehi e Etzel adquiriram e esconderam tantas armas quantas puderam e os seus esplêndidos sliks (esconderijos de armas) são, até aos nossos dias, um símbolo da luta pela sobrevivência e do desejo de liberdade, tal como as ousadas missões de aquisição de armas durante o Mandato Britânico (que foram definidas pelos Britânicos como actos de terrorismo). Quando «nós» fizemos estas coisas, a sua natureza não era terrorista. Eram acções legítimas de um povo lutando pela sua vida e liberdade. Quando os Palestinianos as fazem, elas tornam--se «prova» de tudo o que tentamos tão empenhadamente provar há anos [8] .

De qualquer forma, até mesmo perante uma resistência armada a reacção de Israel tem sido grosseiramente desproporcionada. Este facto foi sublinhado em várias resoluções de fóruns da ONU e até pela sua Assembleia Geral, a qual já desde 26 de Outubro de 2000 condena o «uso excessivo de força» por parte de Israel contra os manifestantes palestinianos e advoga a prevenção de «actos de violência ilegais de colonos israelenses». Os Estados Unidos e Israel, juntamente com as Ilhas Marshall, a Micronésia, Nauru e Tuvalu (pequenos Estados do Pacífico), foram os únicos membros da ONU a votarem contra.

Numa missão da Amnistia Internacional, David Holley, um veterano do exército britânico com experiência de campo no Iraque e na Bósnia, investigou os confrontos entre as forças militares israelenses e os Palestinianos. O jornal Ha'aretz publicou uma entrevista com ele. «Ele enumerou quatro ameaças dos Palestinianos aos soldados das Forças de Defesa Israelenses e a civis israelenses: pedras, cocktails Molotov, disparos e bombas nas bermas das estradas. Disse que, na maior parte dos casos, os soldados israelenses poderiam recorrer a espingardas M-16 e a informações fidedignas dos serviços secretos para defrontar todas estas ameaças. Existe pouca justificação, acusou ele, para as formas de reacção mais pesadas a que Israel recorre, com a utilização de artilharia e helicópteros de combate, entre outras coisas.» [9]

Desde 6 de Outubro de 2000, Israel impôs um «encerramento» total da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. O exército israelense impede qualquer movimento de e para as áreas seladas. Existem notícias de pessoas que, ao irem trabalhar para o campo, são alvejadas. «Todas as vilas e cidades foram isoladas, tornando impossíveis as deslocações entre regiões. O encerramento teve um grave impacto sobre os serviços de saúde prestados aos Palestinianos. Os pacientes com ferimentos graves que necessitem de ser enviados para a Jordânia, a Arábia Saudita ou o Egipto para receberem tratamento especializado não podem ser transportados. As equipas médicas da UPMRC [The Union of Palestinian Medical Relief Committees] e outras organizações de saúde deparam-se com dificuldades inacreditáveis para chegarem até aos pacientes enfermos. O sistema de cuidados de saúde primários na Palestina está paralisado, já que os médicos não têm acesso às clínicas e os pacientes em zonas rurais não têm acesso a hospitais das cidades.» [10]

O encerramento total e a imposição do recolher obrigatório tornaram-se desde então a norma e são encarados pela sociedade israelense como normais e naturais. Escreveu Amira Hass, a corajosa jornalista do Ha'aretz : «É perfeitamente natural que 40 000 pessoas sejam submetidas a um recolher obrigatório absoluto durante mais de um mês na Cidade Velha de Hebron para proteger as vidas e o bem-estar de 500 judeus. É perfeitamente natural que quase nenhum israelense mencione este facto ou esteja sequer a par dele. É perfeitamente natural que 34 escolas frequentadas por milhares de crianças palestinianas sejam encerradas por mais de um mês e os seus alunos encarcerados e sufocados, dia e noite, nas suas casas sobrelotadas, enquanto os filhos dos seus vizinhos — dos seus vizinhos judeus — são livres de brincar como sempre nas ruas, no meio dos soldados israelenses ali posicionados. É perfeitamente natural que uma mãe palestiniana tenha de suplicar e implorar para que um soldado israelense lhe permita escapulir-se pelas ruelas do mercado ao ar livre e ir comprar medicamentos para o seu filho asmático, ou pão para a família.» [11]

Com a maioria dos palestinianos encerrados, indefesos, nas suas cidades, o exército israelense estava a aterrorizar áreas seleccionadas com força maciça. Tais acções prosseguiram ao longo das negociações israelo-palestinianas de Sharm-A-Sheich, moderadas pelos EUA, e sofreram uma escalada em 23 de Outubro de 2000, um dia após o final da cimeira da Liga Árabe. (Os meios de comunicação israelenses descreveram o período anterior à cimeira como de «contenção» auto-imposta, para permitir à Liga Árabe desviar o olhar.)

Em situações de respostas a ataques armados, e frequentemente sem qualquer pretexto de ataque armado, os bairros residenciais palestinianos eram bombardeados quase todas as noites por helicópteros, tanques, mísseis, metralhadoras e armas «de precisão», enquanto o exército israelense instava os residentes palestinianos a evacuarem as suas casas «para sua própria protecção». Os colonos israelenses, por outro lado, são livres de atacarem, dispararem sobre pessoas e destruírem a propriedade alheia. A apropriação de terra ocorria diariamente, bocado a bocado.

Já desde Outubro de 2000 parecia existir uma lista cuidadosamente elaborada de locais na Cisjordânia a serem alvo de ataques, locais a que Israel tem regressado repetidamente desde então. As zonas situam-se predominantemente nas proximidades de Jerusalém ou de outros blocos de colonatos — Beit Jala, Beit Sahour, Belém, El Birreh, o Sul de Ramallah, Hebron e vários outros. É difícil evitar a conclusão de que Israel seleccionou essas zonas para uma lenta evacuação forçada que acabará por possibilitar a sua anexação com o menor número possível de palestinianos ainda residente nelas.

O Coronel Ra'anan Gissin, à época o porta-voz do exército israelense, prometeu orgulhosamente que «Beit Jala, Beit Sahour e outros locais [palestinianos] transformar-se-ão em Beirute» [12] . Tal tornou-se efectivamente realidade para estes pacíficos bairros cosmopolitas da classe média. Beit Jala é um caso exemplar. Este belo bairro é adjacente ao colonato de Gilo em Jerusalém e o seu lado nordeste forma um corredor para o colonato israelense de Gush-Ezion. Por consequência, é um alvo natural para os que cobiçam mais terra. Há somente alguns anos, a ideia de tomar Beit Jala teria parecido inconcebível aos Israelenses. Os seus residentes, predominantemente cristãos ricos, mantinham boas relações com os seus vizinhos israelenses, não condizendo com o estereótipo dos palestinianos pobres e invisíveis a quem os israelenses não sentem incómodo em fustigar. Apesar disto, Beit Jala foi escolhido como alvo desde o início.

O pretexto para a acção militar israelense foi um ataque armado palestiniano a Gilo que partiu de Beit Jala. Muitos residentes de Beit Jala acreditam que este ataque armado — pelo menos em Outubro — foi uma provocação israelense. Yigal Sarena, do jornal Yediot Aharonot , entrevistou o comandante palestiniano do Tanzim (um grupo paramilitar de jovens da Fatah) em Belém, que disse: «Capturámos também colaboradores vossos, que confessaram terem disparado, e estamos a tentar acalmar a situação. Não daremos aos Israelenses a oportunidade de destruírem Beit Jala e matarem pessoas. Evitá-lo-emos.» [13] Obviamente, não há forma de confirmar esta versão dos acontecimentos, e o ataque armado a partir de Beit Jala continuou por muitos meses. No entanto, o facto de o sofisticado e bem equipado exército israelense não ter sido capaz de atingir directamente os franco--atiradores palestinianos continua a ser um mistério. Em vez disso, teve de bombardear Beit Jala todas as noites e transformar o seu quarteirão noroeste numa cidade-fantasma. Afirmou Sarena: «Esta semana... vi como esta pequena cidade turística se transformou numa espécie de Sarajevo em miniatura, uma cidade no início da sua jornada sangrenta a caminho da destruição. Esta semana, houve um general que ameaçou alterar completamente a topografia de Beit Jala, como se estivéssemos na Jugoslávia.» [14]

A analogia com a Jugoslávia andava no ar naquela altura. Era usualmente apresentada no discurso israelense como um desejo oculto dos Palestinianos de sofrerem um destino semelhante ao do Kosovo. Numa tradicional culpabilização da vítima, Israel afirmava — e continua a afirmar ainda hoje — que Arafat queria provocar a destruição ao seu povo, a fim de obter a solidariedade internacional. Escreveu Amos Har'el no Ha'aretz : «Na situação preferida de Arafat, o conflito israelo-palestiniano assemelhar-se-ia ao Kosovo: envolvimento internacional crescente, observadores e tropas estrangeiros e, finalmente, um acordo imposto — o que seria melhor para os Palestinianos do que aquilo que os Americanos ofereceram em Camp David. Logo que outras partes para além dos Americanos se envolvam, Arafat lucra.» [15]

Contudo, a interpretação mais realista do fascínio israelense pela analogia com o Kosovo encontra-se na opção militar que inaugurou de bombardear zonas civis com forças aéreas maciças e o apoio do mundo ocidental. Aluf Benn, um destacado analista do Ha'aretz , descreveu a atitude de Barak durante a sua visita aos Estados Unidos em Julho de 1999: «Em todos os encontros e ocasiões públicas, Barak elogiou “a admirável vitória americana na guerra do Kosovo”.» À pergunta «O que procura Barak no Kosovo?», Benn responde que «pode conceber-se um motivo que não será expresso abertamente, mas é, talvez, o mais importante no pensamento político do primeiro-ministro: legitimação do recurso à força militar para atingir objectivos políticos». Na opinião de Benn, o caso do Kosovo parece ser o oposto de anteriores actos militares israelenses. Escreveu: «A NATO atacou em nome de princípios morais supremos, para possibilitar o regresso de refugiados e não para os evacuar. Mas na operação “Restaurar a Esperança”, encontravam-se todos os ingredientes de que Barak tanto gosta: bombardeamento maciço e destruição de infra-estruturas civis a fim de enfraquecer um líder obstinado e partir para uma guerra que não pode ser justificada como autodefesa, mas antes como um peão no jogo político.» [16] Israel tem longos antecedentes de bombardeamentos e destruição no Líbano, mas não obteve a legitimação que o Kosovo demonstrou ser possível.

A força aérea israelense realizou um estudo pormenorizado (conduzido por Amos Yadlin) das lições da guerra do Kosovo. Uma das suas conclusões foi que «o tempo disponível para as forças militares depende do apoio político e do apoio da opinião pública interna. Este apoio será reforçado pelo comportamento imoral do inimigo...» Sublinha igualmente a necessidade de «usar de cautela com as promessas de uma “guerra limpa” sem quaisquer danos às imediações [dos alvos]» [17] .

Na verdade, em Outubro de 2000 a força aérea israelense estava já ansiosa por experimentar tais métodos. O major-general Dan Halutz, comandante da Força Aérea Israelense, ameaçou «utilizar todos os recursos da força aérea contra os palestinianos, se a situação actual de perturbação sofrer uma escalada» [18] . E apresenta razões pormenorizadas para recorrer à força aérea contra civis. «Até agora», diz Halutz, «os riscos da utilização da força aérea não ultrapassaram os seus benefícios. Nenhuns helicópteros correram quaisquer riscos.» Acrescentou que «a FAI [Força Aérea Israelense] não possui informação de que os Palestinianos dispõem de mísseis antiaéreos portáteis» [19] . O raciocínio subjacente parece ser que a única circunstância a ter em consideração antes de um bombardeamento maciço de zonas residenciais deveria ser o potencial risco para a Força Aérea Israelense, que não existia, transformando assim o plano numa chacina segura e limpa — grandes benefícios.

Halutz e a sua visão tiveram de esperar até 18 de Maio de 2000, data em que Sharon autorizou os jactos de combate F-16 israelenses a atacarem «alvos da Autoridade Nacional Palestiniana» na cidade de Jenin, na Cisjordânia, seguidos por outros ataques esporádicos. Nesse momento, não estava ainda criado o clima internacional necessário para aplicar a total capacidade da Força Aérea, e verificou-se uma vaga de reprovação por parte da comunidade internacional na sequência dos bombardeamentos. Porém, «o apoio da opinião pública interna» estava garantido se e quando os militares necessitassem de utilizar força maciça. Em Dezembro de 2001 — na sequência de uma vaga de brutais ataques terroristas palestinianos — o clima alterara-se e o uso de força avassaladora tornou-se aceitável. O analista de assuntos de segurança Alex Fishman explicou: «A actividade aérea com jactos F-16 é já considerada rotineira. Após um ano e quatro meses, o comandante da Força Aérea Israelense, o major-general Dan Halutz, conseguiu convencer o exército e a hierarquia política de que não existe qualquer diferença entre explosivos lançados do ar e a partir da terra. Além do mais, os resultados obtidos em ataques aéreos são mais fiáveis e eficazes. E não foi só Israel a deixar-se convencer. O mundo habituou-se já à imagem dos jactos F-16 nos céus de Gaza e da Cisjordânia.» [20]

Desde 11 de Setembro de 2001, a analogia com o Kosovo foi substituída no discurso israelense pela analogia com o Afeganistão. «Se os Estados Unidos podem fazer isto, por que não nós?» é um tema repetido. Poucas horas após o ataque a Nova Iorque e a Washington, um fórum governamental e militar ao mais alto nível, com a presença do chefe do Estado-Maior, Shaul Mofaz, do comandante da força aérea, Halutz, e do vice--chefe do Estado-Maior, Moshe Ya'alon, exigiu que se «tirasse partido do impacto do acontecimento» [21] . Em Outubro de 2001, já se sabia que «o primeiro-ministro decidiu que o padrão da acção que conduzirá ao derrube da Autoridade Nacional Palestiniana deveria ser similar à acção dos EUA contra o Afeganistão... A interpretação do governo é que o mundo ocidental estará mais aberto à eliminação da Autoridade Nacional Palestiniana se esta for apresentada com imagens e comparações da actualidade... Sharon tem a esperança de que a eliminação dos Taliban e a eliminação da Autoridade Nacional Palestiniana venham a ser consideradas dois objectivos paralelos» [22] .

«A SEGUNDA METADE DE 1948»

A referência à Guerra de Independência de Israel de 1948 é a analogia central que surgiu em Outubro de 2000 e continua a dominar o discurso israelense e a sua percepção do levantamento palestiniano. A perversa auto-imagem israelense dos acontecimentos, guiada por uma propaganda maciça, é que são os Israelenses que se encontram cercados, a lutar pela sua independência, ameaçados pelo império palestiniano e por todo o mundo árabe, exactamente como em 1948. Esta interpretação, primeiro adoptada pelo poder militar, encontrou eco imediato nos meios de comunicação e tem sido repetida, uma e outra vez, por comentadores e analistas dos principais jornais, como Ze'ev Schiff do Ha'aretz . «Os Palestinianos estão a utilizar as mesmas tácticas de 48», explicou ele em Outubro de 2000, e continuou a desenvolver a analogia nos meses seguintes: «O presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Yasser Arafat, está a fazer todos os possíveis por voltar atrás e conduzir tanto os Palestinianos como os Israelenses para os estádios iniciais da Guerra de Independência de 1948», escreveu ele [23] .

Segundo Meron Benvenisti, um comentador do Ha'aretz , o conflito israelo-palestiniano é encarado no discurso israelense como «a questão por resolver da guerra de 1948» [24] . O primeiro-ministro Sharon expôs este tema claramente em Abril de 2001. «A Guerra da Independência não terminou. Não. 1948 foi somente um capítulo. Se me perguntarem se o Estado de Israel é capaz de se defender actualmente, eu digo que sim, sem dúvida... Mas estamos a viver aqui em segurança? Não. E, por consequência, é impossível dizer que completámos a obra e que podemos agora descansar sobre os louros.» [25]

Mas, a visão actual dos acontecimentos como «a segunda metade de 1948» estava já formada em Outubro de 2000, especialmente nos círculos militares. «O vice-chefe do Estado-Maior, o major-general Moshe Ya'alon, o elemento das FDI que criticava Yasser Arafat com mais veemência, disse aos seus colegas que esta era a campanha de importância mais crítica de Israel contra os Palestinianos, incluindo a população árabe de Israel, desde a guerra de 1948 — para ele é, de facto, a segunda metade de 1948.» [26]

Ya'alon incluiu os Árabes Israelenses — os Palestinianos que ficaram em Israel após a guerra de 1948 e se tornaram cidadãos israelenses — na «campanha de importância crítica» com que Israel se depara na «segunda metade de 1948». De facto, Outubro de 2000 marcou também um sombrio ponto de viragem nas relações de Israel com os seus cidadãos palestinianos.

Desde Setembro de 2000, começou uma campanha bem orquestrada de incitamento contra os Palestinianos israelenses. Um dos seus dirigentes era o major Alik Ron, comandante de polícia do distrito Norte de Israel. Numa conferência de imprensa em 12 de Setembro de 2000, anunciou que Palestinianos da cidade de Um al-Fahm, perto da Galileia — entre os quais «destacados membros do movimento islamista» — tinham sido detidos, acusados de «actividades nacionalistas» e contrabando de armamento. «Trata-se da maior conspiração nacionalista descoberta em Israel desde a década de 80», declarou [27] . Ron acusou também Muhammad Barakeh — deputado israelo-palestiniano do Knesset (o Parlamento israelense) e chefe do partido Ha'dash, (Frente Democrática para a Paz e a Igualdade) liderado pelos comunistas — de «incitar» palestinianos a «atacarem a polícia». Dois dias mais tarde, soube-se que os detidos eram criminosos e não «nacionalistas» e que não estavam relacionados com o movimento islamista ou com qualquer organização política. Mas a conferência de imprensa desencadeou de imediato uma tempestade de ataques a Um-al-Fahm e aos Palestinianos israelenses nos meios de comunicação israelenses, que prosseguiu mesmo após serem revelados os verdadeiros factos. Os políticos israelenses de direita começaram a referir-se aos cidadãos palestinianos de Israel como um «tumor maligno» e a instar o governo a suspender o deputado Barakeh e proibir o movimento islamista. Seguiram-se acusações similares contra os deputados Azmi Bishara e Abdel Malik Dahamshe.

Em 1 de Outubro de 2000 foi convocada uma greve geral pelos palestinianos israelenses, em solidariedade com os palestinianos dos territórios ocupados e em protesto contra a brutalidade de Israel. Imagens do menino de doze anos Muhammad al-Durra, Muhammadal-Durra, Muhammadal-Durra, morto por militares israelenses em Gaza no dia anterior, foram vistas em todo o mundo e contribuíram para o sentimento de indignação e luto. Realizaram-se manifestações maciças na maior parte das zonas palestinianas israelenses, com bloqueios de estradas e alguns arremessos de pedras. A polícia respondeu de imediato com uma força sem precedentes. Tal como nos territórios, a reacção exagerada das forças policiais apenas resultou na escalada dos recontros. (Em Shfar'am, onde a polícia não entrou na aldeia, a enorme manifestação acabou por dispersar sem qualquer danos a bens ou pessoas.) No final do dia, havia dezenas de feridos e um morto.

No dia seguinte, em vez de procurar formas de acalmar a tensão, a polícia intensificou as suas medidas de opressão. Meir Yaron, que era na altura comandante da polícia do sector de Misgav, na Galileia, confirmou perante uma comissão de inquérito (em 14 de Junho de 2001) que ao fim do dia 1 de Outubro de 2000 a polícia alterou as suas ordens e, a partir de 2 de Outubro, começou a aplicar o plano «Melodia Mágica», que possibilitava a utilização de mais armas, incluindo fogo real (consultar o Capítulo 7). Nos dias seguintes, mais doze palestinianos israelenses foram mortos e centenas feridos — muitos nos olhos, vítimas de disparos cuidadosamente alvejados. A brutalidade policial assemelhava-se à utilizada pelo exército nos territórios ocupados, embora não exista qualquer dúvida de que os manifestantes não estavam armados.

Alguns dos testemunhos do que sucedeu durante aqueles quatro dias de Outubro de 2000 são arrepiantes. Asil Hassan Asleh, um jovem de dezassete anos da aldeia de Arabeh, foi morto por balas reais disparadas contra o seu pescoço à queima-roupa. O jornal Yediot Aharonot publicou o testemunho do seu pai:

Asil não estava na manifestação. Estava sentado a cerca de 40 metros, de costas para a polícia, a assistir à manifestação. Julgava que os polícias não o viam. Mas subitamente três polícias começaram a correr em direcção a ele. Eu gritei-lhe que fugisse. Ele levantou-se e tentou, mas eles já estavam em cima dele. Deram--lhe uma pancada nas costas com uma arma e ele caiu. Continuaram a bater-lhe. Ele gritou «Papá, papá», mas eu não corri. Tinha a certeza de que só o prenderiam. Não corri, porque tive medo. Depois, vi-os a virem de entre as árvores sem o meu filho. Gritei «Asil, Asil», e desmaiei. Depois, descobri que o tinham matado ali. [28]

Tal como no caso do levantamento palestiniano, os acontecimentos de Outubro de 2000 foram interpretados pela sociedade israelense como uma ameaça à própria existência de Israel. Condicionadas por uma cobertura facciosa dos meios de comunicação, muitas pessoas acreditaram que os palestinianos israelenses tinham lançado uma guerra contra Israel, tentando de novo, tal como em 1948, «atirar os Judeus ao mar». Multidões enfurecidas de Judeus israelenses atacavam os palestinianos israelenses que encontravam nas ruas. Em 9 de Outubro, manifestantes gritando «Morte aos Árabes» tentaram incendiar uma mesquita em Tiberias, e outros lançaram tochas para dentro de um famoso restaurante no bairro Hatikva de Telavive, por empregar palestinianos israelenses. Incidentes similares continuaram a ocorrer ao longo de vários dias por todo o país. Escusado será dizer que nenhum manifestante judeu foi morto ou ferido nestas desordens. Neste caso a polícia deu provas de um perfeito autodomínio.

Assim, em Outubro de 2000 parecia que tinham sido soltos todos os demónios aparentemente adormecidos do racismo. Posteriormente, fizeram-se alguns gestos para retomar uma espécie de coexistência, sendo criada uma comissão de inquérito para investigar os acontecimentos de 13 de Outubro (a Comissão Or), mas o ódio e o medo que estes acontecimentos geraram não desapareceram. Os judeus israelenses começaram a boicotar as lojas e os negócios de palestinianos israelenses. Deixaram de visitar cidades palestinianas. Foram erigidos novos muros mentais, separando zonas vizinhas que anteriormente viviam lado a lado em relativa amizade. Seguiu-se a perseguição política. Os deputados palestinianos israelenses do Parlamento vivem desde então sob ameaças constantes, e o deputado Azmi Bishara está já a aguardar julgamento.

Tal como no caso dos Palestinianos nos territórios ocupados, os Israelenses consideram-se vítimas. O tema da propaganda que formou a opinião pública era que os palestinianos israelenses se juntaram aos seus irmãos dos territórios ocupados na recusa de reconhecer o direito de Israel à existência. A analogia com 1948, que a maioria dos Israelenses encara como a tentativa do mundo árabe de os «atirar ao mar», encontrou receptividade.

Esta analogia com 1948 é assustadora. O discurso oficial define a «autodefesa» como a característica comum que justifica a analogia. Contudo, a escolha da expressão específica — «a segunda metade de 1948» — não pode ter sido completamente acidental. O que ela subentende é que também a solução poderá ter de ser semelhante à de 1948. Como vimos, em 1948 o exército israelense expulsou centenas de milhares de Palestinianos dos seus lares e confinou os restantes a zonas fechadas e restritas, governadas militarmente durante anos. É difícil evitar a interpretação segundo a qual os círculos militares e políticos dominantes de Israel que produziram esta analogia ainda acreditam que «a segunda metade» — o completar da limpeza étnica iniciada em 1948 — é necessária e possível. No Capítulo 9, defendo que é esta a perspectiva de largas faixas da direcção israelense. Mas analisemos em primeiro lugar os factos no terreno.

NOTAS
(1) Asaf Inbari, «The Stone Era», Ha'aretz Friday Magazine , 29 de Setembro de 2000.
(2) Ibid. (Tradução para inglês da autora.)
(3) Tal foi confirmado em notícias sobre o Plano Beilin-Abu Mazen e sobre as revisões de Barak, em Newsweek , 17 de Setembro de 2000, e em Ha'aretz , 18 de Setembro de 2000.
(4) De um relatório enviado por correio electrónico pela LAW em 28 de Setembro de 2000.
(5) Ha'aretz , 2 de Outubro de 2000.
(6) Amir Oren, Ha'aretz , 23 de Junho de 2000.
(7) Consultar o texto integral da Petição da LAW ao Comissário para os Direitos Humanos da ONU, «LETHAL FORCE: Israel's Use of Military Force Against Palestinian Demonstrators», www.law-society.org./Reports/reports//2000/UNHCHR.htm .
(8) Ha'aretz , 6 de Janeiro de 2002.
(9) Amira Hass, Ha'aretz , 30 de Janeiro de 2001.
(10) Relatório do Dr. Mustafa Barghouthi, União dos Comités Palestinianos de Auxílio Médico, 15 de Outubro de 2000.
(11) Ha'aretz , 1 de Novembro de 2000.
(12) Associated Press, 23 de Outubro de 2000.
(13) Yediot Aharonot , 27 de Outubro de 2000.
(14) Ibid .
(15) Amos Har'el, Ha'aretz , 21 de Outubro de 2000.
(16) Aluf Benn, Ha'aretz , 22 de Julho de 1999. (Tradução para inglês da autora.)
(17) Esta investigação foi analisada em Amnon Barzilai, «They didn't threaten London or Paris», Ha'aretz , 23 de Junho de 2000. (Tradução para inglês da autora.)
(18) Jerusalem Post , 24 de Outubro de 2000.
(19) Ibid .
(20) Suplemento de Sábado do Yediot Aharonot , 12 de Dezembro de 2001.
(21) Amir Oren, Ha'aretz ,14 de Setembro de 2001.
(22) Alex Fishman, Yediot Aharonot , 19 de Outubro de 2001.
(23) A primeira citação é retirada de uma entrevista a Amikam Rothman no programa da manhã da rádio B, 24 de Outubro de 2000; a segunda, de Ze'ev Schiff, «The “Waiting Periods” of 1967 and 2001», Ha'aretz , 11 de Junho de 2001.
(24) «Those Who Have Not Finished the War of 48», Ha'aretz , 3 de Maio de 2001.
(25) Entrevista conduzida por Ari Shavit, Ha'aretz Friday Magazine , 13 de Abril de 2001.
(26) Amir Oren, «Truth or Consequences», Ha'aretz , 17 de Novembro de 2000.
(27) IsraelWire , 12 de Setembro de 2000.
(28) Yediot Aharonot , revista de fim-de-semana Sete Dias, 11 de Novembro de 2000.


[*] Professora de Linguística e Estudos Culturais nas Universidades de Tel Aviv e Utrecht, colaboradora do jornal israelense Yediot Aharonot. O seu sítio web é: http://www.tau.ac.il/~reinhart .

O texto acima foi gentilmente cedido pela Editorial Caminho e é o capítulo 5 do livro "Destruir a Palestina — A segunda metade da guerra de 1948", publicado em Fevereiro de 2004 (ISBN 972-21-1606-3). A tradução original comete o equívoco, muito frequente em Portugal, de confundir israelense (cidadão do Estado de Israel) com israelita (adepto da religião hebraica), o que foi aqui corrigido.


Este ensaio encontra-se em http://resistir.info .

19/Fev/04