Turquia:
A alternativa para a classe trabalhadora certamente será criada
Sexta-feira, 7 de Junho, 18 horas:
Acto público frente à Embaixada da Turquia (Av. das Descobertas, 22 - Lisboa)
Fim à repressão na Turquia! Solidariedade com o povo turco!
1. Há dias, a Turquia vem testemunhando um movimento popular
genuíno. As ações e protestos que começaram em
Istambul e se espalharam por toda a Turquia têm um caráter
massivo, legítimo e histórico. O mais importante é a
arrebatadora mudança no ânimo das pessoas. O medo e a apatia foram
varridos do mapa, e o povo ganhou autoconfiança.
2. O Partido Comunista da Turquia (TKP) tem sido parte do movimento popular
desde o primeiro dia, e mobilizou todas as suas forças, buscando
fortalecer o caráter revolucionário e proletário do
movimento, se aplicando em espalhar uma atitude madura de disciplina,
organizando numerosas ações e manifestações. Neste
processo, as forças policiais consumaram um pesado ataque à sede
de nosso partido em Ancara [capital da Turquia]. Por toda a Turquia, muitos
membros do partido foram feridos e presos. Houve tentativas de sequestro de
quadros partidários. Mas as tentativas de provocação
contra nosso partido foram derrotadas.
3. Nossa ênfase no papel do TKP não visa subestimar a natureza
espontânea do movimento ou a contribuição dos demais atores
políticos. Ao contrário: o TKP sustenta que este movimento tem um
aspecto que o põe além do impacto de qualquer ator
político isolado, bem como de qualquer tipo de oportunismo
político.
4. O clamor das massas pela renúncia do governo é uma verdade
absoluta deste movimento. Apesar de ser evidente que uma alternativa à
esquerda não pode ser construída "aqui e agora", esta
demanda deve se expressar em alto e bom som. Esta opção para a
classe trabalhadora só pode ser gerada a partir do aproveitamento da
energia que irrompeu neste momento histórico. O TKP se
concentrará nisto e em expor o significado real de alternativas como
"formar um governo de salvação nacional", que
provavelmente será apresentado como solução para desviar a
atenção da classe trabalhadora, para tentar fazer com que
acredite que a crise pode ser superada desta maneira.
5. Sem nenhuma dúvida, os detentores do poder político
tentarão esfriar os ânimos, instituir o controle e até
mesmo reverter a situação em seu favor. Eles podem, sim,
conseguir vitórias temporárias. Mas mesmo neste caso, o movimento
popular não se terá perdido. O TKP está pronto para um
período de luta tenaz e intensa.
6. De maneira a garantir uma ação concertada, diferentes
vertentes do movimento socialista compartilhando objetivos e problemas comuns
devem avaliar a ascensão do movimento popular imediatamente. O TKP, sem
interromper suas tarefas e atividades diárias, agirá
responsavelmente em relação a esta questão, batalhando
pela criação de um terreno comum sintonizado com as demandas
urgentes a seguir.
7. De modo a neutralizar os planos do governo de dividir e classificar o
movimento em "legítimo" e "ilegítimo", todas
as forças devem evitar os passos que possam causar danos à
legitimidade do movimento. É o poder político que ataca. As
pessoas devem se defender como é seu direito, mas nunca cair nas
armadilhas da provocação do governo.
8. Enquanto as massas entoam a palavra de ordem "Renuncia, governo!",
as negociações limitadas ao futuro do parque Taksim-Gezi perdem o
sentido. O governo finge não entender que a velha
correlação foi abalada em seus fundamentos e não pode ser
restaurada. Todos sabem que o movimento popular não é produto da
sensibilidade quanto às árvores do parque Gezi. A ira das pessoas
vem dos projetos de transformação urbana, do terror do mercado,
das intervenções abertas e diretas em estilos de vida diferentes,
do americanismo e da subordinação aos EUA, das políticas
reacionárias, da inimizade dirigida contra o povo sírio. O AKP
[NT: partido do governo] não pode iludir o povo com um discurso do tipo
"plantaremos mais árvores do que aquelas que derrubaremos".
9. Enquanto arregaçamos as mangas para criar uma alternativa do povo
trabalhador, o movimento precisa se apoiar sobre demandas concretas. Estas
demandas são válidas no caso da renúncia do governo ou de
Erdogan:
a) O governo deve anunciar que os projetos que envolvem a
demolição do Parque Gezi e do Centro Cultural Ataturk
estão cancelados.
b) Aqueles que foram levados sob custódia do Estado durante a
resistência devem ser soltos e todas as acusações contra
eles retiradas imediatamente.
c) Todos os oficiais cujos crimes contra o povo sejam provados pelos
relatórios das comissões formadas pela União das
Associações da Barra [NT: este é o nome das
associações profissionais de advogados na Turquia, que têm
estatuto de organizações públicas e zelam pelos direitos
humanos e pelo respeito aos direitos das pessoas] e pelas
associações da barra locais devem ser exonerados.
d) As tentativas de limitar o direito das pessoas a obterem notícias
verdadeiras devem ser interrompidas.
e) Todas as proibições no tocante a encontros,
manifestações e marchas devem ser repelidas.
f) Todos os obstáculos de facto ou de jure que se imponham à
participação política do povo, incluindo o gatilho
eleitoral de 10% e os artigos antidemocráticos da "lei dos partidos
políticos", devem ser abolidos.
g) Todas as iniciativas que objetivem impor um estilo de vida homogêneo a
todas as pessoas devem ser imediatamente interrompidas.
10. Estas demandas urgentes não afetarão, em hipótese
alguma, nosso direito e obrigação de continuar a
oposição contra o poder político vigente. A
reação do Povo ao governo deve ser reforçada, e os
esforços devem ser concentrados para trazer à baila uma
alternativa política real.
11. A bandeira turca da estrela e do crescente, que vinha sendo usada como
escudo para ataques reacionários e chauvinistas contra trabalhadores,
pessoas de esquerda, curdos, depois do golpe militar fascista de 12 de setembro
de 1980, foi agora arrancada pelo Povo das mãos do fascismo, e passada
às mãos honradas de Deniz Gezmis e de seus camaradas, como uma
bandeira nas mãos de gente patriota.
12. O movimento popular, desde o começo, vem persistentemente rejeitando
a estratégia sinistra de jogar uma comunidade contra a outra na Turquia.
Esta atitude deve ser cuidadosamente mantida, não deixando nenhum
espaço para o chauvinismo ou o nacionalismo vulgar.
13. Dirigindo-nos aos nossos irmãos e irmãs curdos, já
declaramos que "Não pode haver acordo de paz com o AKP".
Não pode haver trato com um poder político ao qual seu
próprio povo virou as costas, e cuja verdadeira face já foi
revelada. A política curda deve desistir de "acalentar
esperanças de seguir com o AKP" e tornar-se uma forte componente de
um movimento popular unido, patriótico e esclarecido.
14. Nossos cidadãos que perderam suas vidas às mãos da
força policial do poder político, sacrificaram-nas em nome de uma
luta justa e histórica. O Povo nunca esquecerá os seus nomes, e
os responsáveis pelas suas mortes pagarão o preço diante
da lei.
Comitê Central
Partido Comunista da Turquia
4 de Junho de 2013
Ver também:
The bill of AKP fascism so far
Centenas de milhares de pessoas se levantam na Turquia!
EMEP, Turkey, Statement about the developments in Turkey
Taksim Gezi Park Protests
Revolt in Turkey: Erdogan’s Grip on Power Is Rapidly Weakening
O original encontra-se em
solidnet.org/...
. Tradução do
PCB
.
Esta declaração encontra-se em
http://resistir.info/
.
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