A Síria e os mercenários lituanos:
Os preparativos de uma nova provocação

por Nikolai Malishevski

Não é segredo que a Lituânia abrigou em Šiauliai [NR] alguns corajosos companheiros da NATO, cuja tarefa era patrulhar os espaços aéreos da Lituânia, Letónia e Estónia. Logo no dia seguinte após a chegada dos rapazes da NATO, o hospitaleiro povo de Šiauliai, obviamente para celebrar, atacou-os e sovou-os. O sangue dos machucados correu no solo lituano. Assim, pode-se justificadamente argumentar que a integração entre a Lituânia e a NATO é uma amizade selada com sangue.

O ataque às tropas da NATO não foi um incidente isolado. Ataques semelhantes repetem-se periodicamente em todos os estados europeus membros da aliança, os quais também permutam tropas periodicamente. Lituanos étnicos têm sido sovados ao visitarem soldados da NATO – na Bélgica, Dinamarca, Grã-Bretanha e outros países – mais de uma vez... Até foi escrita uma anedota que resume as razões disso e o rácio de atacantes e atacados na Lituânia: "Por que você atacou primeiro?", pergunta um oficial a uma dúzia de soldados da NATO que foram sovados por três lituanos durante a noite. Os soldados da NATO responderam: "Nós pensámos que havia apenas dois deles, mas de repente surgiu um terceiro".

Segundo uma declaração do Comissário Geral de Polícia da Lituânia, Vytautas Grigaravicius, os ataques a soldados da NATO "são uma das consequências do consumo de álcool", o qual em comparação com os preços ocidentais custa praticamente nada na Lituânia de hoje. Contudo, os problemas enfrentados pela NATO como guardiã dos céus do Báltico não se limitam apenas a ataques e a um consumo excessivo de álcool barato. Na Lituânia, onde a população está a cair dramaticamente após o colapso da URSS mas a prostituição está a tornar-se um "negócio" legal, eles também experimentam grave discriminação por parte das damas da noite locais. O mesmo Comissário Geral de Polícia queixou-se a jornalistas de que as prostitutas lituanas estavam a vender-se a soldados da NATO a uma taxa inflacionada de mais de três vezes do que o normal. Isto obviamente é pura discriminação, tendo em conta que a lista de serviços oferecidos pelas prostitutas permanece a mesma.

Enquanto soldados da NATO se divertem com prostitutas lituanas (embora a um preço super inflacionado), os compatriotas destas prostitutas estão a preparar-se para ir à guerra e já combatem pelos interesses da aliança muito para além das fronteiras da sua pátria. Isto recorda um facto histórico esquecido do mundo antigo: na Antiga Roma, mercenários homens eram comparados a prostitutas mulheres, pois ambos vendiam seus corpos.

Depois de se tornar membro da NATO, a Lituânia imediatamente começou a aumentar o número das suas tropas no exterior – a solidariedade euro-atlântica pedia isso. O então presidente do país, Valdas Adamkus, que por acaso tem tanto a cidadania estado-unidense como a lituana e era fã das tropas da NATO, aprovou um resolução especial para prolongar o envolvimento de lituanos em "operações especiais" no Golfo Pérsico, nos Balcãs e na Ásia Central e do Sul. Ele aparentemente acreditava ser melhor combater maus muçulmanos no seu próprio país do que bons soldados da NATO em casa.

Durante muitos anos, centenas de rapazes lituanos têm sido recrutados para "operações de paz" e têm sido mortos em pontos quentes como o Iraque , Kosovo e Afeganistão . Neste momento, americanos estão a organizar o recrutamento na Lituânia de mercenários a despachar para a Síria. Companhias de segurança privada (CSP) na Lituânia estão envolvidas directamente no esforço de recrutamento. Estas companhias já se distinguiram na sua selecção de pessoal ao participar na condução de exercícios militares da NATO na Lituânia, bem como em negócios executados pelos americanos no Afeganistão através da Lituânia. Companhias americanas de segurança privada, habituadas a executar o trabalho sujo de agências de segurança tanto em "pontos quentes" como durante ataques terroristas no próprio solo americano, também estão a ser utilizadas.

Altas taxas de desemprego e baixo padrão de vida na Lituânia, especialmente entre a população russa, estão a criar um clima favorável ao alistamento. Basta mencionar que mesmo de acordo com os números oficiais, claramente subestimados, do Departamento Lituano de Estatística, este nível é tal que na década passada a população do país caiu em mais de 10 por cento e continua a cair. Depois de receberem seu pagamento inicial, muitos mercenários lituanos, que por alguma razão acreditam serem capazes de sobreviver na Síria, concordam em receber o resto do dinheiro após o início do seu contrato.

Em meados de Setembro, aproximadamente 50 mercenários lituanos foram seleccionados e estão prontos para embarcar em voos fretados da Lituânia para a Turquia junto com um pequeno grupo de turistas. É dada preferência a pessoas entre 25 e 40 anos de idade que executaram serviços militares contratados em exércitos ocidentais. Forças operacionais especiais, engenheiros militares, engenheiros de rádio e electricidade e condutores de camiões pesados são os mais procurados. Por outras palavras, especialistas que possam ser utilizados tanto em acções militares como em situações pós conflito sob a égide da ocupação e de autoridades fantoche (para entrega de abastecimentos, salvaguardar instalações críticas e especialistas ocidentais, ajudar na criação e treino de corpos policiais, etc).

Tal como as coisas estão agora, por um lado Washington aparentemente procura um acordo com Moscovo em relação ao Quadro de Entendimento russo-americano sobre a liquidação de armas químicas da Síria o qual exclui intervenção militar, enquanto por outro lado está a treinar carne de canhão para uma invasão militar e pessoal de serviço para o resultante regime de ocupação num país "libertado" de autoridades legítimas.

Dentre aqueles procurados na Lituânia para alistamento, eles querem pessoas que possam falar russo fluentemente e tenham tanto a cidadania lituana como russa... É bastante possível que com o tempo o Ocidente "descubra" um facto sensacional quanto ao "envolvimento de voluntários da Rússia" juntamente com rebeldes sírios no combate por direitos humanos. Isto no mínimo toldaria relações entre Damasco e Moscovo; e no máximo enfraqueceria a frente internacional de apoio à Síria.

Mesmo se a verdade acerca das vítimas da próxima provocação preparada se tornarem conhecidas do público geral na Lituânia, sempre será possível explicar ao eleitorado lituano que isto é o preço por fazer parte da civilização global e dos valores humanos universais. Ou, ainda mais fácil: recordar que a morte de uma pessoa é uma tragédia, ao passo que a morte de muitos é uma estatística.

27/Setembro/2013

[NR] Šiauliai: A quarta maior cidade da Lituânia.

O original encontra-se em www.strategic-culture.org/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
28/Set/13