Avante camarada, avante... !

por Pável Blanco Cabrera [*]

Cartaz de 1975. O povo português derrotou a longa noite da ditadura fascista com uma revolução popular, o 25 de Abril de 1974. Ao faze-lo e conquistar da liberdade prestou também uma contribuição à descolonização da África.

Um movimento dentro das Forças Armadas que se opunha à guerra colonial em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde, em aliança com a classe operária varreu rapidamente com 40 anos de repressão. As condições de miséria em que se encontrava o povo trabalhador obrigavam a que cerca de 15% da população estivesse na emigração.

Nesta Revolução foi determinante o Partido Comunista Português, um partido heróico, reconhecido por todos como o da resistência anti-fascista, com muitos mártires e presos políticos. Inclusive Álvaro Cunhal, seu principal dirigente e um dos comunistas lendários do mundo, esteve preso e conseguiu evadir-se de uma das prisões de alta segurança do fascismo.

O Partido Comunista Português é um partido exemplar, um partido revolucionário da classe operária que soube afirmar a cada passo a sua identidade comunista e desenvolver criativamente o marxismo-leninismo. Um partido de massas e de quadros vinculados sempre ao movimento sindical, social, estudantil e cultural. Seu órgão central, Avante! , desempenhou um papel articulador, organizativo e sempre de combate. A ditadura jamais pôde impedir a sua circulação pois o labor clandestino dos militantes comunistas era surpreendente.

As posições sempre de princípios do PCP construíram um processo unitário que abarcou militares e todos os anti-fascistas, com um programa nacional e internacionalista que incluía a conquista de direitos sociais e liberdades democráticas, a abolição de corpos repressivos como a PIDE, a liberdade dos presos políticos, a retirada militar das colónias, naturalmente a independência destas, a convocatória de eleições livres, a criação de uma Assembleia Constituinte. A tarefa dos comunistas consistia em unir, organizar e lutar.

O movimento que se foi construindo tinha como base principal a classe operária que, em comissões de fábrica ou populares, soube sair às ruas organizada e combater.

Na conferência "Abril, uma revolução libertadora", dada há 10 anos no 20º aniversário da Revolução, Álvaro Cunhal dizia: "A Revolução de Abril trouxe numerosos ensinamentos e lições que enriqueceram nossas análises, estimularam desenvolvimentos teóricos criativos, permitiram interpretações correctas e respostas a um mundo em mudança e permitirão definições mais rigorosas dos nossos objectivos e dos nossos Programa".

O R que faz falta. Trinta anos depois o governo neoliberal está a eliminar as conquistas sociais e políticas da Revolução. Sem poder ocultar o aniversário, procurou pervertê-lo, deformá-lo, tirar-lhe o gume, desideologizá-lo, pois lançou uma campanha publicitária onde substituía Revolução por Evolução. Imediatamente os comunistas puseram o R que faz falta, o R de Revolução e aí está certamente a continuidade do processo.

O futuro das revoluções sociais, que só podem ser revoluções socialistas, está nos instrumentos da classe operária. Muitos partidos revolucionários entraram em crise e desfizeram-se. O povo português sim, conta com a sua ferramenta, conta com o Partido Comunista Português.

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[*] Integrante do Comité Central do Partido de los Comunistas, México.

O original encontra-se em
http://www.comunistas-mexicanos.org/modules.php?name=News&file=article&sid=118


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29/Abr/04