O rei vai nu

por PCI

O Partido Comunista da Irlanda advertiu hoje os trabalhadores irlandeses para não caírem no mais recente ardil do falido institucionalismo político, com o seu anúncio de que este Estado falhado sairá do "programa de salvamento" – que é, de facto, um programa de reestruturação – até 15 de Dezembro, sem uma "linha cautelar de crédito."

Isto não significará um ponto final nos cortes atuais ou previstos na saúde, educação ou assistência social, nem no avanço das privatizações. Nem vai evitar a necessidade de cortes contínuos no futuro. O serviço da dívida está a custar ao povo irlandês quase 9 mil milhões de euros por ano – valor idêntico ao orçamento anual da educação. A austeridade será uma situação permanente na vida futura das famílias trabalhadoras, e por longo tempo.

A dívida tornou-se o principal instrumento político para reforçar os mecanismos externos de controlo por parte da Comissão Europeia – dominada pela Alemanha –, não só deste Estado, mas de todos os Estados membros e, em particular, dos outros estados periféricos pesadamente endividados. A capacidade dos povos de toda a União Europeia para influenciar democraticamente mudanças políticas e económicas está a ser rapidamente diminuída. A democracia está a ser socavada.

Não é, simplesmente, do interesse do institucionalismo político e económico irlandês fazer valer ações independentes:  os seus interesses estão na garantia de que o atual processo continua e se aprofunda.

A dívida também está a ser usada para abrir caminho ao imperativo estratégico de longo prazo de reestruturação económica, que pretende restaurar as desigualdades vencidas e impor outras novas.

O anúncio de hoje tem mais a ver com as aparências do que com a realidade. Assim como éramos o bom aluno para o desenvolvimento económico durante o período do "Tigre Celta", agora estamos a ser apontados como o bom aluno com bom comportamento para aceitar a austeridade sem um gemido.

A União Europeia tem de mostrar ao povo da Grécia, de Espanha, de Portugal e de outros Estados membros da UE que, se tomarem o medicamento da austeridade sem resistência, ele funciona. Isto nada mais é do que balançar a carroça de um lado para o outro e pretender que ela está a andar para a frente.

O sistema em si está numa crise estrutural profunda e em aprofundamento, de que a dívida e a estagnação são apenas as últimas manifestações.

O rei vai nu.

Ver também:
  • A Ilha Esmeralda permanece nas grilhetas

    O original encontra-se em www.communistpartyofireland.ie/r-2013-11-14.html e a tradução em www.pelosocialismo.net


    Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .
  • 09/Dez/13