por Jim Cason e David Brooks
O governo de George W. Bush está a contratar mercenários com
historial de abusos dos direitos humanos na África do Sul, Chile e
Irlanda do Norte como os guardiões do seus projecto de
"democratização" do Iraque.
O Pentágono refere-se frequentemente aos seus "sócios da
coligação", as tropas de outros países que combatem
no Iraque ao lado das forças estadunidenses, mas o maior contingente
internacional após os estadunidenses não é o
Grã-Bretanha ou o da Espanha e sim o dos contratistas militares privados
que agora têm um em cada 10 soldados no terreno.
Na semana passada, quatro destes contratados militares privados, ex-soldados de
forças especiais estadunidenses que trabalhavam para a Blackwater
Security Consulting Company, foram mortos e os corpos de dois deles pendurados
numa ponte perto de Fallujah.
Aparentemente a Blackwater não conseguiu contratar estadunidenses
suficientes ex-soldados na maioria para preencher todas as vagas
que tem no Iraque e começou a contratar ex-militares chilenos da
época de Augusto Pinochet.
SALÁRIOS DE US$ 1000 POR DIA!
O jornal
The Guardian
relatou em Fevereiro último que a empresa enviou o primeiro contigente
de uns 60 ex-comandos chilenos ao Iraque com salários que chegavam
até aos mil dólares por dia.
John Rivas, ex-integrante da Armada chilena, declarou ao jornal
La Tercera
que o seu trabalho no Iraque resultaria num "rendimento muito bom"
para a sua família. "Não me sinto como
mercenário", acrescentou.
Um porta-voz da Blackwater informou ao diário
The Guardian
que "os comandos chilenos são muito, muito profissionais".
Mas analistas de assuntos estratégicos, como o colaborador desse
diário Michael Klare, questionaram a forma de seleccionar as tropas
privadas a participar na guerra no Iraque.
Em artigo recente publicado em
The Nation
, informa da contratação da empresa sul-africana Erinys para
proteger os oleodutos iraquianos. Não se sabia muito desta companhia
até Janeiro último, quando um empregado da Erinys foi morto e
vários outros feridos no Iraque.
Os media sul-africanos descobriram que François Strydom, o soldado
privado da Erinys morto no Iraque, foi integrante do famigerado grupo
contra-insurgente Koe-voet, implicado em numerosos assassinatos
políticos na Namíbia nos anos 80.
Um dos sul-africanos feridos no Iraque foi Deon Gouws, ex-membro da
polícia secreta da África do Sul na época do apartheid,
que durante as audiências da Comissão da Verdade nos anos 90
confessou haver participado num atentado contra um opositor político e
incendiado os lares de 40 a 60 activistas contra o regime de
segregação racial.
Estima-se que haja uns 10 mil soldados privados a trabalhar no Iraque, segundo
o
Washington Post
. Um deles é Derek William Adgey, ex-royal mariner britânico,
contratado pela empresa inglêsa Armor Group para trabalhar ali.
A organização de investigações empresariais
CorpWatch relatou nos mês passado que antes de viajar para o Iraque Adgey
esteve na prisão durante quatro anos pelo seu trabalho com os Ulster
Freedom Fighters, na Irlanda do Norte.
Grupos de direitos humanos exprimiram suas preocupações com os
perigos que os exércitos privados e agentes de serviços de
segurança privada destacados no Iraque mas, segundo Klare, os EUA
também reactivaram algumas das unidades militares mais notórias
do exército da era do Vietnam a fim de participar no conflito iraquiano.
Assinala que entre os grupos armados mobilizados para defender um oleoduto de
300 milhas (483 km) que transporta petróleo de Kirkuk, no norte,
à fronteira turca, destaca-se a unidade Tiger Force, da aerotransportada
101 estadunidense.
"Armados com miras de visão nocturna e rifles de alto poder M-107
de calibre .50, os franco-atiradores sobrevoaram os oleodutos em
helicópteros UH-60 Black Hawk especialmente configurados e dispararam
contra suspeitos de sabotagens a distâncias de mais de 1,5 milha (2,4
km)", escreveu Klare.
"Podemos golpear um objectivo antes que saiba que estamos ali",
afirmou um sargento da unidade.
Depois de destacar que os disparos foram feitos, sem confirmar a identidade dos
presumidos suspeitos o que estivessem a cometer actos hostis, Klare acrescenta
que a unidade Tiger Force foi empregada durante a guerra do Vietnam para
assassinar guerrilheiros e seus simpatizantes civis.
O jornal
Toledo Blade
, de Ohio, ganhou o Prémio Pulitzer esta semana pelas suas reportagens
em que descreve os crimes de guerra cometidos por esta unidade no Vietnam, e
dá exemplos como o incidente da matança de cem civis vietnamitas
em 1967 numa série de factos sangrentos.
Claro que nenhum dos actuais integrantes daquela unidade que agora estão
no Iraque esteve no Vietnam, mas Klare sugere que a reactivação
de um unidade tão manchada com este historial é algo
"grotesco".
Há exigências no Chile e na África do Sul no sentido de
realizar uma investigação sobre a utilização destes
mercenários, ou contratados privados, como preferem ser chamados. Mas
até à data nos Estados Unidos não há tais
exigências.
O original encontra-se no diário mexicano
La Jornada
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Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
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