Apoio à resistência iraquiana
por Al Koubeissi
Al Koubeissi, presidente da Aliança Patriótica Iraquiana (API),
participou de uma reunião pública em Paris dia 6 de Janeiro p.p.,
organizada pelo Comité contra a guerra no Iraque. A API procura
unificar a resistência iraquiana numa frente política única
para a libertação nacional.
Vindo de Fallujah, Al Koubeissi falou da situação concreta que se
vive no Iraque e da resistência à ocupação
americana. Alguns dos factos relatados:
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Milhares de casas foram destruídas pelos bombardeamentos e, desde
então, pelas operações punitivas do Exército
americano.
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As prisões de civis multiplicam-se, elevando-se a 182 mil pessoas (das
quais uma parte foi libertada).
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Existem actualmente 42488 presos, dentre os quais 543 mulheres e 917
crianças.
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Houve 512 torturados e mortos, 920 mutilados.
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2000 mulheres foram violadas pelo exército de ocupação.
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550 crianças vítimas de abusos sexuais, em particular por GIs.
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Os roubos de bens do Estado elevam-se a 22 mil milhões de dólares.
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1350 peças de museu foram roubadas.
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75% da população está no desemprego.
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Os cortes de electricidade são diários.
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Em Março de 2003 uma garrafa de gás custava 175 dinares. Agora
ela vale 9000.
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O litro de gasolina custava 20 dinares, hoje custa 750.
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Há 45 a 60 operações militares diárias contra o
exército de ocupação.
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O exército americano utiliza a aviação, mísseis de
grande alcance, blindados pesados e ligeiros para aterrorizar a
população.
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As perdas do exército ianque são importantes: 457 mortos; 2273
feridos em combate: 11 mil feridos e evacuados; 3500 deserções;
1799 depressões; 56 suicídios.
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A prisão de Saddam Hussein, que não exercia nenhuma
função de comando, criou uma forte amargura na
população, mas dissipou toda ambiguidade. Hoje as forças
baathistas aproximam-se dos demais resistentes.
Al Koubeissi pensa que a frente da resistência iraquiana sera proclamada
dentro em breve. Procura-se um programa cujos objectivos serão:
expulsar o ocupante e os seus acólitos, a constituição de
um governo unificado com todas as correntes de opinião, uma
constituição em que não haja discriminação
entre os cidadãos.
Em relação à atitude dos comunistas iraquianos, considerou
que "o PCI oficial dansa com Bremer". Seus quadros
intermediários opõem-se ao ocupante. Os seus militantes de base
apoiam a resistência.
Al Koubeissi lançou um apelo às forças populares da
Europa. "Aqueles e aquelas que são verdadeiramente pela paz e pela
justiça não podem ficar neutros. Eles devem aceitar nosso
direito à autodeterminação. Combateremos até que
nossa pátria esteja liberta, é nosso direito e nosso dever".
O original saiu na edição em papel de
Combat
, boletim editado por comunistas franceses.
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