Inspirado pelo big business
O Tratado da austeridade da UE
No dia 2 de Março de 2012, 25 estados membros da UE assinaram aquilo a
que chamaram o "Tratado da estabilidade". Ele é o sonho do
lobby do big business a tornar-se verdadeiro, mas os que por toda a Europa
fazem campanha pelos direitos sociais estão a chamá-lo
"Tratado da austeridade" e advertem que colocará sob enorme
pressão o bem-estar das pessoas comuns e os padrões de vida.
Durante anos, lobbies do big business junto à UE, como o BusinessEurope
e o European Roundtable of Industrialists estiveram a advogar um fortalecimento
da governação económica da União Europeia. O novo
Tratado está completamente de acordo com tais exigências
corporativas.
Na reunião organizada pelo BusinessEurope em 02/Dezembro/2011, antes da
cimeira da UE de 09/Dezembro, os presidentes das federações
nacionais do patronato emitiram uma "Declaração sobre
governação económica", também chamada como
"Businesses Plan to Save the Euro", contendo duas exigência
muito importantes:
-
"As regras de votação deveriam ser reforçada para
tornar mais difícil ao Conselho passar por cima das
recomendações da Comissão quanto a défices"
-
"Maior ambição e compromisso dos Estados Membros nos seus
Programas Nacionais de Reformas, acompanhado por recomendações
forte para países específicos"
[1]
A primeira minuta do novo Tratado foi adoptada durante a Cimeira da UE de 9 de
Dezembro. Ela incluía estas duas exigências muito concretas
[2]
e as mesmas permaneceram na versão final assinada pelos líderes
da UE em 01/Março/2012
[3]
:
-
"as Partes Contratantes cuja divisa é o euro comprometem-se a
apoiar as propostas ou recomendações submetidas pela
Comissão Europeia (...) no quadro de um processo de défice
excessivo. Esta obrigação não se aplicará onde
está estabelecido entre as Partes Contratantes cuja divisa é o
euro que uma maioria qualificada deles, (...), opõe-se à
decisão proposta ou recomendada".
-
"Uma Parte Contratante que é sujeita a um processo de
défice excessivo sob os Tratados sobre os quais é fundada a
União Europeia colocará em vigor
um programa orçamental e económico compartilhado
incluindo
uma descrição pormenorizada das reformas estruturais
que devem ser postas em vigor e executadas para assegurar uma
correcção efectiva e duradoura do seu défice excessivo.
O conteúdo e formato de tais programas serão definidos na lei da
União Europeia".
Em 02/Dezembro/2011, o BusinessEurope também exigiu que os
empréstimos do Mecanismo Europeu de Estabilidade fossem
"condicionados a uma plano de ajustamento crível". No texto
introdutório do novo Tratado é mencionado que "a
concessão de assistência financeira na estrutura de novos
programas sob o Mecanismo Europeu de Estabilidade será condicionada, a
partir de 01/Março/2013, à ratificação deste
Tratado pela Parte Contratante interessada". Isto significa que os
países deveriam aderir à duas disposições acima a
fim de ter acesso ao financiamento do MEE.
Ao invés do travão de 3% do défice a ser introduzido em
constituições nacionais até o fim de 2012, como pedido
pelo BusinessEurope, um novo travão de 0,5% ao défice
"estrutural" foi estabelecido Tratado a ser apresentado até o
fim de 2012.
A BusinessEurope imediatamente saudou a primeira minuta do Tratado dizendo que
está "de acordo com a declaração que
publicámos esta semana, 'Businesses' Plan to Safeguard the Euro'"
[4]
Em 23 de Dezembro, a BusinessEurope escreveu ao novo presidente
dinamarquês da UE dizendo que "líderes europeus precisam por
em vigor a nova estrutura de governação, ou "contrato
fiscal", acordado no Conselho de 9 de Dezembro, acrescentando que
"é imperativo que façamos progressos rápidos
[5]
para finalizar os pormenores do novo acordo e assegurar a sua
execução legal".
[6]
Este auto-confiante "nós" na última
citação indica que assim como com o Europact+
[7]
e o Six Pack sobre governação económica
[8]
, o BusinessEurope provavelmente exerceu influência substancial sobre o
Tratado, insistindo uma forma mais autoritária de
governação neoliberal das economias dos estados membros por
Bruxelas, deixando menos espaço para manobra e controle
democrático efectivo da política fiscal.
Se as disposições fossem postas em vigor hoje, então os 23
estados membros da UE que estão actualmente sujeitos ao processo de
défice excessivo
[9]
teriam de aceitar as recomendações da Comissão mesmo que
uma maioria de estados membros discordasse, e teria de concordar num programa
pormenorizado de reformas económicas as quais estariam então
legalmente agregadas à "lei da UE".
09/Março/2012
Notas
1. BusinessEurope Council of Presidents, Declaration on Economic Governance,
Warsaw, December 2
http://vbo-feb.be/media/uploads/...
2. STATEMENT BY THE EURO AREA HEADS OF STATE OR GOVERNMENT, Brussels, 9
December 2011
http://www.consilium.europa.eu/uedocs/cms_data/docs/pressdata/en/ec/126658.pdf
3. TREATY ON STABILITY, COORDINATION AND GOVERNANCE IN THE ECONOMIC AND MONETARY
UNION
http://european-council.europa.eu/media/639235/st00tscg26_en12.pdf
4. EURO AREA AGREEMENT SUPPORTED BY EUROPEAN BUSINESS, 9 December
2011,
http://www.businesseurope.eu/Content/Default.asp?PageID=568&DocID=29589
5. Ênfase nossa.
6. BusinessEurope Letter to the Danish Prime
http://www.cebre.cz/dokums_raw/2011_12_23_letter_to_danish_prime_minister.pdf
7. 'Business Against Europe', Corporate Europe Observatory, March 2011,
http://www.corporateeurope.org/news/business-against-europe
8. "An undemocratic economic governance?', CEO April 2011
http://www.corporateeurope.org/blog/undemocratic-economic-governance
9. Processo de défice excessivo,
http://ec.europa.eu/economy_finance/economic_governance/sgp/deficit/index_en.htm
Ver também:
Acção colectiva europeia contra o MEE
, 04/Mar/12
MEE: A ilegalidade da emenda do artigo 136
, 20/Fev/12
França acelera ratificação do MEE
, 15/Fev/2012
MEE, um golpe de estado em 17 países
, 22/Out/2011
MEE, o novo ditador europeu
, 16(Out/2011
[*]
Do
Corporate Europe Observatory
O original encontra-se em
www.irishleftreview.org/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
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