Botão de pânico da Europa
A recusa europeia a reconhecer a sua situação económica
atingiu aquele ponto em que estamos a fitar o abismo, a enfrentar o momento do
código vermelho do colapso.
Quer por cruel obstinação ou por uma clara incapacidade para
entender a desordem que ela supervisiona, a UE alcança agora mais uma
daquelas conjunturas críticas onde simplesmente já não
funcionará tapar as rachaduras e manter um insano agitprop sempre em
crescimento. Além disso, os rebentos verdes da recuperação
evaporaram-se outra vez pela enésima vez. Quando o mundo cresce, a
Europa estagna.
A UE
não está a funcionar
como 12 por cento da população do continente sabe
demasiado bem (incluindo aquela geração perdida abaixo dos 30
próxima ao Mediterrâneo). Enquanto isso, o antigo comunista
transformado em eurófilo totalitário, José Manuel Barroso,
tem desfrutado uma tipicamente bombástica viagem de pré
aposentadoria o que demonstra uma sublime falta de entendimento da
estagnação resultante do seu fracasso como presidente da UE
durante uma década.
Tendo gasto grande parte do ano passado a exprimir jubilosamente a lenga-lenga
da recuperação, a comissão cessante parte do Berlaymont
com fracassos políticos ainda maiores do que quando estava nos seus
gabinetes nacionais antes de ser guindada a Bruxelas. A arrogância insana
que pregava recuperação sem uma revisão coerente das
economias em ruptura foi tornada muda pela realidade económica. Mesmo em
Bruxelas já há uma percepção de que evasões
políticas não funcionarão o império europeu
deve ser reestruturado se não quiser enfrentar o olvido. Tal como
está, o patético posicionamento político dos interesses
nacionais da França (bancarrota) e da
Alemanha
(profundamente
proteccionista de modo dissimulado) em todas as ocasiões enfraqueceu
inexoravelmente a Europa numa década de prolongado crescimento nos
mercados emergentes do Leste.
Portanto chegámos a um abismo para a Europa. A Alemanha (como
previsto
) é uma potência económica pós pico. A Ucrânia
levou a UE a sanções autodestrutivas as quais cortaram ainda mais
a economia assim como o crescimento demonstrou ser uma miragem.
A fina arte de comparecer a infindáveis jantares inter-governamentais de
luxo tornou-se um ritual curioso nos últimos anos. Alguns países,
tais como a Irlanda, foram sacrificado para salvar bancos na Alemanha e na
França. Como um profissional das finanças (mas não um
banqueiro), tem sido singularmente desgostante no pós colapso do Lehman
observar um acto em andamento de loucura comunista socializar
dívida para proteger a
arrogância
banqueira. Só por esta razão, a UE abandonou a credibilidade
orçamental.
Infelizmente ela tem desavergonhadamente repetido o mesmo padrão por
todo o continente, salvando
(bailing out)
banqueiros quando eles, juntamente com governos perdulários, deviam ter
sofrido incumprimento, tal como nos casos de manual quando um possuidor de
título não pode reembolsar. Permitir o incumprimento era sugerir
uma possível fraqueza naquele enviesado instrumentos político de
finança que se chama Euro. O medo da UE de questionar sua arrogante
loucura monetária ameaça agora o próprio projecto europeu
pois cresceu o contágio canceroso do colapso económico.
Tragicamente, após todas as cimeiras, todas a conversas de reforma, nada
realmente foi alcançado durante os últimos seis anos. Poucas, se
é que alguma, economias acederam a qualquer reforma significativa ao
passo que grandes países tais como a Alemanha e a França
defenderam implacavelmente o seu
interesse nacional
. Agora o problema transferiu-se para todos. Os não reformados no
Mediterrâneo estão a lutar para sobreviver, encalhados com
dívidas vastas das grandes burocracias e governos... A bomba
relógio tóxica do incumprimento iminente tiquetaqueia mais alto
em
Paris
. Um 40º défice anual consecutivo do orçamento está a
destruir a ilusão da terceira via socialista da França, com a
ajuda daqueles ainda mais desafortunados do que o residente habitual no Eliseu,
o presidente Hollande. Além fronteira, o crescimento alemão
está encalhado o que não é surpreendente... Afinal
de contas, a Europa é um comboio arruinado de prolongada
incompetência orçamental. Vizinhos a Leste, como a Rússia,
são importadores relutantes de um Ocidente hostil, enquanto na China o
longo boom está muito mais em surdina do que esteve por muitos anos.
Assim que dados do crescimento económico alemão vieram à
luz no mês passado, uma certa percepção começou a
despontar em
Bruxelas
a UE não comprara nem mesmo um rolo de fita vedante para unir as
gritantes fissuras orçamentais que estivera a negar durante anos. Agora
o Banco Central Europeu pode premir o botão de pânico
borrifando dinheiro de contrafacção
("funny money", Quantitative Easing)
no sistema. Esta acção, em outras partes, até à
ata, serviu apenas para gerar vasta inflação de activos o
que também é conhecido como tornar os ricos mais ricos sem
proporcionar prosperidade coerente para todos.
Cada dia que o governo evita actuar para
relançar
genuinamente a economia não é simplesmente mais um dia
desperdiçado para a geração perdida, assinala mais um dia
de espera até que atinjamos o código vermelho. Os 28 membros do
estado supranacional do
Chutequistão
não podem sobreviver no que é, na melhor das hipóteses,
um status de imobilismo.
A Europa pode estar prestes a premir o botão do pânico o
único resultado será pânico.
23/Outubro/2014
[*]
Perito em mercados financeiros globais.
O original encontra-se em
rt.com/op-edge/198444-eu-crisis-economy-panic-button/
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
|