“Bombardeámos o lado errado”,
afirma o ex-comandante da NATO no Kosovo

por Lewis Mackenzie [*]

Denúncias do major-general canadiano Mackenzie, o ex-comandante das forças ocidentais na Bósnia, acerca da actuação da NATO no Kosovo e contra a Jugoslávia:
—“Genocídio?” Não 100 mil vítimas, mas 2.000 (“entre todas as etnias”).
— “Foram os albaneses que começaram, mas nós os apresentámos como vítimas”.
—“Milosevic limitou-se a reagir”.
—“A NATO entregou o Kosovo à máfia”.
—“Nós ajudámos o UCK a criar um Kosovo etnicamente puro”.
—“Encorajámos os terroristas do mundo inteiro”.


terrorista UÇK protegido pela NATO. “Há cinco anos, nos écrans dos nossos televisores sucediam-se imagens de albaneses do Kosovo que fugiam através das fronteiras para procurar refúgio na Macedónia e na Albânia. Relatórios alarmistas diziam que as forças de segurança de Slobodan Milosevic levavam a cabo uma campanha genocida, e que pelo menos 100 mil albaneses do Kosovo tinham sido massacrados e enterrados em valas comuns por toda a província.

A NATO entrou rapidamente em acção, apesar de nenhum dos estados membros ter sido ameaçado, e começou a bombardear não só o Kosovo, mas também as infrastruturas e a própria população da Sérvia, sem que esta acção fosse autorizada por uma resolução das Nações Unidas, instância, contudo, venerada pelos governantes do Canadá, passados e presentes.

Qualificaram de “adeptos de Munique” aqueles de nós que alertaram o Ocidente para o facto de se estar a deixar levar para o lado de um movimento independentista albanês extremista e com actuação armada. Esqueceu-se oportunamente que a organização que efectuava o combate pela independência, o Exército de Libertação do Kosovo (UÇK), era universalmente designada como organização terrorista e conhecida por ser apoiada pelo movimento Al Qaida de Usama Ben Laden”

(...) (Mackenzie recorda a mentira dos meios de comunicação a respeito de “crianças albanesas afogadas pelos sérvios” e confirma a seguir o que mostra o filme Os Condenados do Kosovo ).

“Desde a intervenção da NATO e da ONU no Kosovo, em 1999, este tornou-se a capital europeia do crime. O comércio de escravos sexuais ali floresce. A província transformou-se na placa giratória da droga para a Europa e a América do Norte e o cúmulo é que a maior parte das drogas provém de um outro país “libertado” pelo Ocidente: o Afeganistão. Os membros do UÇK, que foi desmobilizado mas não desmantelado, participam tanto nesse tráfico como no governo. A polícia da ONU prende alguns dos implicados nesse tráfico e entrega-os a uma justiça permeável, aberta à corrupção e às pressões.

O objectivo final dos albaneses do Kosovo é expurgá-lo de todos os não-albaneses, incluindo os representantes da comunidade internacional, e integrar a mãe-pátria albanesa, criando assim a “Grande Albânia”. Esta campanha começou nos princípios dos anos de 1990, com o ataque às forças de segurança sérvias e conseguiram, face à reacção musculada de Milosevic, atrair a simpatia universal para a sua causa. O genocídio, proclamado pelo Ocidente, jamais existiu: os 100 mil mortos, pretensamente enterrados nas valas comuns, andam à volta de 2.000, entre todas as etnias, contando com os que caíram em combate.

Os albaneses do Kosovo manipularam-nos a seu bel-prazer. Nós financiámos e apoiámos indirectamente a sua campanha pela independência de um Kosovo etnicamente puro. Jamais os censurámos por serem responsáveis pelas violências dos começos dos anos 90 e continuamos a apresentá-los hoje como vítimas, apesar das provas em contrário.

Quando tiverem atingido o seu objectivo de independência, ajudados pelos dólares dos nossos impostos mais os de Ben Laden e da Al Qaida, é fácil imaginar o sinal de encorajamento que será para os outros movimentos independentistas do mundo inteiro, apoiados pelo terrorismo!

Esta nossa obstinação em cavar a própria sepultura não é cómica?” [nr]

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Nota de resistir.info:
Tal comicidade tem a ver com as sensibilidades deste general. A maior parte da humanidade não considera cómicos os crimes praticados pela NATO na ex-Jugoslávia. O país foi campo de experimentação de novos tipos de armas (bombas de grafite), encontra-se envenenado por toneladas de resíduos das munições com urânio empobrecido utilizadas pela NATO, foi submetido à selvajaria das limpezas étnicas por instigação e com apoio das potências ocidentais e teve complexos químicos industriais bombardeados deliberadamente a fim de provocar poluição numa escala maciça.

[*] O autor comandou tropas em Gaza, Chipre, Vietnam, Cairo, América Central. Em Sarajevo, durante a guerra civil, foi o responsável pelos contingentes de 31 nações. Actualmente na reforma, trabalha como comentador de assuntos internacionais para o National Post e para cadeias de televisão americanas.

O original encontra-se em The National Post , 06/Abr/04. Tradução de MJS.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info .

04/Mai/04