As falsas esperanças da conferência da Europa do "Sul"

Cartoon de Alfredo Martirena. "Uma conferência dos líderes dos países mediterrânicos da UE, do assim chamado "Sul" da UE, será efectuado em Atenas a 9 de Setembro, por iniciativa do governo "de esquerda" do SYRIZA-ANEL [saído do] novo memorando e de dúzias de medidas anti-trabalhadores. Ela será centrada nos desenvolvimentos na UE, na questão dos refugiados-imigrantes e na notória questão do "desenvolvimento".

Esta iniciativa surge poucos dias após a reunião em Paris entre a velha e a "nova" social-democracia.

Estas duas iniciativas assim como outras semelhantes, têm como "denominador comum" o objectivo de semear falsas esperanças entre os povos de que o sistema capitalista e seu reaccionário "edifício" inter-estatal no continente europeu – a UE – pode ser melhorado e "humanizado". Eles procuram persuadir o povo de que uma outra correlação de forças no centro da Europa, em favor do "Sul" e a expensas do "Norte", ou a favor da social-democracia em relação aos liberais, trará o "fim da austeridade", "igualdade", "solidariedade" e "desenvolvimento" na UE.

Contudo, os povos da Europa já experimentaram durante décadas que a UE e toda espécie de governos burgueses (tanto liberais como sociais-democratas) pretendem apoiar a lucratividade do capital, a sua recuperação pela intensificação da linha política anti-povo. O "desenvolvimento" que eles estão a prometer nunca foi e não pode ser "justo" e é baseado na destruição dos direitos dos trabalhadores e do povo e na intensificação a exploração.

Os trabalhadores verificam a partir da sua experiência que a competição entre os centros imperialistas e os países capitalistas (do Norte e do Sul, com governos sociais-democratas e liberais) que intensifica as guerras e intervenções imperialistas, traz novos tormentos e perseguições para os povos e levam pessoas a tornarem-se refugiadas.

Os povos podem entender que mecanismo como o ISIS e sua repelente actividade, financiada e apoiada pelos EUA, NATO, a UE e seus aliados na região do Médio Oriente, constituem o pretexto para a intensificação de medidas repressivas por parte da UE e dos seus governos.

Hoje, o resultado do referendo britânico para a saída da UE trouxe à superfície contradições entre os vários centros imperialistas em relação ao futuro e perspectivas da UE. A questão principal é a controvérsia dentro da Eurozona e a UE permanece entre a fórmula de administração burguesa, isto é, entre estabilidade orçamental e o monitoramento dos estados-membros pelos mecanismos da UE, por um lado, e, pelo outro, um afrouxamento do ajustamento orçamental de modo a que fundos estatais possam ser libertados para apoiar os monopólios. Esta controvérsia é alheia aos interesses do povo porque ambas as abordagens serão em detrimento da classe trabalhadora e dos estratos populares pobres pois ambas têm o agravamento da ofensiva anti-povo como sua condição prévia.

Os governos da velha e da nova social-democracia na Europa utilizam o slogan "não à austeridade" de um modo enganoso. Este slogan não tem relação com a travagem ou meia-volta das bárbaras medidas anti-trabalhador, aliviando o povo. Ao contrário, está relacionado com o apoio a grupos de negócios com hot money adicional. Isto é demonstrado também pelo facto de que estes governos, assim como os liberais, apressam novas medidas bárbaras contra os trabalhadores na Grécia, França, Itália, Portugal, Espanha e Chipre a fim de recolher fundos para o grande capital.

Muitas cimeiras e reuniões de alto nível entre os "líderes dos países do Sul" acontecem. Mas apesar de grande parte da sua retórica nas mesmas ser acerca de um "re-arranque da UE", a UE não pode tornar-se favorável ao povo. Ela só pode tornar-se pior para os povos, nem em caso algum pode o sistema capitalista ser humanizado, ao qual serve.

A esperança encontra-se na luta dos povos para derrubar a barbárie capitalista!

08/Setembro/2016

O original encontra-se em www.initiative-cwpe.org/...

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .
14/Set/16