Após os atentados e as mentiras do governo espanhol
A mentira infame de Aznar e da sua corte de fascistas não podia durar
toda a vida.
Mentiram quando embarcaram o povo espanhol numa cruzada guerreira contra o povo
iraquiano. Mentiram junto com o governo norte-americano quando justificaram
essa ocupação sanguinária com o conto das armas
químicas.
Mentiram quando aproveitaram a aliança com os EUA para fortalecer a
venda de armas ao governo reaccionário de Uribe Vélez, na
Colômbia, e para assim colaborar com a peregrina ideia de terminar com a
guerrilha colombiana.
Mentiram quando tentaram desmentir a Amnistia Internacional e outras
organizações de direitos humanos que haviam aberto expedientes
sobre como e quanto de tortura nos comissariados e quartéis da Guardia
Civil os detidos bascos ou aqueles que em qualquer parte da geografia espanhola
ousam discordar da férrea política do discurso único.
Mentiram quando justificaram as manobras das suas transnacionais que roubaram o
dinheiro aos poupadores argentinos e tornaram a mentir quando justificaram a
sua política externa de chantagem para cobrar uma dívida externa
que o povo argentino não tomou.
Mentiu Aznar e seu gabinete de Relações Exteriores quando
disseram publicamente que não tinham nada a ver com o golpe fascista
contra a Venezuela Bolivariana em Abril de 2002, depois de haver apoiado os
golpistas e reconhecido o governo efémero de Pedro Carmona.
Mentem todos os dias do ano a inventar demónios onde só existem
povos que reclamam o direito à autodeterminação.
Mentem por hábito ao identificar catalões e bascos com o
terrorismo só pelo facto de falarem a sua própria língua
ou desenvolverem políticas que contrastam com a ordens ditatoriais que
chegam de Madrid.
Mentiu Aznar e a sua mafia que hoje ocupa a poltrona da Moncloa, ao acusar o
dirigente catalão Carod Rovira de cúmplice do terrorismo
só por tentar encontrar caminhos de negociação com a
organização armada ETA.
Mentiu Aznar quando ilegalizou partidos e organizações bascas que
reclamavam pacificamente o direito de exprimir as suas opiniões
políticas.
Mentem descaradamente quando ocultam que 700 presos políticos bascos
são tratados como animais selvagens: desterrados da sua terra natal,
gaseados nas celas, golpeados e abandonados de toda protecção
humanitária no estilo do campo de extermínio construído
pelos ianques em Guantanamo.
Mente Aznar, mente Rajoy e mente o PP quando, no mesmo momento em que acontecia
o horrível atentado do dia 11, acusaram a ETA, sabendo que não
eram os executores do massacre, e fizeram-no o mundo inteiro já
sabe com o único objectivo de ganhar a batalha eleitoral por
maioria absoluta.
Mente descaradamente Angel Acebes, porta-voz do discurso único espanhol,
quando, sabendo o que todos sabiam em toda a parte do mundo, enchia a boca com
a palavra "transparência" e continuava a divulgar, juntamente
com Rajoy e os embaixadores espanhóis onde lhes cabia falar, que a
única pista viável e crível era a da ETA.
Acebes tornou a mentir à meia noite de sábado, quando assediado
pelas provas, o comunicado e o vídeo da Al Qaeda e certamente
também pelos gritos de "mentirosos" e "assassinos"
que chegavam da Porta do Sol e de outros pontos do Estado Espanhol onde
milhares de pessoas reclamava outro tipo de "transparência",
só conseguiu dizer, com cara de "não fui eu", um
pequeno discurso que acabava por significar que as suas mentiras anteriores
ficavam invalidadas.
Mas o pior de tudo é que juntamente com Aznar mentiram, desde sempre, os
socialistas ao subirem, por oportunismo, ao comboio da "unidade dos
democratas" e ao acompanharem a política demencial do governo PP.
Mentiu Llamazares (da Izquierda Unida) que parou de destilar o seu ódio
anti-basco durante toda a jornada de quinta e sexta-feira. Mentiram
como sempre os meios de comunicação ao acompanharem o
discurso belicoso oficial, racista, despótico e depreciativo para com
tudo o que não esteja de acordo com a ideia da Espanha, una, grande e
franquista, como queria o generalíssimo de ontem e o chaplinesco
imperador de hoje.
Frente a esta colecção desprezível de mentirosos, nada
melhor do que o repúdio generalizado que começa a surgir a partir
do soar ruidoso das caçarolas, das manifestações e da
indignação das pessoas de Madrid, Barcelona e do resto da
península. Nada melhor do que recordar aquilo que as massas de
indignados manifestantes argentinos gritavam em 19 e 20 de Dezembro de 2001
frente à prepotência de outro pequeno ditador que foi derrubado
pela valentia popular.
"Que se vayan todos, que no quede ni uno solo"
. Pelo bem dos povos, em homenagem àqueles que pagaram com a sua vida
em Bagdad e em Madrid a prepotência de Aznar, Bush, Blair e seu bando de
assassinos de povos. Que se vão todos, pois não se pode mentir
aos povos indefinidamente.
[*]
Director da
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diariodeurgencia
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