As razões reais porque o próximo alvo poderá ser o Irão:
A emergência de um preço de referência internacional do
petróleo denominado em euro
Os iranianos estão prestes a cometer uma "ofensa" muito maior
do que a de Saddam Hussein em fins de 2000 com a conversão para o euro
nas
exportações do petróleo do Iraque.
Numerosos artigos têm revelado o planeamento do Pentágono para
operações contra o Irão já em 2005. Se bem que as
razões publicamente declaradas virão a ser as
ambições nucleares do Irão, há
motivações macro-económicas não mencionadas que
explicam as Razões Reais referentes à 2ª etapa da guerra do
petrodólar a anunciada bolsa de petróleo do Irão
baseada no euro.
Em 2005-2006 o governo de Teerão desenvolveu um plano para
começar a competir com o NYMEX de Nova York e com o IPE de Londres no
comércio internacional de petróleo utilizando um mecanismo
denominado em euros. Isto significa que sem alguma forma de
intervenção americana o euro está em vias de ganhar um
firme ponto de apoio no comércio internacional de petróleo.
Dados os níveis do endividamento americano e o declarado projecto
neoconservador para a dominação global americana, o objectivo de
Teerão constitui uma óbvia perturbação na
supremacia do dólar americano no comércio internacional de
petróleo.
"De todos os inimigos das liberdades públicas a guerra é,
talvez, o mais odioso pois compreende e desenvolve o germe de todas as outras.
A guerra é o pai dos exércitos, das consequências em
dívidas e impostos... instrumentos conhecidos para deixar os muitos sob
o domínio dos poucos... Nenhuma nação poderia preservar a
sua liberdade em meio a guerra contínuas".
- James Madison, Political Observations, 1795
A visão profética de Madison deveria ser cuidadosamente
considerada pelo povo americano e pela comunidade mundial. A
situação em rápida deterioração no terreno
do Iraque anuncia um quadro ainda mais horrendo para os soldados americanos e o
Povo da comunidade mundial se a administração Bush
prosseguir a sua estratégia em relação ao Irão. As
actuais tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o
Irão estendem-se além das preocupações publicamente
declaradas quanto às intenções nucleares do Irão, e
provavelmente incluem um proposto "sistema petroeuro" iraniano para o
comércio de petróleo. Tal como a guerra do Iraque, as
operações vindouras contra o Irão relacionam-se com a
macroeconomia da "reciclagem do petrodólar" e o desafio
não anunciado mas real à supremacia do dólar americano por
parte do euro como uma divisa alternativa nas transações de
petróleo.
Agora é óbvio que a invasão do Iraque nada tem a ver com
qualquer ameaça do esquecido programa de armas de
destruição em massa de Saddam e certamente menos ainda com o
combate ao terrorismo internacional. Ela tem a ver com o ganho de controle
sobre as reservas de hidrocarbonetos do Iraque e, desse modo, com a
manutenção do monopólio do dólar americano no
crítico mercado internacional do petróleo. Ao longo de 2004
declarações de antigas pessoas de confiança da
administração revelaram que o governo Bush/Cheney tomou posse
já com a intenção de derrubar Saddam Hussein. Na verdade,
a estratégia neoconservadora de instalar um governo pró-EUA em
Bagdad juntamente com múltiplas bases militares americanas foi concebida
parcialmente para impedir um novo impulso no interior da OPEP em
direcção a um "petroeuro". Contudo, eventos
subsequentes mostraram que esta estratégia era fundamentalmente
defeituosa, com o Irão a mover-se para a frente em
direcção a um sistema petroeuro de comércio internacional
de petróleo, enquanto a Rússia discute esta opção.
Dito francamente, a 'Operation Iraqi Freedom' foi uma guerra destinada a
instalar um fantoche pró-americano do Iraque, estabelecer
múltiplas bases militares americanas ali antes do início do Pico
Petrolífero, e reconverter o Iraque novamente aos petrodólares
enquanto se esperava anular o novo impulso da OPEP rumo ao euro como uma divisa
alternativa para transações petrolíferas.
[1]
Em 2003 a comunidade global testemunhou uma combinação de
guerra do petrodólar e guerra do esgotamento do petróleo. A
maioria dos governos do mundo especialmente na UE, Rússia e China
não ficou satisfeita. Nem tão pouco os soldados
americanos actualmente estão estacionados no Iraque.
Na verdade, a hipótese original do autor, anterior à guerra, foi
validada imediatamente após o seu término num artigo do
Financial Times
datado de 5 de Junho de 2003, o qual confirmou que as vendas de
petróleo iraquiano retornadas aos mercados internacionais eram outra vez
denominadas em dólares americanos, não euros. Não
surpreendentemente, este pormenor nunca foi mencionado nos cinco grandes
conglomerados americanos de media que parecem censurar este tipo de
informação, mas a confirmação deste facto vital
proporciona a percepção de uma das lógicas cruciais
ainda que passadas por alto para a guerra do Iraque em 2003.
"A licitação, à qual se devem apresentar lances em 10
de Junho, mudou a transação outra vez para o dólar
a divisa internacional das vendas de petróleo apesar da recente
queda no valor da nota verde. Saddam Hussein em 2000 insistiu na venda do
petróleo iraquiano em euros, um movimento político, mas que
melhorou os rendimentos recentes do Iraque graças ao aumento do valor do
euro em relação ao dólar".
[2]
Infelizmente, ficou claro que mais uma guerra fabricada, ou algum tipo de
operação encoberta mal aconselhada, é inevitável
sob o presidente George W. Bush caso ele vença a eleição
Presidencial de 2004. Numerosos novos relatos ao longo do últimos meses
revelaram que os neoconservadores estão silenciosamente mas
activamente a planear a segunda guerra do petrodólar, desta vez
contra o Irão.
"Nas profundezas do Pentágono, almirantes e generais estão a
actualizar planos para uma possível acção militar
americana na Síria e no Irão. A unidade do Departamento da
Defesa responsável pelo planeamento militar dos dois países
incómodos está "mais ocupada do que nunca", afirma um
responsável da administração. Alguns conselheiros de Bush
caracterizam o trabalho simplesmente como um esforço para rever planos
de rotina que o Pentágono mantem para todas as contingências
à luz da guerra do Iraque. Burocratas mais excitados dizem que as
actualizações são acompanhadas por uma campanha renovada
dos conservadores e neocons da administração em favor de mais
políticas americanas duras para com aqueles países" ...
"Mesmo os que optam por uma linha dura reconhecem que, dado o compromisso
militar americano no Iraque, um ataque dos EUA a qualquer outro país
seria um improvável último recurso. Alguma espécie de
acção encoberta é o caminho favorecido em Washington pelos
adeptos da linha dura que querem mudanças de regime em Damasco e
Teerão".
"... os falcões da administração estão a
depositar as suas esperanças na mudança de regime em
Teerão por meios encobertos, preferivelmente, mas pela
força das armas se necessário. Documentos sobre essa ideia
têm circulado dentro da administração, etiquetados como
"rascunho" ou "minuta de trabalho" para evadir os poderes
de intimação do Congresso e o Freedom of Information Act. Fontes
informadas dizem que os memorandos reflectem a frustrada estratégia da
administração em relação ao Iraque: expulsar o
regime existente, instalar suavemente um governo pró-americano no seu
lugar (extraindo do novo regime a promessa de renunciar a quaisquer
ambições nucleares) e cair fora. Este esquema aventureiro
horroriza os líderes militares americanos, e não há
evidência de que tenha ganho apoiantes ao nível do gabinete".
[3]
Até à data, um dos obstáculos técnicos mais
difíceis quanto ao sistema de transacções comerciais de
petróleo baseado no euro é a ausência de um padrão
de preços de petróleo denominado em euro, ou preço de
referência
(oil 'marker')
como se diz na indústria. Os três preços de
referência do petróleo são todos denominados em
dólares americanos: o West Texas Intermediate crude (WTI), o Norway
Brent crude, e o UAE Dubai crude. Contudo, desde a Primavera de 2003, o
Irão tem exigido pagamentos em divisas euro nas suas
exportações europeias e asiáticas embora o
apreçamento do petróleo para o comércio ainda esteja
denominado em dólar.
[4]
BOLSA IRANIANA DE PETRÓLEO
A seguir, um novo desenvolvimento potencialmente significativo foi relatado em
Junho de 2004: o anúncio pelo Irão da intenção de
criar uma Bolsa Iraniana de Petróleo. Este anúncio significava
que iria aumentar a competição entre a Bolsa Iraniana de
Petróleo e o International Petroleum Exchange (IPE) de Londres, bem como
com o New York Mercantile Exchange (NYMEX). Deve-se notar que tanto o IPE como
o NYMEX são possuídos por corporações americanas.
As implicações macro-económicas de uma Bolsa Iraniana com
êxito são dignas de nota. Considerando que o Irão mudou
para o euro os seus pagamentos de petróleo dos clientes da UE e da
Ásia, seria lógico assumir que a proposta Bolsa Iraniana
introduzirá um quarto preço de referência do
petróleo bruto denominado na divisa euro. Tal desenvolvimento
removeria o principal obstáculo técnico para um vasto sistema de
comércio internacional de petróleo baseado no petroeuro. De uma
perspectiva puramente económica e monetária, um sistema petroeuro
é um desenvolvimento lógico uma vez que a União Europeia
importa mais petróleo dos produtores da OPEP do que o faz os EUA, e a UE
representa 45% da importações para o Médio Oriente (dados
de 2002).
Reconhecendo que muitos dos contratos de petróleo do Irão e da
Arábia Saudita estão ligados ao preço de referência
Brent do Reino Unido, a bolsa iraniana poderia criar uma mudança
significativa no fluxo do comércio internacional no interior do
Médio Oriente. Se a bolsa do Irão se tornasse uma alternativa
com êxito para o comércio de petróleo isto desafiaria a
hegemonia actualmente desfrutada pelos centros financeiros de Londres (IPE) e
de Nova York (NYMEX), um factor não ignorado no seguinte artigo:
"O Irão está para lançar um mercado comercial de
petróleo para os produtores do Médio Oriente e da OPEP que
poderia ameaçar a supremacia do International Petroleum Exchange de
Londres".
"
Ele [Sr. Asemipour] minimizou os perigos que a nova bolsa acabaria
por ter para o IPE ou o Nymex, dizendo ter esperança de que eles seriam
capazes de cooperar de alguma forma".
"...Alguns peritos da indústria advertiram os iranianos e outros
produtores da OPEP de que as bolsas ocidentais são controladas pelas
grandes corporações financeiras e petrolíferas, as quais
têm um interesse dissimulado
(vested interest)
na volatilidade do mercado.
O IPE, comprado em 2001 por um consórcio que inclui a BP, Goldman Sachs
e Morgan Stanley, ontem estava relutante em discutir o movimento iraniano.
"Não temos qualquer comentário a fazer sobre isso neste
momento", disse um porta-voz do IPE.
[5]
Não está claro, no momento em que se escreve, se este projecto
terá êxito, ou se poderia induzir intervenções
americanas abertas ou encobertas assinalando com isso a segunda fase da
guerra do petrodólar no Médio Oriente. Notícias de Junho
de 2004 revelaram que o desacreditado neoconservador e sicofanta Ahmed Chalabi
pode ter revelado o seu conhecimento ao Irão quanto ao planeamento
militar americano para operações contra aquele país.
"A razão porque os EUA romperam com Ahmed Chalabi, o
político xiita iraquiano, poderia ser a sua revelação de
planos do Pentágono para invadir o Irão antes do Natal de 2005,
mas o governo americano não alterou o seu objectivo, e o ataque
poderá verificar-se mais cedo se o presidente George W. Bush for
reeleito, ou mais tarde se John Kerry tomar posse".
"...Diplomatas dizem que Chalabi foi alertado para os planos do
Pentágono e no processo de tentar saber mais para contar aos iranianos
despertou suspeitas de responsáveis americanos, os quais posteriormente,
em 20 de Maio de 2004, conseguiram que a polícia iraquiana invadisse a
sede do seu Iraqi National Congress, o que conduziu a um corte final de
relações".
"Apesar de os EUA estarem incertos sobre quanto dos planos de ataque foram
revelados ao Irão, eles poderiam mudar algumas das tácticas da
invasão, mas os grandes parâmetros seriam mantidos intactos".
[6]
Independentemente da potencial resposta americana a um sistema petroeuro
iraniano, a emergência de um mercado bursátil de petróleo
no Médio Oriente não é inteiramente surpreendente dado o
pico interno e o declínio das exportações de
petróleo para os EUA e o Reino Unido, em comparação com as
reservas remanescentes no Irão, Iraque e Arábia Saudita. Segundo
Mohammad Javad Asemipour, conselheiro do ministro do Petróleo do
Irão e responsável individual por este projecto, esta nova bolsa
petrolífera está planeada para iniciar o comércio de
petróleo em Março de 2005.
"Asemipour afirmou que a plataforma deveria comerciar petróleo
bruto, gás natural e produtos petroquímicos no princípio
do novo ano iraniano, que é em 21 de Março de 2005.
Ele disse que os demais membros da Organização dos Países
Exportadores de Petróleo o Irão é o segundo maior
produtor do grupo, atrás da Arábia Saudita bem como
produtores de petróleo da região do Cáspio que acabariam
por participar da bolsa".
[7]
(Nota: a notícia iraniana mais recente, de 5 de Outubro de 2004,
declarava: "A bolsa do petróleo do Irão
começará a comerciar no princípio de 2006", o que
sugere um adiamento da data alvo original de 21 de Março de 2005).
[8]
Adicionalmente, de acordo com o relato a seguir, investidores sauditas podem
estar interessados em participar na bolsa iraniana de petróleo,
ilustrando mais uma vez que a hegemonia do petrodólar está a
tornar-se insustentável.
"Chris Cook, que anteriormente trabalhou para o IPE e agora presta
serviços de consultoria a mercados através da Partnerships
Consulting LLP de Londres, comentou: "Após os 11/Setembro
também tem havido interesse no projecto por parte dos sauditas, os quais
antes não estavam interessados em participar".
"Outras pessoas familiares com a economia iraniana dizem que desde o
11/Setembro investidores da Arábia Saudita estão a optar por
investir no Irão ao invés de investir nos tradicionais mercados
ocidentais pois, na medida em que as relações do reino com os EUA
se têm enfraquecido, o ministro do Petróleo do Irão
não tem feito segredo da sua ânsia por atrair o muito
necessário investimento estrangeiro para o seu sector energético
e por ampliar o seu leque de compradores de petróleo".
"...Juntamente com vários outros membros da OPEP,
responsáveis iranianos pelo petróleo acreditam que o seu
comércio no New York Mercantile Exchange e no IPE é controlado
pelas
majors
petroleiras e por grandes companhias financeiras, as quais beneficiam-se com a
volatilidade do mercado".
[9]
Assim. um dos pesadelos do Federal Reserve pode começar a desdobrar-se
em 2005 ou 2006, quando se verificar que os compradores internacionais
terão a opção de comprar um barril de petróleo por
US$50 no NYMEX e no IPE ou por 37 - 40 através da
bolsa iraniana. Isto assume que o euro manterá a sua actual
apreciação de 20-25% em relação ao dólar
e que alguma espécie de "intervenção"
não seja cometida contra o Irão. A bolsa vindoura
introduzirá o
hedging
da divisa petrodólar versus petroeuro, e fundamentalmente novas
dinâmicas nos maiores mercados do mundo os comércios
globais de petróleo e de gás.
Num importante discurso em Abril de 2002, o sr. Javad Yarjani, executivo da
OPEP, descreveu três eventos essenciais que facilitariam uma
transição da OPEP para os euros.
[10]
Declarou que ela seria baseado em: (1) se e quando o Brent da Noruega fosse
redenominado em euros; (2) se e quando o Reino Unido adoptasse o euro, e (3)
se ou não o euro ganhasse paridade de valor em relação ao
dólar, e os propostos planos de expansão da UE tivessem
êxito. (Nota: Os dois últimos critérios já
são públicos: a valorização do euro tem estado
acima do dólar desde o fim de 2002, e a UE baseada no euro ampliou-se em
Maio de 2004 de 12 para 22 países). Nesse ínterim, o Reino Unido
permanece inconfortavelmente entalado entre os interesses financeiros da banca
americana (New York/Washington) e os centros financeiros da UE
(Paris/Frankfurt).
A activação da proposta Bolsa Iraniana de Petróleo em
2005/2006 se tiver êxito na utilização do euro como
divisa padrão nas transações de petróleo
nega no essencial a necessidade dos dois critérios anteriores tais como
descritos pelo sr. Yarjani quando à solidificação de um
sistema "petroeuro" para o comércio internacional de
petróleo.
[10]
Também deveria ser notado que durante os anos 2003-2004 a
Rússia e a China aumentaram os haveres de divisas euros dos seus bancos
centrais, o que parece ser um movimento coordenado para facilitar a
ascendência prevista do euro como uma segunda divisa da Reserva Mundial.
[11]
[12]
Qual a questão imediata para os americanos? Será que os
neoconservadores tentarão intervir encapotadamente e/ou abertamente no
Irão durante o ano de 2005 num esforço para impedir a
formação de um mecanismo de preço do óleo
denominado em euro? Comentadores na Índia estão bastante
correctos na sua avaliação de que uma intervenção
americana no Irão provavelmente será desastrosa para os Estados
Unidos, tornando as coisas muito piores em relação ao terrorismo
internacional, para não mencionar os efeitos potenciais sobre a economia
americana.
"O abandono da guerra ao terror enquanto os planos de invasão do
Irão são redigidos não faz sentido, especialmente desde
que a invasão anterior e a actual ocupação do Iraque mais
uma vez alimentou o terrorismo Al-Qaeda após o 11/Setembro".
"...É óbvio que, absorvido dentro do Iraque, os EUA tem
limitada mão-de-obra militar disponível para combater a Al-Qaeda
em outros lugares no Médio Oriente e no sul da Ásia
Central," ... "e a NATO está tão seriamente irritada
com os EUA que ela hesita em fornecer tropas para o Iraque, e nenhum outro
país está desejoso de salvar os EUA além dos seus aliados
imediatos como a Grã-Bretanha, a Itália, a Austrália e o
Japão".
"... Se os [EUA] intervierem outra vez, é absolutamente certo que
isto não será capaz de melhorar a situação o
Iraque mostra que os EUA não tem a resolução ou a
paciência para criar uma nova sociedade civil e somente
tornará as coisas piores".
"Há um caminho melhor, como mostrou o empenhamento construtivo do
Coronel Muammar Gaddafi da Líbia... "O Irão é
obviamente um caso mais complexo do que a Líbia, porque o poder reside
no clero, e o Irão não tem sido inteiramente transparente acerca
do seu programa nuclear, mas o caminho sensível é tomá-lo
gentilmente, e empurrá-lo delicadamente para a moderação.
A mudança de regime somente piorará o terror islâmico
global e, em qualquer caso, a Arábia Saudita é um caso adequado
para a intervenção democrática, se houver algum".
[13]
Está bem claro que um 2º mandato de Bush provocará uma
confrontação e possível guerra com o Irão em 2005.
Colin Powell, como secretário de Estado, tem moderado os
desígnios militares dos neoconservadores em relação ao
Irão, mas Powell declarou que irá sair no fim do primeiro mandato
de Bush. Se John Kerry ganhar em Novembro pode naturalmente prosseguir uma
estratégia militar semelhante. Entretanto, a minha opinião
é que será mais provável que Kerry prossiga
negociações multilaterais quanto a questões iranianas.
Não há dúvida de que há sérios riscos quanto
à estratégia neoconservadora em relação ao
Irão. Primeiro: ao contrário do Iraque, o Irão tem uma
robusta capacidade militar. Segundo: uma repetição das
tácticas do "Choque e pavor" não é
aconselhável uma vez que o Irão instalou refinados mísseis
anti-navios na ilha de Abu Musa e, portanto, controla o crítico Estreito
de Ormuz.
[14]
No caso de um ataque americano, um encerramento do Estreito de Ormuz
por onde devem passar obrigatoriamente todos os petroleiros do Golfo
Pérsico poderia facilmente disparar um pânico no mercado
com preços do petróleo ascendendo a US$100 por barril ou mais. A
produção mundial de petróleo agora está a usar
todos os seus recursos, e uma grande interrupção escalaria os
preços a um nível que deflagraria uma Depressão global.
Por que então os neoconservadores estão desejosos de assumir tais
riscos? Declarando simplesmente, o seu objectivo é a
dominação global dos EUA.
Uma bolsa iraniana com êxito solidificaria o petroeuro como divisa
alternativa para transações de petróleo, e acabaria assim
com o status hegemónico do petrodólar como divisa monopolista
para o petróleo. Portanto, é necessária uma abordagem
gradualista para evitar precipitadas deslocações
económicas americanas. O compromisso multilateral com a UE e a OPEP
quanto à divisa petrolífera certamente é preferível
a uma 'Operação Liberdade Iraniana', ou talvez uma
repetição da tentativa patrocinada pela CIA do golpe de 1953
a operação "Ajax" parte II.
[15]
Na verdade, há muito boas razões para os líderes
militares americanos estarem "horrorizados" com a ideia de um segundo
mandato de Bush no qual Cheney e o neoconservadores ficariam à
rédea solta na sua trágica busca da dominação
americana global.
"A
Newsweek
soube que a CIA e a DIA efectuaram jogos de guerra quanto às
prováveis consequências de um ataque antecipativo
(pre-emptive)
às instalações nucleares do Irão. Ninguém
gostou do resultado. Como disse uma fonte da Força Aérea, 'Os
jogos de guerra foram mal sucedidos em impedir uma escalada do conflito' "
[16]
Apesar do poder impressionante dos militares americanos e da capacidade das
nossas agências de inteligência para efectuar
"intervenções", seria perigoso e possivelmente ruinoso
para os EUA intervirem no Irão dada a horrenda situação no
Iraque. O Monterey Institute of International Studies apresentou uma extensa
análise das possíveis consequências de um ataque
antecipativo às instalações nucleares do Irão e
advertiu o seguinte:
"Considerando a vasta política de investimento, em termos nacionais
e financeiros, em que o Irão se comprometeu nos seus projectos
nucleares, é quase certo que um ataque por Israel ou pelos Estados
Unidos resultaria em retaliação imediata. Um cenário
provável inclui um contra-ataque imediato de mísseis iranianos a
Israel e às bases americanas no Golfo, seguido por um esforço
muito sério para desestabilizar o Iraque e fomentar a
confrontação total entre os Estados Unidos e a maioria xiita do
Iraque. O Irão também poderia optar por desestabilizar a
Arábia Saudita e outros Estados do Golfo com população
xiita significativa, e induzir o Hisbullah libanês a lançar uma
série de ataque com rockets ao norte de Israel".
"Um ataque a instalações nucleares iranianas... poderia ter
vários efeitos adversos aos interesses americanos no Médio
Oriente e no mundo. O mais importante, na ausência de provas de um
programa nuclear iraniano, um ataque a instalações nucleares
pelos EUA ou por Israel provavelmente conduziria ao fortalecimento da estatura
internacional do Irão e reduziria a ameaça de
sanções internacionais contra aquele país. Tal evento
é mais provável que incentive e expanda as
aspirações nucleares do Irão e as suas capacidades a longo
prazo"... "uma coisa é certa: isto não seria apenas um
outro Osirak".
[17]
Sumário
Pouco importando qual será a escolha do eleitorado americano na
próxima eleição presidencial, uma expedição
militar poderá ainda ocorrer.
Este ensaio foi escrito por considerar meu dever patriótico fazer um
esforço para informar os americanos dos desafios que enfrentarão.
Em 25 de Novembro de 2004, as questões envolvendo o programa nuclear do
Irão serão tratadas pela Agência Internacional de Energia
Atómica (AIEA) e possivelmente enviadas ao Conselho de Segurança
da ONU se os resultados forem insatisfatórios. Sem importar quais as
conclusões a AIEA, parece cada vez mais provável que os EUA
utilizem o espectro da proliferação de armas como pretexto para
uma intervenção, de modo semelhante aos temores apregoados na
campanha anterior sobre armas de destruição maciça no
Iraque.
Fontes do Pentágono confirmam que a administração Bush
poderia empreender uma estratégia militar desesperada para frustrar as
ambições nucleares do Irão enquanto simultaneamente
tentaria impedir a Bolsa Iraniana de Petróleo de iniciar um sistema de
comercialização baseado no euro. Este último objectivo
exigiria uma "mudança de regime" forçada e a
ocupação americana do Irão. Obviamente isto exigiria uma
conscrição militar. Falando objectivamente, o desastre do
pós-guerra no Iraque mostrou claramente que tais políticas
imperiais serão um fracasso catastrófico. Alternativamente,
talvez uma administração americana mais iluminada pudesse
empreender negociações multilaterais com a UE e a OPEP
respeitantes a um sistema dual de divisas no petróleo, em conjunto com
uma reforma monetária global. De qualquer forma, os elaboradores da
política americana enfrentarão em breve duas escolhas
difíceis: o compromisso monetário ou a guerra contínua ao
petrodólar.
"Sou um crente inflexível no povo. Se lhe for dada a verdade
dele se pode depender para enfrentar qualquer crise nacional. A grande
questão é levar-lhe os factos reais.
- Abraham Lincoln
"Sempre que os povos estão bem informados, pode-se confiar-lhes o
seu próprio governo. Todas as vezes que as coisas se tornam
suficientemente erradas
para atrair a sua atenção, pode-se contar com o povo para
restabelecer o que é correcto".
- Thomas Jefferson
27/Out/2004
Referências:
[1] "Revisited - The Real Reasons for the Upcoming War with Iraq: A
Macroeconomic and Geostrategic Analysis of the Unspoken Truth," January
2003 (updated January 2004)
http://www.ratical.org/ratville/CAH/RRiraqWar.html
[2] Hoyos, Carol & Morrison, Kevin, "Iraq returns to the international oil
market," Financial Times, June 5, 2003
http://www.thedossier.ukonline.co.uk/
[3] "War-Gaming the Mullahs: The U.S. weighs the price of a pre-emptive
strike," Newsweek, September 27 issue, 2004.
http://www.msnbc.msn.com/id/6039135/site/newsweek/
[4] Shivkumar, C., "Iran offers oil to Asian union on easier terms,"
The Hindu Business Line (June 16, 2003).
http://www.thehindubusinessline.com/
[5] Macalister, Terry, "Iran takes on west's control of oil trading,"
The [UK] Guardian, June 16, 2004
http://www.guardian.co.uk/business/story/0,3604,1239644,00.html
[6] "US to invade Iran before 2005 Christmas," News Insight: Public
Affairs Magazine, June 9, 2004
http://www.newsinsight.net/nati2.asp?recno=2789
[7] "Iran Eyes Deal on Oil Bourse; IPE Chairman Visits Tehran,"
Rigzone.com (July 8, 2004)
http://www.rigzone.com/news/article.asp?a_id=14588
[8] "Iran's oil bourse expects to start by early 2006," Reuters,
October 5, 2004
http://www.iranoilgas.com
[9] "Iran Eyes Deal on Oil Bourse, IPE Chairman Visits Tehran," ibid.
[10] "The Choice of Currency for the Denomination of the Oil Bill,"
Speech given by Javad Yarjani, Head of OPEC's Petroleum Market Analysis Dept,
on The International Role of the Euro (Invited by the Spanish Minister of
Economic Affairs during Spain's Presidency of the EU) (April 14, 2002, Oviedo,
Spain)
http://www.opec.org/NewsInfo/Speeches/sp2002/spAraqueSpainApr14.htm
[11] Russia shifts to euro as foreign currency reserves soar," AFP, June
9, 2003
http://www.cdi.org/russia/johnson/7214-3.cfm
[12] "China to diversify foreign exchange reserves," China Business
Weekly, May 8, 2004
http://www.chinadaily.com.cn/english/doc/2004-05/08/content_328744.htm
[13] "Terror & regime change: Any US invasion of Iran will have terrible
consequences," News Insight: Public Affairs Magazine, June 11, 2004
http://www.indiareacts.com/archivedebates/nat2.asp?recno=908&ctg=World
[14] Analysis of Abu Musa Island, www.globalsecurity.org
http://www.globalsecurity.org/wmd/world/iran/abu-musa.htm
[15] J.W. Smith, "Destabilizing a Newly-Free Iran," The Institute for
Economic Democracy, 2003
http://www.ied.info/books/why/control.html
[16] "War-Gaming the Mullahs: The U.S. weighs the price of a pre-emptive
strike," ibid.
[17] Salama, Sammy and Ruster, Karen,"A Preemptive Attack on Iran's
Nuclear Facilities: Possible Consequences," Monterry Institute of
International Studies, August 12, 2004 (updated September 9, 2004)
http://cns.miis.edu/pubs/week/040812.htm
[18] Philips, Peter, "Censored 2004," Project Censored, Seven Stories
Press, (2003)
http://www.projectcensored.org/
[*]
Professor da Universidade John Hopkins, EUA.
Autor do ensaio
"As razões reais para a próxima guerra com o Iraque: Uma
análise macroeconómica e geoestratégica da verdade
não dita".
http://www.ratical.org/ratville/CAH/RRiraqWar.html
, também publicado por resistir.info em
http://www.resistir.info/eua/clark_verdade_silenciada.html
. Este trabalho ganhou o prémio 'Project Censored' 2003 e foi incluido no
livro
Censored 2004.
[18]
Neste livro, publicado antes da guerra, admitia-se a hipótese de que
Saddam selara o seu destino quando em Setembro de 2000 anunciara que o Iraque
não iria mais aceitar dólares pelo petróleo que estava a
ser vendido sob o programa da ONU petróleo-por-alimentos e comutara para
o euro como a divisa a ser utilizada nas transações petroleiras
do Iraque.
O novo livro de Wiliam Clark,
Petrodollar Warfare: Oil, Iraq and the Future of the Dollar,
deverá ser lançado na primavera de 2005. O autor argumenta ali que a
invasão do Iraque foi precipitada por
dois fenómenos convergentes: o iminente pico petrolífero na
produção global e a ascenção do euro como divisa.
Outros artigos do mesmo autor:
O pesadelo do banco central dos EUA & a razão real para a guerra ao Iraque
As verdadeiras razões da guerra com o Iraque: Análise macroeconómica e geoestratégica da verdade silenciada
U.S. Dollar vs. the Euro: Another Reason for the Invasion of Iraq
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Tradução de JF.
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