A politica social de "esquerda" de Sócrates
RESUMO DESTE ESTUDO
No
debate realizado na RTP1, no dia 05/09/2009, com Jerónimo de Sousa
, Sócrates utilizou quatro exemplos concretos de medidas tomadas pelo seu
governo que mostrariam, segundo ele, que defende uma politica social de
esquerda, a qual o diferenciaria do PSD. É essas medidas referidas por
Sócrates que analisamos neste estudo, já que é de prever
que sejam utilizadas intensamente por ele na campanha eleitoral.
A primeira medida referida por Sócrates foi o aumento do salário
mínimo nacional. Entre 1999 e 2004, o salário mínimo
nacional aumentou 19,3%, enquanto entre 2004 e 2009 subiu em 23,2%.O problema
é que apesar do salário mínimo nacional (450 euros em
2009) ser superior ao limiar de pobreza (354,29 euros), no entanto, de acordo
com o INE, 12% dos empregados (cerca de 610.000 portugueses) têm um
rendimento inferior ao limiar de pobreza (apenas 354,20 euros por mês).
Por outro lado, entre 2004 e 2009, o salário mínimo nacional
aumentou em Portugal 23,2%, enquanto em Espanha subiu 35,4%, o que determinou
que o salário mínimo nacional português representasse, em
2004, 79,2% do espanhol e, em 2009, apenas 72,1% (entre 1999 e 2004, já
tinha diminuído de 85,8% para 79,2%). Portugal continua a divergir de
Espanha a nível do SMN.
A segunda medida referida por Sócrates é o alargamento do
subsídio social de desemprego a mais 27.000 desempregados durante mais 6
meses. No fim do 2º Trimestre de 2009, o desemprego oficial atingiu 507,7
mil e o desemprego efectivo 635,2 mil. No fim de Junho de 2009, o número
de desempregados a receber o subsídio eram apenas 325 mil. Isto
significa que entre 182.000 desempregados (se se considerar o desemprego
oficial) e 318 mil desempregados (se considerar o desemprego efectivo)
não estão a receber subsídio. O que é
necessário é alargar o subsídio de desemprego e não
o subsídio social de desemprego como fez Sócrates, até
porque este é inferior ao limiar de pobreza. E isso passa pela
alteração da lei do subsídio de desemprego (DL 220/2006)
aprovada pelo governo de Sócrates As alterações
introduzidas pelo actual governo na lei do subsídio de desemprego
agravaram as condições da sua atribuição. Os jovens
que entram no mercado de mercado continuam a não ter direito ao
subsídio de desemprego. O período a que o desempregado tem
direito a receber subsídio de desemprego foi reduzido, em média,
entre três e seis meses. Um desempregado que não consiga arranjar
trabalho por um período de pelo menos 21 meses seguidos nunca tem
direito a receber subsídio de desemprego, pois nunca conseguirá
descontar 450 dias para a Segurança Social nos 24 meses imediatamente
anteriores à data do desemprego, como estabelece a lei. E se o
trabalhador tiver sucessivos contratos a prazo os descontos feitos fora dos 24
meses não contam ou se entre alguns dos contratos o trabalhador receber
subsídio de desemprego a contagem começa de novo em zero. Tudo
isto está a impedir que dezenas de milhares de desempregados tenham
acesso ao subsídio de desemprego, nomeadamente os atingidos pelo
trabalho precário. É tudo isto que tem de ser alterado na lei do
subsídio de desemprego. E é isso que o governo se tem recusado a
fazer. E Sócrates ainda afirma que defende um política social de
esquerda.
A terceira medida referida por Sócrates é a
colocação de 37.000 desempregados em IPSS. O que Sócrates
não explicou é que de acordo com informações que
obtivemos o trabalho destes desempregados está a ser pago
fundamentalmente com o subsídio de desemprego, sendo trabalho quase
gratuito para estas instituições, e que terminado o contrato, que
tem normalmente a duração de um ano, estes trabalhadores voltam
á situação de desempregados, muitos deles sem direito a
receber o subsídio de desemprego, devido ao período a que tinham
direito a receber ter-se esgotado precisamente porque o tempo em que
trabalharam para essas instituições privadas foi também
descontado no período a que tinham direito ao subsídio.
Será isto uma política social de esquerda?
Finalmente a quarta medida referida por Sócrates é a
atribuição a 227.000 reformados do Complemento Solidário
de Idoso, que assim teriam sido retirados da pobreza. O que Sócrates se
esqueceu de dizer é que estes 227.000 representam apenas 16% dos
reformados que recebem actualmente pensões inferiores ao limiar de
pobreza (354,29 euros/mês), que o valor médio deste complemento em
2009 é apenas de 80,30 euros por mês (Um reformado com uma
pensão inferior a 354/mês que receba mais 80,30
porventura sairá da miséria?), e que no cálculo do
rendimento do reformado entra não só outros rendimentos que
eventualmente tenha (por ex., os juros de um pequeno depósito
bancário) mas também o rendimento dos filhos (um reformado que
tenha um rendimento anual superior a 4.960 euros já não tem
direito ao Complemento Solidário de Idoso).
É a tudo isto que Sócrates chama uma "politica social de
esquerda". Mas será isto verdadeiramente uma politica social de
esquerda? Que cada leitor tire as suas conclusões.
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No
debate realizado na RTP1, no dia 05/09/2009, com Jerónimo de Sousa
, Sócrates utilizou quatro exemplos concretos de medidas tomadas pelo seu
governo que mostrariam, segundo ele, que defende uma politica social de
esquerda, a qual o diferençaria do PSD. E essas quatro medidas foram as
seguintes: (1) O aumento do salário mínimo em 10%, quando durante
os governos de direita não teria havido qualquer subida; (2) O
alargamento do subsídio social de desemprego a mais 27.000 desempregados
durante mais 6 meses; (3) A colocação de 35.000 desempregados em
Instituições Privadas de Solidariedade Social; (4) A
atribuição do complemento solidário de idoso que, segundo
ele, teria tirado 227.000 reformados da pobreza.
Interessa analisar com objectividade estas medidas e os seus efeitos a
nível social, já que é de prever que Sócrates as
utilize intensamente na sua propaganda durante a campanha eleitoral. É o
que se vai fazer neste estudo, utilizando dados oficiais, embora com um
nível de profundidade diferente para cada uma delas a fim de o
não tornar demasiadamente extenso.
O SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL ABRANGE 5% DOS TRABALHADORES, MAS 12%
DOS EMPREGADOS CONTINUAM ABAIXO DO LIMIAR DA POBREZA
Entre 1999 e 2004, o salário mínimo nacional aumentou 19,3%,
pois passou de 305,76 euros para 365, 70 euros. E entre 2004 e 2009 subiu em
23,2%, pois passou de 365,7 euros para 450 euros, o que não deixa de ser
positivo.
O problema é que apesar do salário mínimo nacional (450
euros em 2009) ser superior ao limiar de pobreza (354,29 euros), no entanto,
segundo o INE, 12% dos empregados (cerca de 610.000 portugueses) tinham um
rendimento inferior ao limiar de pobreza (apenas 354,20 euros por mês).
Por outro lado, entre 2004 e 2009, o salário mínimo nacional
aumentou em Portugal 23,2%, pois passou de 365,7 para 450, como
já foi referido, enquanto em Espanha subiu 35,4%, pois passou de 460,86
euros para 624 euros. Esta variação desigual, muito maior em
Espanha, determinou que o salário mínimo nacional português
representasse, em 2004, 79,2% do espanhol e, em 2009, apenas 72,1% (entre 1999
e 2004, já tinha diminuído de 85,8% para 79,2%). Portanto, em
relação a Espanha, e relativamente ao salário
mínimo nacional, no lugar de se verificar uma convergência,
está-se a verificar uma forte divergência.
O ALARGAMENTO DO SUBSÍDIO SOCIAL DE DESEMPREGO A MAIS 27.000
DESEMPREGADOS DURANTE MAIS 6 MESES
No fim do 2º Trimestre de 2009, de acordo com dados divulgados pelo INE, o
desemprego oficial atingiu 507,7 mil e o desemprego efectivo 635,2 mil. No fim
de Junho de 2009, segundo o Ministério do Trabalho, o número de
desempregados a receber o subsídio eram apenas 325 mil, dos quais 101
mil recebiam o subsídio social de desemprego cujo valor médio
varia entre 295 euros e 338 euros por mês, portanto, um valor inferior ao
limiar de pobreza (354,29/mês). Isto significa que entre 182.000
desempregados (se se considerar o desemprego oficial) e 318 mil desempregados
(se considerar o desemprego efectivo) não estão a receber
qualquer subsídio. E este número já muito elevado vai
continuar a crescer com o aumento do desemprego. E Sócrates afirma que o
alargamento do subsídio social de desemprego (de valor inferior a
340/mês) a mais 27.000 desempregados durante mais 6 meses resolveu
o problema. O mínimo que se pode dizer é que o 1º ministro
revela uma total insensibilidade social, e desconhece a situação
difícil dos portugueses que perderam o emprego, única fonte de
rendimento para poderem viver.
O que é necessário é alargar o subsídio de
desemprego e não o subsídio social de desemprego como fez
Sócrates. E isso passa pela alteração dos critérios
aprovados pelo governo de Sócrates constante do Decreto 220/2006 que
aprovou. As alterações introduzidas pelo governo de
Sócrates na lei do subsídio de desemprego agravaram as
condições de atribuição do subsídio de
desemprego. Os jovens que entram no mercado de trabalho continuam a não
ter direito a qualquer subsídio. Para além disso, o
período a que o desempregado tem direito a receber subsídio de
desemprego foi reduzido, em média, entre 3 e 6 meses (contrariamente ao
que afirmou Sócrates no debate apenas uma percentagem reduzida de
desempregados os com mais de 45 anos de idade e com longas carreiras
contributivas poderão receber o subsídio de desemprego
durante 3 anos). E como isso já não fosse suficiente, um
desempregado que não consiga arranjar um contrato de trabalho por um
período superior a 21 meses seguidos nunca tem direito a receber
subsídio de desemprego, pois nunca conseguirá descontar 450 dias
para a Segurança Social num período de 24 meses imediatamente
anterior à data do desemprego como estabelece a lei. E os descontos para
a Segurança Social não acumulam em empregos sucessivos desde que
o trabalhador tenha estado desempregado e entre os sucessivos empregos tenha
recebido o subsídio de desemprego, o que impede o trabalhador de receber
subsídio de desemprego quando esteja de novo desempregado. É tudo
isto que tem de ser alterado na lei do subsídio de desemprego de
Sócrates. E é isso que o governo se tem recusado a fazer. E
Sócrates ainda afirma que defende um politica social de esquerda.
A COLOCAÇÃO DE 37.000 DESEMPREGADOS EM INSTITUIÇÕES
PRIVADAS DE SOLIDARIEDADE SOCIAL
O outro argumento utilizado por Sócrates é que reduziu o
desemprego colocando 37.000 desempregados em Instituições
Privadas de Solidariedade Social (IPSS). O que Sócrates não
explicou é que de acordo com informações que obtivemos o
trabalho destes desempregados está a ser pago fundamentalmente com o
subsídio de desemprego, sendo trabalho quase gratuito para estas
instituições, e que terminado o contrato, que tem normalmente a
duração de um ano, estes trabalhadores voltam á
situação de desempregados, muitos deles sem direito a receber o
subsídio de desemprego, devido ao período a que tinham direito a
receber ter-se esgotado precisamente porque o tempo em que trabalharam para
essas instituições privadas também descontou nesse
período de tempo a que tinham direito ao subsídio. Dizer que isto
é uma politica social de esquerda é, pelo menos, revelar grande
insensibilidade social.
APENAS 16 EM CADA 100 REFORMADOS DA SEGURANÇA SOCIAL COM PENSÕES
INFERIORES AO LIMIAR DA POBREZA É QUE ESTÃO A RECEBER O
COMPLEMENTO SOLIDÁRIO DE IDOSO
A quarta medida utilizada por Sócrates no debate para convencer a
opinião pública que defende uma politica social de esquerda
é a atribuição do Complemento Solidário de Idoso a
227.000 reformados.
Para se poder avaliar os efeitos do Complemento Solidário de Idoso,
interessa saber qual a percentagem de reformados a receber pensões
inferiores ao limiar de pobreza (354,29 euros/mês 14 meses), que
recebem este complemento (CSI).
De acordo com dados que estão disponíveis no "site" do
Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social existiam, em Julho de
2009, cerca de 300.000 pensionistas de invalidez cuja pensão
média, em Julho de 2009, era apenas de 366,36 euros por mês.
Embora muitos deles recebam pensões inferiores ao limiar da pobreza,
pois a pensão média é superior ao limiar da pobreza apenas
em 12 euros, mesmo assim não os vamos considerar. Mas é evidente
que um reformado que receba 354,29/mês, ou mesmo menos, como
acontecerá com muitos, certamente vive na pobreza.
Por outro lado, em relação à pensão de velhice,
segundo o Ministério do Trabalho (os dados estão
disponíveis no seu "site"), em Julho de 2009, existiam 193.541
reformados do Regime Regulamentar Rural que recebiam uma pensão mensal
de apenas 224,62 euros; 34.145 do Regime de Pensão Social e do Regime
Transitório dos Rurais que recebiam, por mês, uma pensão de
somente 187,18 euros, portanto valores, todos eles, inferiores ao limiar de
pobreza (354,29 euros/mês).
Para além destes reformados a receberam pensões de velhice,
também existiam em Julho de 2009, segundo o Ministério do
Trabalho e da Solidariedade Social, 1.607.024 reformados do Regime Geral da
Segurança Social a receberam pensões de velhice. Em Julho de
2009, a pensão média recebida por estes reformados era apenas de
473,31 euros por mês.
Se desagregarmos estes pensionistas por escalões de valores de
pensões, utilizando para fazer estimativas dados fornecidos à
Assembleia da República em 2008 pelo Ministério do Trabalho,
concluímos que, em Julho de 2009, cerca de 74% dos reformados do Regime
Geral, que corresponde a 1.189.197, recebem pensões inferiores a 340
euros por mês, ou seja, inferiores ao limiar da pobreza
(354,29/mês).
Se somarmos os reformados do Regime Regulamentar Rural (193.541), aos do Regime
de Pensão Social e do Regime Transitório dos Rurais (34.145) e
aos 1.189.197 reformados do Regime Geral com pensões de velhice
inferiores a 340 euros por mês, obtém-se 1.416.883 reformados que
recebem actualmente pensões inferiores ao limiar de pobreza
(354,29/mês). Deste total, apenas 227.000, ou seja, 16%, segundo
Sócrates, é que estão a receber o Complemento
Solidário de Idoso. E isto apesar do Ministro do Trabalho ter afirmado
que no fim de 2009 o número de reformados a receber o Complemento
Solidário de Idoso seria de meio milhão. Também aqui as
promessas deste governo não foram cumpridas. Dizer que isto é uma
politica social de esquerda é revelar, no mínimo, insensibilidade
social
NO CÁLCULO DO RENDIMENTO DO REFORMADO CONTINUA A SER CONSIDERADO
TAMBÉM OS RENDIMENTOS DOS FILHOS
Para compreender melhor o que Sócrates entende por politica social de
"esquerda" interessa aprofundar mais o Complemento Social de Idoso
tão utilizado pelo 1º ministro na sua propaganda.
Para que um reformado tenha direito a receber o complemento solidário de
idoso é necessário que tenha actualmente um rendimento anual que
não pode ser superior a 4.960 euros, ou seja, a 354,29 euros por
mês (14 meses). No entanto, é preciso ter presente que para o
cálculo do rendimento do reformado é considerado não
só todos os outros rendimentos que eventualmente o reformado receba (por
ex., o juro de um pequeno deposito a prazo, ou a renda de qualquer propriedade
que tenha arrendada) mas também os rendimentos dos filhos.
Anteriormente, o reformado para poder ter direito ao complemento teria de
apresentar a declaração de IRS dos filhos, Agora para ter direito
ao CSI, passou a ser obrigado a fornecer à Segurança Social o
número fiscal dos filhos, para que esta obtenha, através do
Ministério das Finanças, o rendimento dos filhos. E de acordo com
o rendimento dos filhos poderá não ser acrescentado ao rendimento
do reformado nada, ou então adicionado 248 euros ou mesmo 496 euros.
Depende da dimensão do rendimento do(s) filho(s). Se a soma ultrapassar
os 4.960 euros por ano, o reformado já não terá direito ao
Complemento Social de Idoso.
É evidente que a soma no rendimento do reformado deste falso rendimento
(o dos filhos), por um lado, e, por outro lado, a relutância e mesmo a
recusa de muitos reformados em envolverem ou em darem o número fiscal
dos filhos tem afastado muito milhares de reformados do acesso ao reduzido
valor do complemento. O governo de Sócrates sabe que isso é um
obstáculo, mas recusa-se a eliminá-lo apesar de várias
entidades, nomeadamente a CGTP, o terem pedido. O objectivo parece ser claro:
impedir que um número elevado de reformados possa ter acesso ao
complemento solidário de idoso apesar de ser um valor insuficiente para
tirar o reformado da miséria. Eis o que Sócrates entende
também por "politica social de esquerda".
O COMPLEMENTO SOLIDÁRIO DE IDOSO NÃO TIRA NENHUM REFORMADO DA
MISÉRIA
Contrariamente ao que Sócrates pretendeu fazer crer durante o debate, o
Complemento Solidário de Idoso não tira o reformado da
miséria. Basta recordar o seu valor médio actual.
Em 2009, de acordo com o Boletim Informativo da Direcção Geral do
Orçamento do Ministério das Finanças, até ao fim do
mês de Julho, a Segurança Social gastou com o Complemento
Solidário de Idoso apenas 127,6 milhões de euros. Se dividirmos
este valor pelos 227.000 reformados que, segundo Sócrates, estariam a
receber o complemento e, depois, por sete meses, pois aquele montante diz
respeito ao período de Janeiro a Julho de 2009, obtém-se em
média por reformado e por mês apenas 80,30 euros.
A pergunta que imediatamente se coloca e se deixa para reflexão do
leitor é a seguinte: Um reformado que esteja a receber uma pensão
inferior ao limiar de pobreza, que é apenas de 354,29 euros por
mês, e que receba o Complemento Solidário de Idoso, cujo valor
médio é apenas de mais 80,30 euros por mês, porventura
deixará de ser pobre? Mais 80,30 euros por mês significam apenas
mais 2,67 euros por dia. E alguém poderá pensar que um reformado,
que viva na miséria, conseguirá sair dela apenas com tal
importância (2,67/dia)? Só Sócrates com a sua
insensibilidade social poderá dizer ou pensar afirmativamente tal coisa,
como o fez.
07/Setembro/2009
[*]
Economista,
edr2@netcabo.pt
,
www.eugeniorosa.com
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