O presidente do IEFP afirma que em 2008 eliminou 535 mil desempregados dos
ficheiros
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Segundo o IEFP, o desemprego registado em 30/04/2009 atingiu 491.635, ou seja, mais 23,7% do que em Abril-2008. Apesar deste elevado crescimento, este número só não é muito maior porque todos os meses o IEFP elimina dezenas de milhares desempregados dos seus ficheiros. Por trás de cada eliminação está uma pessoa, quando não mesmo uma família, em grandes dificuldades. O Presidente do IEFP, Francisco Madelino, numa intervenção que fez durante um programa da Antena 1 e da RTPN entre 11-12 horas da manhã realizado no dia 20/05/2009, em que também participamos (o vídeo desse programa está disponível no "site" da RTP), afirmou que o IEFP tinha eliminado, durante o ano de 2008, 535.656 desempregados dos seus ficheiros (deu médias mensais, mas com elas facilmente se calculam valores anuais). E as razões que apresentou para justificar a eliminação de tão elevado número de desempregados são várias (Quadro I), sendo as mais importantes duas: as auto-colocações (24,6% do total) e as eliminações de desempregados que não responderam às notificações (cartas) enviadas pelo IEFP (51,6%, do total). Em relação às auto-colocações registadas em 2008 132.000 desempregados segundo o Presidente do IEFP correspondem ao dobro das colocações feitas pelo IEFP no mesmo ano. Em 2008, o IEFP conseguiu arranjar emprego para apenas 64.521 desempregados que estavam inscritos nos Centros de Emprego, o que corresponde somente a 48,9%, ou seja, a menos de metade das auto-colocações verificadas em 2008. A ser verdade o número de auto-colocações o mínimo que se poderá dizer é que o IEFP tem uma muito baixa produtividade neste campo. Relativamente, aos 276.000 desempregados que o Presidente do IEFP afirmou que ter sido eliminados dos ficheiros com base no facto de não terem respondido à Notificação (carta) enviada pelo IEFP, o mínimo que se poderá dizer é que uma decisão insólita e muito conveniente para baixar artificialmente o número de desempregados. A carta nem é registada (a CGTP fez uma proposta para que, pelo menos, a carta fosse registada, mas o Presidente do IEFP recusou), portanto nem se tem a certeza que ela foi recebida pelo desempregado, e sem qualquer outro aviso elimina-se o desempregado do ficheiro considerando que ele já não está nessa situação. Em 2009, só no período de Janeiro a Abril de 2009, já foram eliminados, pelo mesmo processo, 143.648 desempregados dos ficheiros do IEFP (Quadro II) o que contribuiu para reduzir significativamente os dados do desemprego registado divulgados mensalmente pelo IEFP. A mentira continua a ser um instrumento de manipulação da opinião pública. Na sua intervenção no programa da RTPN de um anticomunismo primário, que me dispenso de comentar, Francisco Madelino também disse duas grandes mentiras. A primeira que utilizo "dados de Eugénio Rosa" (foram as palavras que utilizou), procurando dar a ideia que "fabrico" dados. Os dados que utilizo sobre desemprego são sempre dados oficiais do INE e do IEFP que qualquer leitor pode ter acesso através da Internet. A segunda grande mentira é que os critérios que o IEFP está a utilizar para eliminar desempregados dos ficheiros foram aprovados pela CGTP. Os critérios constam de uma Norma Interna aprovada pelo Conselho Directivo do IEFP no qual a CGTP não participa. A falta de credibilidade dos dados sobre o desemprego registado divulgados mensalmente pelo IEFP exige, pelo menos, duas medidas imediatas: (1) Que seja realizada uma auditoria externa independente, não ao chamado "apagão" que é apenas a ponta do "iceberg," mas sim aos critérios utilizados e à sua aplicação pelo IEFP para eliminar dos seus ficheiros, todos os meses, dezenas de milhares de desempregados que se inscreveram nos Centros de Emprego; (2) Que passe a constar da Informação que o IEFP divulgada todos os meses, também o número de desempregados que são eliminados dos ficheiros assim como as respectivas razões. O IEFP, que é um instituto público pago com uma percentagem dos descontos dos trabalhadores para a Segurança Social, não pode ser um instrumento utilizado pelo governo para manipular e enganar a opinião pública sobre o desemprego. É necessário conhecer os verdadeiros números do desemprego no nosso País para que sejam aplicadas medidas adequadas de combate ao desemprego, pois as aprovadas até a este momento pelo governo têm sido manifestamente insuficientes, já que os seus efeitos são reduzidos como rapidamente se conclui face ao aumento vertiginoso do desemprego em Portugal. |
Os dados dos desempregados divulgados mensalmente pelo IEFP não incluem
a totalidade dos desempregados. Só incluem os desempregados que tomaram
a iniciativa de se inscreverem nos Centros de Emprego. Todos os desempregados
que não se inscreveram nos Centros de Emprego, e são ainda
muitos, não estão incluídos nos números do
desemprego registado divulgados mensalmente pelo IEFP. Apesar disso, e apesar
do elevado número de desempregados eliminados dos ficheiros do IEFP, que
se falará mais à frente, o desemprego registado atingiu, no fim
de Abril de 2009, 491.635 desempregados, ou seja mais 23,7% do que em Abril de
2008. Mas mesmo estes valores não reflectem totalmente a realidade. E
para concluir basta ter presente o seguinte. O Presidente do IEFP, Francisco
Madelino, numa intervenção que fez durante um programa da Antena
1 e da RTPN entre as 11horas e 12 horas da manhã realizado no dia 20 de
Maio de 2009, em que também participamos, afirmou que o IEFP tinha
eliminado, durante o ano de 2008, 535.656 desempregados dos seus ficheiros. E
as razões que apresentou para eliminar um número tão
elevado de desempregados dos registos do IEFP foram as que constam do quadro
seguinte.
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eliminados mensalmente em 2008 (*) |
eliminados durante o ano de 2008 |
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| Auto-colocação | 11.000 | 132.000 | 24,6% |
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Não responderam à Notificação
(carta) enviada pelo IEFP |
23.000 | 276.000 | 51,5% |
| Reforma | 1.124 | 13.488 | 2,5% |
| Formação | 2.505 | 30.060 | 5,6% |
| Emigraram | 1.245 | 14.940 | 2,8% |
| Inserção em iniciativas de emprego | 1.508 | 18.096 | 3,4% |
| Recusa emprego conveniente | 373 | 4.476 | 0,8% |
| Outras razões | 3.883 | 46.596 | 8,7% |
| TOTAL | 44.638 | 535.656 | 100,0% |
Se somarmos ao desemprego registado em 31/12/.2007 divulgado pelo IEFP
(390.280) os novos desempregados que se inscreveram durante o ano de 2008
(608.096) e se deduzirmos ao valor assim obtido as colocações de
desempregados realizadas pelos Centros de Emprego durante o mesmo ano (64.521),
e se depois comparamos o valor assim obtido (933.855) com o desemprego
registado em 31/12/2008 divulgado pelo IEFP (416.005), rapidamente se conclui
que o numero de desempregados eliminados dos ficheiros do IEFP durante o ano de
2008 somou 517.218. No entanto, como o presidente do IEFP afirmou que os
desempregados eliminados dos ficheiros do IEFP durante este ano foram os que
contam do Quadro I, serão estes que utilizaremos.
Neste quadro, construído com os dados fornecidos pelo próprio
Presidente do IEFP há, pelo menos duas situações que
merecem uma reflexão, pelo peso que têm, que são: o elevado
número de auto-colocações (24,6% do total) e o
número de desempregados eliminados por não terem respondido
à carta enviada pelo IEFP (51,6%).
Em relação às auto-colocações registadas em
2008 132.000 desempregados segundo o Presidente do IEFP elas
correspondem ao dobro das colocações feitas pelo IEFP no mesmo
ano. Efectivamente, em 2008, de acordo com a informação que
divulga mensalmente, o IEFP conseguiu arranjar emprego para apenas 64.521
desempregados que estavam inscritos nos Centros de Emprego, o que corresponde
somente a 48,9%, ou seja, menos de metade das auto-colocações
verificadas em 2008. A ser verdade o número de
auto-colocações o mínimo que se poderá dizer
é que o IEFP tem uma muito baixa produtividade neste campo.
Relativamente, aos 276.000 desempregados que o Presidente do IEFP afirmou que
foram eliminados dos ficheiros com base no facto de não terem respondido
à notificação (carta) enviada pelo IEFP, o mínimo
que se poderá dizer é que é uma decisão
insólita e muito conveniente para baixar artificialmente o número
de desempregados. A carta nem é registada (a CGTP fez uma proposta que,
pelo menos, a carta fosse registada, e o Presidente do IEFP recusou), portanto
nem se tem a certeza que ela foi recebida pelo desempregado, e sem qualquer
outro aviso elimina-se o desempregado do ficheiro considerando que ele
já não está nessa situação. É por
essa razão que muitos portugueses que intervieram no programa da Antena
1, por telefone, contaram casos em que tiveram de se inscrever nos Centros de
Emprego várias vezes pelo facto do seu nome ter sido eliminado dos
ficheiros várias vezes.
EM 2009, ATÉ ABRIL JÁ FORAM ELIMINADOS 143.658 DESEMPREGADOS DOS
FICHEIROS
O quadro seguinte, construído com dados divulgados na
"Informação mensal do mercado de emprego", mostra que a
eliminação de desempregados dos ficheiros do IEFP continua este
ano.
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inscritos nos Centros de Emprego |
| 1- Desempregados em 31/12/2008 | 416.005 |
| 2- Novos desempregados inscritos de Jan-Abr/2009 | 237.077 |
| 3- Colocações de desempregados pelo IEFP de Jan-Ab2009 | 17.789 |
| 4- TOTAL em 30/04/2009= (1)+(2)-(3) | 635.293 |
| 5- Desemprego registado em 30/04/2009 segundo o IEFP | 491.635 |
| 6- DESEMPREGADOS ELIMINADOS DOS FICHEIROS DO IEFP NO PERIODO Jan-Abr/2009 = (4)-(5) | 143.658 |
Portanto, nos quatro primeiros meses de 2009, já foram eliminados dos
ficheiros do IEFP 143.658 desempregados, o que corresponde a uma média
mensal de 35.914, o que é um número muito elevado. Face a este
elevado número de eliminações torna-se cada vez mais
necessário uma auditoria para analisar a consistência dos
critérios utilizados pelo IEFP, e para tornar todo este processo mais
transparente. Neste momento, o IEFP é uma autêntica "caixa
preta": sabe-se o que entrou e saiu, mas ignora-se completamente o que se
passa dentro do próprio Instituto no que se refere à
eliminação de desempregados dos ficheiros do IEFP.
A MENTIRA COMO INSTRUMENTO DE MANIPULAÇÃO E DE ENGANO DA
OPINIÃO PÚBLICA
Na longa intervenção de um anticomunismo primário feita
pelo Presidente do IEFP no programa da Antena 1 e da RTPN, que me dispenso de
comentar (para quem tiver paciência para a ouvir a peça, que
lembra os escritos do Diário da Manhã da União Nacional,
que era o partido único fascista permitido antes do 25 de Abril, o
vídeo está disponível no "site" da RTP), existem
duas mentiras que foram ditas pelo Presidente do IEFP no programa da Antena 1
da RTPN que interessa esclarecer.
A primeira grande mentira é que os dados que tenho utilizado para
denunciar esta situação são dados de "Eugénio
Rosa" como ele afirma repetidamente, procurando assim dizer que são
"dados fabricados". A segunda grande mentira é que a CGTP
aprovou no Conselho de Administração do IEFP os critérios
de eliminação dos desempregados dos ficheiros do IEFP.
Em relação à primeira mentira, que é uma
repetição monocórdia do ministro do Trabalho, portanto do
ministro que tutela Francisco Madelino, quando o confrontei directamente na
Assembleia da República com a mesma questão, os leitores
poderão sempre avaliar a consistência dos dados que utilizo,
porque indico sempre as fontes oficiais onde os vou buscar. E os dados do
emprego e desemprego que utilizo são sempre dados do INE ou do IEFP que
estão disponíveis nos "sites" destes organismos
oficiais, que qualquer leitor poderá consultar facilmente utilizando a
Internet.
A segunda grande mentira de Francisco Madelino é que os critérios
que o IEFP está a utilizar para eliminar um número tão
elevado de desempregados foram aprovados pela CGTP. Os critérios de
eliminação constam de Normas Internas que são aprovadas
pela Conselho Directivo do IEFP, onde não participa a CGTP, e não
pelo Conselho de Administração onde estão representantes
da CGTP que, apesar do nome que tem, possui de facto apenas
funções consultivas (eu nunca fui representante da CGTP no IEFP
apesar de Francisco Madelino ter insinuado também isso na sua
intervenção). O que tem acontecido é que o Presidente do
IEFP, Francisco Madelino, não fornece esses dados ao Conselho de
Administração e recusou mesmo várias vezes cedê-los
à CGTP apesar desta os ter pedido directamente. Vamos ver se daqui para
o futuro começa a fornecê-los ao Conselho da
Administração do IEFP com as justificação concretas
das razões que levam a eliminar um não número tão
elevado de desempregados dos ficheiros do IEFP
A falta de credibilidade dos dados sobre o desemprego registado divulgados
mensalmente pelo IEFP exige, pelo menos, duas medidas imediatas: (1) Que seja
realizada uma auditoria externa independente, não ao chamado
"apagão", mas sim aos critérios utilizados e à
sua aplicação pelo IEFP para eliminar dos seus ficheiros, todos
os meses, dezenas de milhares de desempregados que se inscreveram nos Centros
de Emprego; (2) Que passe a constar da Informação que o IEFP
divulga todos os meses, o número de desempregados que são
eliminados dos ficheiros assim como as respectivas razões.