A destruição de emprego e o desemprego disparam em Portugal,
mas o apoio aos desempregados e à criação de emprego diminuem

por Eugénio Rosa [*]

Como era previsível a politica recessiva do governo de Sócrates, que tem o apoio do PSD, com o objectivo de reduzir abruptamente e sem olhar às consequências o défice orçamental, está a determinar a destruição rápida do emprego em Portugal, e a fazer disparar o desemprego

EM 2010, DURANTE OS PRIMEIROS TRÊS TRIMESTRES, FORAM DESTRUIDOS UMA MÉDIA DE 221 EMPREGOS POR DIA EM PORTUGAL

A destruição do emprego existente no nosso País é dramática como mostra com clareza o gráfico seguinte construído com os dados divulgados pelo INE.

Gráfico 1.

No período compreendido entre o 2º Trimestre de 2008 e o 3º Trimestre de 2010, foram destruídos em Portugal 264,3 mil empregos, sendo 59,7 mil já em 2010 (14,8 mil no 1º Trimestre; 17,1 mil no 2º Trimestre; e 27,8 mil no 3º Trimestre de 2010), ou seja, ao ritmo de 221 empregos por dia este ano

DEVIDO À DESTRUIÇÃO RÁPIDA DO EMPREGO, O DESEMPREGO DISPAROU

Como consequência da destruição rápida do emprego no nosso País, e como mostram os dados que o INE a acabou de divulgar constante do quadro seguinte, o desemprego disparou sendo, por isso, a realidade bastante diferente daquela que o governo teima em afirmar.

Quadro 1 – Variação do desemprego oficial e efectivo no período
2º Trimestre 2008/3ª Trimestre de 2010
PORTUGAL
VALOR TRIMESTRAL - Milhares
1ºTrim.
2009
2ºTrim.
2009
3ºTrim.
2009
4ºTrim.
2009
1ºTrim.
2010
2º Trim.
2010
3º Trim.
2010
1-População Activa 5.594,8 5.583,9 5.565,3 5.586,8 5.600,8 5.581,4 5.573,0
2-Desemprego Oficial 495,8 507,7 547,7 563,3 592,2 589,8 609,4
3-Subemprego visível 61,3 63,3 66,5 67,2 66 74,1 72,4
4-Inactivos disponíveis 67,2 64,2 82,7 73,5 71,1 66,1 79,7
5-Desemprego Efectivo (2+3+4) 624,3 635,2 696,9 704 729,3 730 761,5
6-Taxa Oficial de desemprego(2:1) 8,9% 9,1% 9,8% 10,1% 10,6% 10,6% 10,9%
7-Taxa Efectiva de desemprego (5):(4+1) 11,0% 11,2% 12,3% 12,4% 12,9% 12,9% 13,5%
Fonte : Estatística de Emprego - 1Trimestre de 2009 e 3º Trimestre de 2010

Como mostram os dados do INE, quer a taxa oficial de desemprego, que não inclui a totalidade dos desempregados, quer a taxa efectiva de desemprego, calculada com base também em dados divulgados pelo INE, que abrange um numero de desempregados mais próximo ao desemprego real existente no nosso País, revelam uma tendência muita rápida de aumento. No 3º Trimestre de 2010, a taxa oficial de desemprego atingiu 10,9%, mas a efectiva alcançou 13,5%, uma percentagem nunca antes atingida em Portugal.

APENAS 44 EM CADA 100 DESEMPREGADOS ESTÃO A RECEBER SUBSÍDIO DE DESEMPREGO E O SEU NÚMERO ESTÁ A DIMINUIR CONTINUAMENTE

Como consequência das alterações feitas na lei do subsídio de desemprego já este ano pelo governo, o número de desempregados a receber o subsídio de desemprego em Portugal está a diminuir dramaticamente, como mostra o gráfico seguinte construído com dados divulgados no "site" do Ministério do Trabalho, apesar do desemprego ter disparado.

Gráfico 2.

Em Setembro de 2010, de acordo com dados do Ministério do Trabalho, o número de desempregados a receber subsidio de desemprego era apenas de 331.092, o que correspondia somente a 43,5% do numero efectivo de desempregados existente nesse mês, e a 54,3% do número oficial de desempregados também nesse mês.

O APOIO AOS DESEMPREGADOS VAI AINDA DIMINUIR MAIS EM 2011 JÁ QUE O VALOR CONSTANTE NO ORÇAMENTO DA SEGURANÇA SOCIAL PARA 2011 DIMINUIU EM 156 MILHÕES €

De acordo com o Relatório do Orçamento do Estado para 2011 (pág. 140), em 2010 o governo estima gastar com o pagamento de subsídios a desempregados 2.247,91 milhões de euros. No entanto, apesar de toda a gente prever que o desemprego vai aumentar muito no próximo ano, como consequência das medidas recessivas aprovadas pelo governo, com o apoio do PSD, para reduzir drástica e repentinamente o défice orçamental, está inscrito no Orçamento da Segurança Social para pagar subsídios de desemprego em 2011 apenas 2.091,71 milhões de euros, ou seja, menos 156,22 milhões de euros do que este ano. É evidente que o governo tencionar apoiar um número ainda menor de desempregados e, consequentemente, a miséria aumentará de uma forma dramática em Portugal.

17/Novembro/2010
[*] Economista, edr2@netcabo.pt

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
20/Nov/10