A manipulação dos dados do desemprego e do emprego pelo governo
por Eugénio Rosa
[*]
Subir Lall, chefe de missão do FMI em Portugal, numa entrevista dada ao
Jornal de Noticias,
em Novembro de 2014, afirmou:
"Ninguém percebeu como é que o desemprego está a
baixar
. O chefe do FMI ainda não percebeu porque ele, como sempre aconteceu,
nunca se deu ao trabalho de estudar a realidade portuguesa. Foi essa uma das
causas do fracasso total do programa da "
troika
" e do governo PSD/CDS. Se tivesse estudado a realidade concreta
portuguesa rapidamente teria compreendido que a baixa da taxa de desemprego
oficial resulta de uma gigantesca manipulação dos dados do
desemprego feita pelo governo para enganar a opinião pública,
como revelam os dados do INE e do Instituto de Emprego e Formação
Profissional constantes do quadro 1.
Entre o 4º Trim.2011 e o 3º Trim.2014, ou seja, com o governo
PSD/CDS, o número de desempregados que não são
considerados no cálculo do desemprego oficial e também na taxa de
desemprego oficial aumentou em 89,2%, pois passou de 241.722 para 457.455
desempregados como consta do quadro 1.
Entre 2011 e 2014, os desempregados a receber subsídio de desemprego
correspondiam apenas entre 42,7% e 47,1% do desemprego oficial, o que
significava que mais de metade mesmo destes desempregados oficiais não
recebiam subsídio de desemprego. Mas se no lugar de se considerar apenas
o desemprego oficial, se se tiver em conta o desemprego real total aquela
percentagem já desce para entre 28,6% e 23,6%, o que significa que,
atualmente, cerca de três quartos dos trabalhadores que estão de
facto desempregados não recebem subsídio de desemprego. Este
facto fez disparar os desempregados a viver no limiar da pobreza para 40,2%
como revelam os dados do INE constantes do quadro 2, que não necessitam
de comentários devido à sua clareza
Os comentários são mesmo desnecessários.
13/Dezembro/2014
[*]
Economista,
edr2@netcabo.pt
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