Moedas, geopolítica, imobiliário, finanças...2014: a "grande retirada" americana
por GEAB
[*]
Entretanto, se se excluir os Estados Unidos que estão escorado num
status quo que lhe é favorável
[15]
, um verdadeiro sistema internacional não pode ser feito sem a zona
euro, cuja moeda representa cerca de 30% das trocas internacionais e das
reservas mundiais
[16]
, segunda moeda internacional muito adiante daquelas que a seguem. Ora, como
já se analisou longamente no último número do GEAB, o euro
permaneceu mais como um apoio do dólar do que como uma alternativa, em
particular pela sua incapacidade para se impor nos seus próprios
intercâmbios internacionais ao invés do dólar, o que levou
a este paradoxo: a enorme dinâmica comercial europeia serve directamente
a perenidade do dólar
[17]
. A comutação para um sistema monetário multipolar ainda
depende por enquanto da decisão da Eurolândia de abandonar o
dólar e tomar o comboio em marcha da actual transformação
monetária inelutável, conduzida em primeiro lugar pela China.
1 Citação de Goethe. 2 Intitulávamos na época: 2013, os primeiros passos num "mundo de depois" em plano caos. 3 Fonte: Gulf News, 01/12/2013. 4 Com efeito, o artigo anterior explica que já há economistas que desejam cortar a ligação ao dólar.... 5 Fonte: Business Day, 01/12/2013. 6 Na China nomeadamente: CNBC, 29/11/2013. 7 Fonte: Caixin, 10/12/2013. Ver também Le Monde, 13/12/2013. 8 Alguns pensam mesmo que o Ocidente não poderá manipular por muito mais tempo as cotações do ouro... pois não dispõem suficientemente deste metal. Fonte: Peak Prosperity, 06/12/2013. 9 O ouro pode servir para escorar uma moeda em curso de (re)legitimação internacional mas desde que esta acede a este estatuto internacional, ela recria de facto a confiança nas moedas. O ouro é então relegado à sua categoria de "relíquia bárbara", deixando as moedas apoiarem-se sobre as verdadeiras riquezas dos tempos modernos: energias, produção quantificada de riquezas, etc... O colapso da produtividade efectiva da economia estado-unidense sobre a qual estava fundamentada a moeda internacional (dólar) explica a enorme crise monetária que o mundo atravessa e à qual a emergência do yuan responde amplamente, proporcionando a base de uma re-vinculação das moedas às economias. O problema é que, ao aceder ao estatuto internacional, o yuan vai precipitar o colapso do dólar e da economia virtual americana, o que não deixará de ter efeitos sobre o resto do planeta. Eis porque, ainda nesta etapa, o LEAP continua a aconselhar seus leitores a diversificar uma parte dos seus haveres em ouro físico a fim de amortecer os choques antevistos em 2014, mas também será preciso saber vendê-lo a tempo. 10 Nós o notávamos no GEAB nº 79. Fontes: The BRICS Post (29/06/2013), The BRICS Post (12/11/2013). 11 Acerca deste dossier, na sequência dos ataques das agências de classificação americanas às notas europeias, a Europa fora dos primeiros a propor a criação de uma agência alternativa. Infelizmente, em Abril de 2013, ela concluiu pela impossibilidade de financiar uma agência de classificação europeia: demasiado caro, demasiado complicado! Desde então, os chineses, os russos, os africanos (com WARA, etc), todos eles criaram suas agências de classificação que se estruturam em redes mundiais (por exemplo no quadro da UCRG) para constituir um sistema de classificação adaptado ao mundo multipolar... sem que a Europa possa dele participar: a Europa não faz parte do sistema de classificação multipolar que está em gestação desde há algum tempo. Isto é aflitivo e coloca, ainda e sempre, esta pergunta: quem impediu a criação de uma tal agência na Europa? Provavelmente os mesmos que tentam sorrateiramente nos fazer passar o Tratado Transatlântico, as zonas de livre comércio anti-russas com a Ucrânia, a Moldávia, a Arménia, a integração da Turquia na UE, etc e que esperam ansiosamente ver a Europa tomar definitivamente a porta de saída dos negócios do mundo. Dirigindo-nos a dirigentes europeus, reiteramos nossa recomendação de criar o mais rapidamente possível uma tal agência! E que não se diga que a Europa não tem os meios e as competências para conduzir a bom porto este género de projecto... 12 Fonte: Reuters, 03/12/2013. Atenção: ao contrário do que é geralmente subentendido, o yuan não é (ainda) a segunda divisa do comércio internacional e de longe: trata-se aqui apenas de um certo tipo particular de operações e não de todos os intercâmbios comerciais (Fonte: Le Monde, 03/12/2013). Contudo, não há dúvida de que a ascensão do yuan é muito impressionante. 13 Fonte: Reuters, 03/12/2013. 14 Fonte: CNBC, 11/12/2013. 15 Na verdade eles não têm realmente opção uma vez que o seu poder repousa na sua capacidade de manter a supremacia do dólar. 16 Cf. GEAB n°62 (Fevereiro 2012). 17 É certo que esta aberração tem como vantagem notável evitar à moeda comum europeia ganhar demasiado valor. Mas esta é realmente a única vantagem... portanto pode-se perguntar se ela compensa aquelas que haveria em tornar o euro independente. 18 E que põe cada vez mais a UE de lado... Fonte: EUObserver, 11/12/2013. Aprofundamos este assunto na secção Telescópio. 19 Os Mitterrand, Kohl e outros no fim dos anos 80, princípios de 90. [NR] Resistir.info não endossa necessariamente tudo o que publica. No caso em apreço, considera que a ruína do dólar será acompanhada pela do euro.
15/Dezembro/2013
[*] Global Europe Anticipation Bulletin. O original encontra-se em www.leap2020.eu/... Este comunicado público encontra-se em http://resistir.info/ . |