Alto risco no sistema financeiro
Quando os
bail-ins
se esgotam, somam-se-lhe os
bail-outs
por EKAI Center
1. O EKAI Center tem advertido acerca da abertura de uma segunda fase nas
políticas anti-crise ocidentais, activada em consequência do
esgotamento das políticas de resgate bancário a cargo de fundos
públicos e da expansão monetária.
2. Com efeito, esgotadas ambas as políticas, nenhuma delas conseguiu
corrigir os desequilíbrios estruturais do sistema financeiro ocidental,
consequência do sobre-endividamento e dos riscos assumidos através
de operações especulativas da banca de investimento.
3. Diante desta situação, a nova estratégia concebida
pelas potências ocidentais baseia-se fundamentalmente nas
políticas do
bail-in
ou resgate interno e, complementarmente, em modelos atenuados de
separação de banca de investimento e banca comercial.
4. Contudo, a transição rumo à segunda fase vai ser
já está a ser de alto risco. A grande banca ocidental
sobreviveu com base nas enormes transferências de recursos canalizadas a
partir dos governos e dos bancos centrais e, no entanto, a
acumulação de riscos no sector bancário mantém-se
em níveis semelhantes aos de 2008.
5. Já advertimos em devido tempo que 2013 ia ser o ano da
transição para a segunda fase das políticas anti-crise e,
com efeito, durante este exercício verificou-se, por um lado, o primeiro
ensaio de aplicação do
bail-in
em Chipre e as primeiras tentativas da Reserva Federal dos EUA de reorientar
sua estratégia monetária.
6. Como era previsível, a reorientação das
políticas monetárias nos EUA está certamente a resultar
complicada. Bastaram meras insinuações dos responsáveis a
Reserva Federal sobre um possível término da estratégia de
expansão monetária para que os mercados financeiros sofressem
quedas enormes. A partir de então, as novas sondagens tímidas e
desmentidos foram uma constante. Tal como as fugas de informação
sobre as divisões no seio do Conselho da Reserva Federal e sobre o peso
crescente dos partidários da contenção da expansão
monetária.
7. Em consequência deste novo clima, os mercados financeiros já
sabem que as aquisições maciças de activos e as taxas de
juro próximas de zero não vão durar muito tempo e isso
transferiu-se rapidamente às taxas de juro nos EUA, que estão a
sofrer uma alta acelerada.
8. Como se vê, estas taxas de juro, que se estão a reduzir de
modo constante desde 2007, tornaram a subir rapidamente, inclusive antes de a
Reserva Federal começar a modificar suas políticas
monetárias.
9. Este Outono pode ser decisivo. Tudo parece indicar que, tanto perante a
prevista substituição do presidente da Reserva Federal como
perante o início da mudança das políticas
monetárias e a acumulação das tensões internas dos
mercados financeiros, encontramo-nos perante um alto risco de explosão
de certas grandes entidades financeiras.
10. Diante de tal situação, podemos antecipar o que
acontecerá se se aplicarem as medidas previstas de resgate interno, ou
bail-in.
Ou, dizendo melhor, podemos prevê-lo no caso dos bancos estritamente
comerciais. Nestes, a compensação de perdas a cargo dos saldos de
accionistas e investidores será mais que suficiente para evitar danos
aos depositantes e sem recorrer a resgates a cargo de fundos públicos.
Também podemos antecipar que, no caso da grande banca de investimentos,
a dissolução das entidades afectadas será com
frequência o resultado lógico dos processos de
resolução, se efectivamente se mantiver o critério
actualmente proclamado de evitar afectar fundos públicos.
11. O problema está nos grandes bancos comerciais ocidentais com riscos
especulativos importantes. Neste caso, o risco de que o mecanismo de
bail-in
implique fazer os custos sobre os depositantes certamente é elevado,
salvo se antes da abertura destes processos os riscos
especulativos tiverem sido separados adequadamente da actividade de banca
comercial. E não está claro que esta separação
venha a ser efectuada a tempo.
12. Recordemos que estes grandes riscos especulativos afectam não
só a grande banca de investimento dos EUA como também grandes
bancos europeus, que constituem neste momento a verdadeira ameaça para a
estabilidade dos nossos países. Praticamente todos os estados europeus
têm problemas a respeito: Crédit Suisse e UBS na
Suíça, Commerzbank e Deutsche Bank na Alemanha, BBVA e Grupo
Santander em Espanha, BNP, Crédit Agricole e Société
Générale em França.
13. Os riscos reais destes grandes bancos são em boa parte
desconhecidos. Junto aos riscos de banca comercial, preocupam em particular os
gerados pelas suas operações com derivados financeiros, muitas
delas nos países anglo-saxónicos, certamente complexos e
difíceis de quantificar. Mas são, em qualquer caso, enormes.
Há que ter em conta também que a política expansiva da
Reserva Federal não destinou a ajudar os bancos dos EUA e sim, em boa
parte, a ajudar os grandes bancos europeus em dificuldades, com grande surpresa
daqueles que desconhecem as redes de interesses financeiros internacionais.
14. Em qualquer caso, é de recordar que a ascensão das taxas de
juro foi o detonador da crise das hipotecas imobiliárias em 2007. Quem
quiser dispor de uma referência directa sobre o risco de uma nova
explosão da crise financeira ou de possíveis quedas de grandes
bancos, recomendamos que acompanhe com atenção a
evolução das taxas de juro do Tesouro dos EUA.
19/Agosto/2013
O original encontra-se em
ekaigroup.blogspot.com.es/...
Este documento encontra-se em
http://resistir.info/
.
|