Colômbia
Uma voz vinda do cárcere
por Cmte. Simón Trinidad
Primeiras declarações do comandante Simón Trinidad, das
FARC, preso no cárcere de máxima segurança de
Cómbita, na Colômbia. O texto, difundido pela
ANNCOL
, revela que
foi detido no Equador por militares americanos e colombianos. O comandante
revela que realizava naquele país uma importante missão para o
futuro da paz.
A todos os compatriotas que desejam e lutam por uma pátria com
trabalho, pão, teto, saúde, educação, liberdades
políticas, Forças Armadas Bolivarianas e respeito pela nossa
soberania nacional.
Sei há muitos anos que o cárcere também é uma
possibilidade no nosso caminho para a vitória. Por isso, na minha
condição de prisioneiro de guerra, continuarei a luta. Assim o
dita minha consciência. Continuo convencido de que a causa popular, que
abracei anos atrás e pela qual abandonei todos os privilégios
económicos, sociais, culturais e políticos que algum dia tive,
é a mais justa e nobre que um verdadeiro revolucionário deve
assumir.
Assim me ensinaram, com o seu exemplo, milhões de compatriotas simples,
humildes, mas muito valentes, que em variadas formas de combate popular
historicamente procuraram e procuram realizar as mudanças profundas que
a Colômbia exige com urgência.
A minoria uribinista no poder pretende desmoralizar os lutadores populares e os
seus organizadores ao fazer crer que com a minha captura no Equador deram um
golpe demolidor nas FARC - Exército do Povo.
Vã ilusão. Sou apenas mais um dos tantos milhares de
guerrilheiros da organização. As FARC-EP continuarão
sólidas em toda a Colômbia porque as causas que deram origem ao
nosso levantamento em armas continuam a vigorar: um regime político
oligárquico, corrupto e terrorista, que entregou nossa soberania aos
Estados Unidos; a concentração indignante da riqueza; as
profundas desigualdades sociais que dividem os colombianos; e umas
forças militares que com a guerra sustentam tudo isso e traem o
ideário do Libertador Simón Bolívar.
No Equador avançava uma missão importante para o futuro da paz na
Colômbia, mas não estou autorizado a dizer qual.
Ninguém me delatou em Quito. A polícia descobriu-me
através do seguimento que faziam à pessoa onde me alojei, e
informou militares colombianos e agentes gringos,os quais efectuaram a
operação de captura.
Assim, o pagamento de milhares e milhares de dólares a um delator
fantasma é outro roubo mais dos corruptos que manobram os
orçamentos multimilionários para a 'segurança
democrática'.
Agradeço as vozes de alento dos jornalistas homens e mulheres
postados na entrada da Fiscalía, espero, isso sim, objectividade
na informação. Não se deixem manipular pelos seus chefes
e donos desse aparelho de propaganda oligárquica em que se converteram
os meios de informação.
E não digo mais porque estou a violar determinações
superiores. Não estou autorizado a emitir opiniões
públicas, só o Estado Maior e o seu Secretariado estão a
pronunciar-se publicamente e eu não pertenço nem a um nem ao
outro.
Abraço revolucionário a todos os combatentes das
FARC-Exército do Povo, aos milicianos populares e bolivarianos, aos
camaradas do Partido Comunista Clandestino Colombiano e, sobretudo, aos
milhares de operários, camponeses, estudantes, populares,
indígenas, profissionais, artistas, militares patriotas e sacerdotes de
base membros do Movimento Bolivariano.
Viva Bolívar! e adiante com a luta.
Contra o imperialismo, pela pátria!
Contra a oligarquia, com o povo!
O comunicado das FARC-EP acerca da captura do Cmte. Simón Trinidad está em
http://resistir.info/colombia/comunicado_13jan04.html
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Ver também
De Lucio, o traidor a Simón, o herói
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Este texto encontra-se em
http://resistir.info
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