Compatriotas:
Termina o ano de 2003 com a intensificação da guerra interna em
nosso país, ano de tenebrosas capturas maciças que deixam vazias
pequenas aldeias e cárceres repletos de inocentes; ano da
reedição do "Estatuto de Segurança" ou "Lei
antiterrorista" que anuncia mais atropelos aos direitos humanos, mais
torturas, assassinatos e desaparecimentos. Ano de incremento da humilhante
extradição de nacionais para os Estados Unidos. Ano de mais
impostos para a guerra, para a corrupção e para servir o
pagamento da indignante dívida com o fundo usurário
internacional. Ano de intensificação das criminosas
fumigações que destroem a selva e a sobrevivência de
milhares de famílias. Ano em que somam 3 milhões os deslocados
pelo terror oficial-paramilitar. Ano das mentiras repetidas cem vezes para
torná-las verdade; da grosseira montagem para perdoar e recauchutar os
sicários paramilitares. E também ano do referendo que
proporcionou a Álvaro Uribe um estrondoso fracasso graças aos 76
por cento dos colombianos com capacidade de votar, que recusaram seu projecto
fascista de governo.
A minoria uribista no poder aposta na guerra acariciando o sonho
impossível da "pax romana". Não quer saber de pombas
nem em pintura, para não pagar a imensa dívida social que tem
para com a grande maioria dos colombianos. Por essa mesma razão,
cancelaram a possibilidade do diálogo, para não ter que discutir
com o povo acerca dos seus indignantes privilégios em um dos
países mais desiguais do mundo. Para continuar a aposentar
milionariamente os generais da guerra suja ou promove-los em troca da
exigência de resultados impossíveis.
E enquanto os conglomerados económicos, nacionais e internacionais,
fazem grandes negócios e publicitam lucros multimilionários, a
miséria, a fome, o desemprego crescem sem cessar. Isso não pode
ser escondido por mais números manipulados, luzes multicoloridas e
discursos bonitos que utilizem. Amostra: falam de êxitos em
Bogotá, mas a pobreza, que há 4 anos afectava 35 por cento da sua
população, atinge agora mais de 50 por cento, a indigência
que era de 5 por cento subiu agora para 15 por cento e os seus dois hospitais
mais populares e importantes debatem-se na agonia.
A Colômbia terminou o ano de 2003 com mais de 60 por cento da sua
população afundada na pobreza absoluta.
Por isso é absurdo que a oligarquia, com a sua propaganda, pretenda
enfrentar um povo pobre e sem emprego com os seus próprios filhos, que
lutam alçados em armas contra o Estado e as injustiças. Essa
pretensão é insustentável! Os próprios soldados e
comandos intermediários do exército oficial dão-se conta,
pouco a pouco, que não estão a defender nada de justo e que os
ricaços nunca vão para a linha de frente.
O movimento insurgente revolucionário continua à frente e os seus
combatentes levantam com consciência e honra as nossas bandeiras pela
causa comum: a paz de uma nova Colômbia com terra, créditos
baratos e subsídios para todos os camponeses. Com emprego porque
há 6 milhões que não o tem. Com educação
porque milhões de jovens não a tem. Com oportunidades
políticas porque o sistema só admite as admite àqueles que
não ameacem o seu poder e os seus privilégios, enquanto fomenta a
impunidade pelo assassinato de milhares de opositores. Um novo país com
saúde para todos e não com esmolas. Com cuidado da nossa verde
biodiversidade e de todos os nossos recursos. Com fomento e defesa da
indústria nacional e da investigação científica.
Um país que trace para si próprio a sua própria
estratégia com as melhores ideias que nos foram legadas pelo libertador
Simón Bolívar.
Convidamos o nosso povo à luta no ano de 2004, por melhores
condições de vida, pela paz, pão, trabalho, dignidade e
independência. A manter presença combativa nas ruas e caminhos,
nas fábricas, colégios e universidades. A recusar o fascismo, a
exigir a troca de prisioneiros de guerra, a brigar pela formação
de um novo governo de reconciliação e reconstrução
nacional. A expressar incredulidade e indignação frente a toda a
mentirosa, maquilhada e narcisista propaganda oficial.
Estaremos presentes em todas as lutas populares, buscando encurtar este
doloroso período da vida nacional, que nos há de conduzir
à paz. Contem connosco em todos os momentos e formas da luta pelo bem
estar progressivo e pelo salto a uma nova sociedade que será produto da
consciência e da luta decidida das maiorias.
Honramos a memória dos milicianos, guerrilheiros e Comandantes das FARC,
que ofereceram a sua vida pela causa comum dos colombianos. O seu
sacrifício não foi em vão porque a proposta guerreirista
da oligarquia já mostra o seu fracasso. Os nossos caídos
são filhos simples deste povo a quem a propaganda oficial hoje pretende
apresentar como bandidos, tal como o faziam os espanhóis com os
comuneiros de José Antonio Galán e com os patriotas do
exército libertador.
Com a consciência e a combatividade crescente deste povo filho de
Bolívar, com nossos justos objectivos de luta, com nosso povo que vai
despertando e se vai organizando, o ano que começa, com todos os seus
sacrifícios, será de novos combate pelos verdadeiros direitos
humanos do nosso povo.
Intensificaremos esforços para alcançar um mundo melhor, pois
não acreditamos que este reino do egoísmo e da fome de
milhões de homens e mulheres seja a última etapa que a humanidade
pode alcançar. O pensamento político e social é
progressista e nisso apostamos.
Feliz ano de 2004, cheio de lutas e conquistas!
Secretariado do Estado Maior Central
Montanhas da Colômbia, Dezembro de 2003.
Saudação da FARC-EP aos prisioneiros e seus familiares
Com o término do ano de 2003 e o início do novo ano, fazemos
chegar nossa fraternal saudação de povo em armas aos prisioneiros
de guerra do governo, aos guerrilheiros, aos seus familiares e amigos que com
entusiasmo decidido preservarem em conseguir o objectivo da
libertação dos seus seres queridos.
Valorizamos cada um dos seus esforços para a obtenção da
troca ou acordo humanitário, instamos a que continuem nesta luta
acompanhados das personalidade e amigos de outros governos comprometidos em dar
a sua contribuição para a solução de tão
imperiosa necessidade.
Este ano de 2003 termina marcado pela indiferença de Álvaro Uribe
Vélez frente às reiteradas gestões de familiares e amigos
dos prisioneiros interessados na assinatura de uma acordo humanitário de
troca entre o Governo e as FARC que ponha fim ao cativeiro das pessoas privadas
da liberdade por razões do conflito interno colombiano. Uma parte deles
nas selvas agrestes e húmidas da nossa Pátria e os outros
recolhidos nos cárceres do Regime em deploráveis
condições pelo amontoamento, pelas restrições e
pelos maus tratos recebidos dos seus carcereiros.
A evidente ausência de vontade política do governo em concertar
com as FARC a troca de retidos políticos exprime-se na sua obstinada
negativa em responder às exigências da guerrilha expostas com
clareza no nosso comunicado público de 8 de Fevereiro de 2003 e
na
carta aberta de 27 de Abril do mesmo ano
, destinada aos ex-presidentes
liberais encabeçados por Alfonso López Michelsen, subscritos pelo
Secretariado do Estado Maior Central.
Não obstante a intransigência governamental e apesar do
silêncio imposto à nossa proposta de intercâmbio,
continuamos à espera de uma resposta oficial do governo quanto ao
objectivo de caminhar com passo firme para a libertação da
totalidade dos prisioneiros trocáveis, pelo que voltamos a resenhar
nossas exigências:
a) As eventuais entrevistas entre porta-vozes oficiais do Governo e das
FARC-EP, para a busca de acordo sobre a Troca de prisioneiros, deve efectuar-se
na Colômbia.
b) Para levar a cabo a entrevistas conducentes à assinatura da Troca ou
Acordo Humanitário requerem-se zonas desmilitarizadas, previamente
verificadas pela guerrilha.
c) Em desenvolvimento do acordo sobre a Troca as FARC-EP estão dispostas
a deixar em liberdade todos os Comandantes Militares e de Polícia em seu
poder, os doze deputados do Vale do Cauca, um ex-ministro de Estado, o
ex-governador do Meta, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e os
três agentes da CIA de nacionalidade norte-americana.
d) Em contraprestação à libertação destes
prisioneiros, as FARC exigem do Estado e do Governo a libertação
de todas as guerrilheiras e guerrilheiros privados da sua liberdade.
e) Receberemos do Governo nossos guerrilheiros prisioneiros na Colômbia,
no mesmo lugar em que faremos a entrega dos seus.
Igualmente ratificamos perante os senhores que, enquanto a força
pública no cumprimento de irresponsáveis e aventureiras ordens
presidenciais insistirem em efectuar resgates de prisioneiros por meio das
armas, os seus seres queridos correm riscos evidentes quanto à sua
integridade física porque os guerrilheiros estão obrigados a
prestar-lhes segurança até o dia do seu regresso a casa.
Atentamente,
Secretariado do Estado Maior Central
Montanhas da Colômbia, Dezembro de 2003
Estes comunicados encontram-se em
http://resistir.info
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