Presos políticos colombianos emitem comunicado
- Desconhecem os "gestores de paz" nomeados pelo governo para falar
em seu nome
- Reiteram a sua vontade de paz através de acordo humanitário
- Defendem a "visibilização" dos mais de 7000 presos
políticos na Colômbia
Os presos políticos e prisioneiros de guerra das FARC-EP, recolhidos na
penitenciária central "La Picota", manifestam à
opinião pública nacional e internacional o que se segue:
1- Que nós os presos políticos e prisioneiros de guerra
não somos delinquentes, nem mafiosos e muito menos terroristas; somos
lutadores que na nossa acção revolucionária combinamos
todas as formas de lutas política, propagandística,
reivindicativa, económica, ideológica e armada para junto
com o proletariado, o campesinato e o povo em geral tomar o poder e a partir
dele produzir a mudanças políticas e económicas que nos
conduzam à reconciliação e à
reconstrução da nação, pela nova Colômbia com
verdadeira democracia, com soberania e justiça social; pelo socialismo e
pela pátria grande que inspirou a luta do libertador Simón
Bolívar.
2- Na nossa condição de militantes farianos acatamos todas as
determinações, orientações e ordens do nosso
Secretariado Nacional, do Estado Maior Central, dos Estados Maiores dos Blocos
e Frentes e das demais instâncias de Direcção da nossa
organização. Ratificamos nosso compromisso, firmeza e
convicção na justeza das nossas lutas, na defesa da nossa
unidade, princípios e disciplina.
3- Em consequência, recusamos a enganosa política de
"Justicia y Paz" apregoada pelo governo como a única
solução para o conflito armado, quando a verdade é que foi
concebida com a finalidade de lavar os crimes do paramilitarismo. Mas que o
governo, na sua estratégia de combate à insurgência,
fê-la extensiva aos combatentes revolucionários pretendendo com
isso quebrantar a sua moral e o seu espírito de combate e de passagem
negar a necessidade de uma lei de Acordo Humanitário ou de Troca de
prisioneiros. Nesta mesma direcção apontam os mal chamados
"gestores de paz" que não são outra coisa senão
desertores que renunciaram à sua qualidade de revolucionários em
troca de indignas prebendas e pírricos benefícios
jurídicos; pelo que jamais poderão chamar-se representantes dos
guerrilheiros no cativeiro e muito menos ter qualquer tipo de diálogo
connosco.
4- Ratificamos, mais uma vez, nosso indeclinável compromisso e luta por
uma lei de Acordo Humanitário ou Troca de prisioneiros que não
só solucione de modo imediato o drama daqueles que se encontram na
prisão em ambas as partes como reconheça a existência do
conflito social e armado e abra a possibilidade da sua solução
pela via do diálogo e da negociação política.
5- Saudamos de maneira revolucionária os organizadores e convocantes do
Plantão pela defesa e visibilização dos mais de sete mil
(7.000) presos políticos que temos a nível nacional e lhes
reiteramos o nosso apoio e solidariedade neste difícil trabalho
humanitário na certeza de que nós, daqui, no interior dos muros,
também faremos sentir a nossa voz e o nosso compromisso
indeclinável de luta pela paz com justiça social. Aos nossos
camaradas nos campos e nas cidades reiteramos que seguiremos o exemplo de
nossos dirigentes e combatentes que não tiveram dúvida em
oferecer as suas vidas e que não seremos inferiores aos reptos que a
luta nos exija.
Jurámos cumprir e cumpriremos.
Presos políticos e prisioneiros de guerra das FARC-EP.
Penitenciaria Central la Picota.
Bogotá D.C, 27 de Setembro de 2009.
O original encontra-se em
www.resumenlatinoamericano.org
, nº 2090
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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