Resposta de um criminoso climático

por Chris Horner [*]

O criminoso procurado.
Na semana passada Le Figaro publicou este artigo sobre os cartazes dos "criminosos do clima" afixados em Paris. A palavra foi dada apenas à Avaaz, a fina organização ambientalista que está na origem desta divertida brincadeira. Sugeri portanto a Chris Horner, um dos "acusados", que tentasse exercer uma espécie de direito de resposta. Como Le Figaro não publicou o texto proposto por Chris Horner, ei-lo aqui traduzido por mim. B.R.

Na minha juventude passei muitos dias a passear em Paris, quando meu pai ali vivia. Ao retornar esta semana aos lugares da minha infância vi vários cartazes com a minha efígie, com a palavra "WANTED" escrita com grandes letras, assim como o meu nome e uma acusação.

Estes cartazes, estão por toda a cidade a acusar-me, assim como a outras seis pessoas. Somos, parece, "criminosos do clima". Nosso crime? Ter uma opinião e manter propostas insuportáveis para a indústria do aquecimento climático.

Tal como dezenas de milhares de pessoas, vim assistir à conferência Paris Climat 2015 (COP21) com a intenção de relatar os desenvolvimentos e as possíveis implicações. Porque será isto tão escandaloso? Muito simplesmente porque, nós "criminosos", mostramos que a pobreza energética hoje mata dezenas de milhares de pessoas dentre as mais vulneráveis na Europa à medida que as políticas climáticas se põem em vigor. Isto é, naturalmente, a decorrência lógica de políticas que o presidente americano Barack Obama aplicou à Europa e de que se orgulhou por conduzirem o preço da electricidade a "necessariamente subir em flecha".

Além de ser cruel, este resultado era também inevitável e previsível. Para nós é um dever denunciar estas políticas do "tudo sofrimento, nenhum ganho" ("all pain, no gain"), dizer bem alto aquilo que todo o mundo sabe:   nenhuma destas custosas iniciativas terá impacto mensurável sobre o clima. Queremos restabelecer os factos contra a retórica que exagera a actividade ciclónica, as variações de temperaturas ou ainda a elevação do nível marinho, não sendo nenhum destes alarmes validados pelas observações – sem falar do pretenso "consenso científico a 97%".

Somos "criminosos" pois notamos que os ursos polares eram cerca de 5000 nos anos sessenta e cerca de 25 mil hoje. Esta progressão não é, naturalmente, uma justificação para o seu massacre, mas um argumento para olhar as coisas mais calmamente, sem esta super-excitação de tantos actores oficiais do COP21.

Dizer isto parece que perturba certas pessoas.

Por causa dos nossos pecados – perdão, dos nossos crimes –, os activistas optaram por nos entregar à vingança pública. Naturalmente, não se trata "senão" de intimidação. Nenhum activista um tanto demasiado excitado seguirá este género de apelo ao pé da letra, não é?

Um tal acto diz mais acerca daqueles que o cometem do que acerca daqueles que visa. Na mesma veia, recordamos aquele spot de alguns anos atrás onde se via uma professora explodir a cabeça de dois alunos que ousavam não aderir ao dogma. Seus colegas estavam salpicados de sangue e de carne humana. Era encantador.

Pergunta-se ainda assim como é possível acreditar que tais acções serão benéficas à causa que pretendem defender. O seu único resultado poderia ser evacuar todo debate da esfera pública, talvez antes mesmo de conseguir proibi-lo.

Este movimento tem uma longa tradição de intolerância, que não teria cabimento num debate político aberto. É claro que tudo isso tem fortes fedores totalitários.

Descrevi tudo isso num livro de 2009, "Red Hot lies" , que esmiuça a ladainha das afirmações dos militantes do clima, desejosos de criminalizar a dissidência e de puni-la. Ali dei numerosos exemplos. Posso vos contar que foi preciso retirar muitos a fim de satisfazer as exigências do meu editor quanto à dimensão do livro... A acolhida reservada a este livro confirma que eu já havia recebido, na época, o Grande Prémio do Pior Criminoso Climático. Aquilo a que tive direito esteve totalmente de acordo com esta incrível reacção de intolerância directa na televisão de François Gemenne que, incapaz de se controlar, recentemente indignou-se por ter sido dada a palavra a Serge Galam, físico, director de investigação no CNRS, que fez a grande injuria de questionar o alarmismo climático em bases científicas.

A marca característica do alarmismo climático é desejar proibir toda discussão. "O debate está terminado" (em honra de quem?), "a ciência falou" (um artigo? uma sondagem? um cartas "Wanted" contra os dissidentes?). As propostas não conformistas são proibidas.

Não é sequer necessário qualificar os autores destes cartazes, os quais souberam dar um tiro no próprio pé. Em contrapartida, é útil que o público tome boa nota daquilo que está em jogo.

16/Dezembro/2015

Ver também:
  • Cientista alemão mostra que a NASA manipula dados climáticos
  • COP21: O clima vai bem, obrigado!

    [*] Investigador sénior do Competitive Enterprise Institute (Washington D.C.).

    O original encontra-se em mythesmanciesetmathematiques.wordpress.com/...


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • 18/Dez/15