por Michel Chossudovsky
A "Criminalização do Estado" ocorre quando criminosos
de guerra ocupam legitimamente posições de autoridade, as quais
permitem-lhes decidir "quem são os criminosos", quando de
facto são eles os criminosos.
Um ataque terrorista sobre o solo americano da dimensão e natureza do 11
de Setembro conduziria de acordo com o antigo Comandante do CENTCOM,
general Tommy Franks à queda de democracia na América.
Numa entrevista em Dezembro último, a qual foi pouca mencionada nos
media americanos, o general Franks esboçou com cínica
precisão um cenário que resultaria na suspensão da
Constituição e na instalação do domínio
militar na América:
"um evento terrorista, maciço, produzindo baixas [ocorreria] em
algum lugar no mundo ocidental pode ser nos Estados Unidos da
América que levasse a nossa população a questionar
a nossa própria Constituição e a começar a
militarizar o nosso país a fim de evitar a repetição de um
outro evento produtor de baixas em massa"
[1]
Franks estava a aludir ao chamado "evento tipo Pearl Harbor" o qual
seria utilizado para galvanizar a opinião pública americana em
apoio a um governo militar e Estado policial. O "evento terrorista
produtor de baixas maciças" é apresentado pelo general
Franks como um ponto de viragem político crucial. A crise resultante e
a tempestade social é pretendida para facilitar uma grande
mudança nas estruturas políticas, sociais e institucionais
americanas.
É importante entender que o general Franks não está a dar
uma opinião pessoal sobre esta questão. Sua
declaração reflecte muito o ponto de vista dominante tanto no
Pentágono como no departamento de Segurança Interna acerca de
como eventos podem desenrolar-se no caso de uma emergência nacional.
A declaração vem de um homem que tem estado envolvido activamente
em planeamento militar e de inteligência aos mais altos níveis.
Por outras palavras, a "militarização do nosso
país" é uma hipótese operacional em andamento.
É parte do "Consenso de Washington" mais vasto. Identifica
"mapa da estrada" da guerra e da defesa interna da
administração Bush.
A "guerra ao terrorismo", que constitui a pedra angular da doutrina
de segurança nacional de Bush, proporciona da justificação
exigida para repudiar a Regra da Lei, essencialmente com o pretexto de
"preservar liberdades civis". Nas palavras de David Rockefeller:
"Estamos à beira da transformação global. Tudo o que
precisamos é a grande crise importante e as nações
aceitarão a Nova Ordem Mundial".
[2]
Uma declaração semelhante, que sem dúvida reflecte um
consenso no interior do Council on Foreign Relations (CFR), foi feita pelo
antigo conselheiro de Segurança Nacional Zbigniew Brzezinski no seu
livro,
The Grand Chessboard
:
"Como a América torna-se uma sociedade cada vez mais multicultural,
pode ser mais difícil moldar um consenso sobre questões de
política externa, excepto na circunstância de uma ameaça
externa directa verdadeiramente maciça e amplamente percebida".
Analogamente, o Projecto dos NeoCons para o New American Century (PNAC),
publicado em Setembro de 2000, apenas uns poucos meses antes do acesso de
George W. Bush à Casa Branca, apelava a:
"algum evento catastrófico e catalisante, como um novo Pearl
Harbor".
[3]
O que é terrífico nestas afirmações é que
elas provêm dos arquitectos da política externa americana. Por
outras palavras, os líderes da América em Washington e Wall
Street acreditam firmemente na justeza da guerra e de formas
autoritárias de governo como meios para "salvaguardar valores
democráticos".
O repúdio da democracia é retractado como um meio para
proporcionar "segurança interna" e sustentar liberdades civis.
Verdade é falsidade e falsidade é verdade. Realidades
são viradas de cabeça para baixo. Actos de guerra são
apregoados como "intervenções humanitárias"
montadas para sustentar democracia. A ocupação militar e a
matança de civis são apresentadas como
"operações de manutenção da paz".
Este ponto de vista dominante também é partilhado pelos media de
referência
(mainstream)
, os quais constituem a pedra angular da campanha de propaganda e
desinformação. Qualquer tentativa por parte dos críticos
anti-guerra de revelar as mentiras subjacentes a estas
declarações é definida como um "acto criminoso".
Por outras palavras, a "Criminalização do Estado"
verifica-se quando criminosos de guerra, apoiados pela Wall Street, os
"cinco grandes" empreiteiros da defesa e os gigantes
petrolíferos do Texas ocupam legitimamente posições de
autoridade, as quais capacitam-nos a decidir "quem são os
criminosos", quando de facto são eles os criminosos.
DO ALERTA CÓDIGO LARANJA AO VERMELHO
O "evento terrorista produtor de baixas maciças" tornou-se uma
parte integral da campanha de propaganda da administração Bush.
A administração colocou o país no alerta de terror
Código Laranja, de alto risco, cinco vezes desde 11 de Setembro de 2001.
Sem excepção, a Al Qaeda de Osama bin Laden foi identificada
como "uma ameaça para a pátria". O anúncio
oficial de um ataque terrorista invariavelmente aponta para
"relatórios significativos de inteligência"
ou
"fontes críveis"
por parte
"do grupo terrorista internacional al-Qaeda"
.
Desde o 11 de Setembro, os americanos têm aceitado acriticamente estas
advertências terroristas. A Al Qaeda é encarada como um inimigo
da América. Os alertas de terror tornaram-se parte de uma rotina: as
pessoas acostumaram-se nas suas vidas diárias aos alertas de terror
Código Laranja. Além disso, elas também aceitaram a
possibilidade definida de uma mudança do Alerta Código Laranja
para o Vermelho (como declarado muitas vezes pela Segurança Interna) no
futuro previsível, o qual resultaria de uma ocorrência terrorista
real.
É desnecessário dizer que a campanha de
desinformação, que é despejada numa base diária
para dentro das cadeias noticiosas, apoia este processo de
modelação da opinião pública americana. A agenda
escondida final consiste em criar um ambiente de medo e
intimidação, o qual mobiliza apoio púbico para uma
situação real de emergência nacional, conduzindo à
declaração da lei marcial.
OS ALERTAS DE TERROR FORAM BASEADOS EM INTELIGÊNCIA FABRICADA
A evidência sugere que os alertas Código Laranja de "alto
risco" de 7 de Fevereiro de 2003 e de 21 de Dezembro de 2003 foram
baseados em inteligência fabricada.
O Alerta Código Laranja foi ordenado em 7 de Fevereiro de 2003, um dia
depois da fracassada apresentação de Collin Powell sobre as
alegadas armas de destruição em massa perante o Conselho de
Segurança da ONU. O dossier de inteligência de Powell fora
polidamente afastado. A refutação veio do inspector da ONU Hans
Blix, o qual mostrou que a inteligência utilizada como um pretexto para
travar a guerra contra o Iraque fora grosseiramente fabricada.
Colin Powell discursou no Conselho de Segurança da ONU no dia 6. No dia
7 a administração Bush declarou um Alerta de Terror
'Código Laranja'. Esta "operação para salvar a
face" contribuiu para apaziguar um escândalo iminente, enquanto
apoiava também a invasão do Iraque planeada pelo Pentágono.
A atenção dos media foi imediatamente transferida das asneiradas
de Colin Powell no Conselho de Segurança da ONU para um (alegado)
iminente ataque terrorista à América. Mísseis
antiaéreos foram imediatamente instalados em torno de Washington. Os
media foram inundados com estórias sobre o apoio iraquiano a um iminente
ataque da Al Qaeda à América.
O objectivo era apresentar o Iraque como o agressor. Conforme o
New York Post
(11 de Fevereiro de 2003):
"A nação agora está no Alerta Laranja porque tanto
intercepções da inteligência como a simples lógica
sugerem que os nossos inimigos islâmicos sabem que o melhor caminho para
bater-nos é através do terrorismo sobre o solo americano".
Uma outra estória alegadamente proveniente da CIA sobre as chamadas
bombas radioactivas 'sujas' foi plantada nas cadeias noticiosas.
[4]
O secretário Powell advertiu que "seria fácil para
terroristas inventarem bombas radioactivas 'sujas' para explodirem dentro dos
EUA ... 'Quão provável isto é, não posso dizer...
Mas penso que é avisado para nós pelo menos deixar que o povo
americano saiba desta possibilidade' ".
[5]
Enquanto isso, a rede de TV advertiu que "hotéis, centros
comerciais ou edifícios de apartamentos americanos poderiam ser
objectivos da al Qaeda num prazo tão curto como a próxima
semana..."
A agenda escondida nas semanas que antecediam a invasão do Iraque era
ligar Bagdad à Al Qaeda, reunir um apoio poderoso ao presidente Bush e
enfraquecer o movimento de protesto anti-guerra. Logo a segue àquele
anúncio, dezenas de milhares de americanos correram a comprar fita
vedante de tubagens, lençóis de plástico e máscaras
de gás.
Mais tarde transpirou que o alerta terrorista era fabricado pela CIA, com toda
a probabilidade em consulta com os escalões superiores do Departamento
de Estado.
[6]
O FBI, PELA PRIMEIRA VEZ, APONTOU O DEDO À CIA
"Esta peça daquele puzzle revelou-se ser fabricada e portanto a
razão para um bocado do alarme, particularmente em Washington nesta
semana, foi dissipado depois de terem descoberto que esta
informação não era verdadeira", disse Vince
Cannistraro, antigo chefe do contra-terrorismo da CIA e consultor da ABCNEWS.
(...)
Segundo responsáveis, o FBI e a CIA estão a apontar os dedos um
para o outro. Um porta-voz do FBI contou hoje à ABCNEWS que ele
não estava "familiarizado com o cenário", mas
não pensava que o mesmo fosse exacto".
[7]
Embora reconhecendo tacitamente que o alerta era uma
falsificação, o secretário da Segurança Interna,
Tom Ridge, decidiu manter o alerta Código Laranja:
"Apesar do relatório fabricado, não há planos para
alterar o nível de ameaça. Responsáveis disseram que
outra inteligência fora validada e que o alto nível de
precaução está plenamente justificado".
[8]
Uns poucos dias depois, em outra iniciativa de propaganda falhada, uma
misteriosa fita áudio de Osama bin Laden foi apresentada pelo
secretário Colin Powell ao Congresso americano como 'evidência' de
que terroristas islâmicos "estão a fazer causa comum com um
ditador brutal".
[9]
Curiosamente, a fita áudio estava na posse de Colin Powell antes da
sua difusão pela rede de TV da Al Jazeera.
[10]
O ALERTA DE TERROR NATALÍCIO DE TOM RIDGE
Em 21 de Dezembro de 2003, quatro dias antes do Natal, o Departamento de
Segurança Interna, aumentou outra vez o nível de ameaça
nacional de ataque terrorista do "elevado" para o "alto
risco".
[11]
Na sua conferência de imprensa na véspera do Natal, o
secretário
Tom Ridge, do Departamento de Segurança Interna, confirmou, em grande
medida
do mesmo modo que no 7 de Fevereiro de 2003, que "a comunidade de
inteligência americana havia recebido um aumento substancial no volume de
relatos de inteligência relacionados com ameaças". Segundo
Tom Ridge, estas "fontes críveis [de inteligência]"
levantam "a possibilidade de ataques contra a pátria, por volta da
época das festas..."
[12]
Apesar das circunstâncias e do tempo serem diferentes, a
declaração de 21 de Dezembro do secretário Tom Ridge tem
toda a aparência de uma versão "copy and paste" do seu
anúncio de 7 de Fevereiro, o qual segundo o FBI era uma
(hoax)
, baseada em inteligência fabricada.
O que é perturbador na declaração de 21 de Dezembro
é o facto de que um ataque terrorista do Al Qaeda "real" ou
"tentado" pareça já estar nos canais oficiais. A Al
Qaeda é mais uma vez identificada como "o Inimigo Externo",
sem naturalmente mencionar que a Al Qaeda de Osama bin Laden é uma
criação da CIA e um "activo de inteligência"
controlado pelos EUA.
[13]
Não é preciso dizer que a atmosfera de medo e confusão
criada por toda a América contribuiu para romper o espírito do
Natal. Segundo relatos dos media, o alerta de terror de alto nível
é para "pairar sobre os feriados e abrir o Ano Novo".
"Terroristas ainda ameaçam o nosso país e nós
continuamos empenhados numa perigosa temos de admitir e
difícil guerra que não será ultrapassada tão
logo", advertiu o secretário da Defesa Donald H. Rumsfeld.
"Eles podem atacar em qualquer momento e em qualquer lugar".
Com a América em alerta de nível elevado durante o período
das festas de Natal, responsáveis da inteligência temem que a
al-Qaeda esteja ansiosa para encenar um ataque espectacular
possivelmente sequestrando um avião de linha estrangeiro ou um jacto de
carga e esmagando-o dentro de um alvo ostensivo dentro dos Estados Unidos"
[14]
O anúncio oficial de Natal do Departamento de Segurança Interna
dissipa quaisquer dúvidas hesitantes em relação ao
nível de ameaça:
"o risco [durante a quadra do Natal] é talvez maior agora do que em
qualquer outro momento desde 11 de Setembro de 2001".
Também advertia os americanos, em termos não incertos, mas sem
apoio em evidências, de que há:
"indicações de que [os] ataques a prazo próximo ...
ou rivalizarão ou excederão os ataques do 11 de Setembro".
"E é perfeitamente claro que a capital da nação e a
cidade de Nova York estariam em qualquer lista..."
A seguir ao anúncio do secretário Ridge, foram montadas baterias
de mísseis antiaéreos em Washington:
"E o Pentágono declarou hoje que mais patrulhas de combate
aéreo estarão agora a voar sobre cidades e
instalações seleccionadas, com algumas bases aéreas
colocadas no alerta máximo". Secretário da Defesa Donald
Rumsfeld: "Você pergunta, 'Será isto sério?' Sim,
você pode apostar a sua vida. As pessoas não fazem isso a menos
que a situação seja séria".
[15]
Segundo uma declaração oficial; "inteligência indica
que pilotos treinados da Al Qaeda podem estar a trabalhar para companhias
aéreas estrangeiras e prontos para executarem ataques suicidas".
[16]
Mais especificamente, a Al Qaeda e os terroristas Taliban estavam, segundo a
Segurança Interna, a planear sequestrar um avião da Air France e
"esmagá-lo sobre solo americano num ataque de terror suicida
semelhante àquele executado no 11 de Setembro de 2001".
VOOS DE NATAL DA AIR FRANCE FICARAM EM TERRA
CAÇAS F-16 PATRULHAVAM OS CÉUS
Verificou-se ainda que as ordens para deixar em terra os voos de Natal da Air
France de Paris para Los Angeles, os quais foram utilizados para justificar o
Código Alerta Laranja durante a quadra do Natal, foram baseados em
informação fabricada.
Segundo a versão oficial dos eventos, Washington identificara seis
membros da Al Qaeda dos Taliban na lista dos passageiros da Air France:
"Responsáveis americanos do contra-terrorismo disseram que a sua
investigação focava na 'crença informada' de que cerca de
seis homens no voo 68 da Air France, os quais chegam a Los Angeles diariamente
às 16h05, podem ter estado a planear sequestrar o jacto e
esmagá-lo próximo a Los Angeles, ou ao longo do caminho.
Aquela centra, segundo um responsável sénior do contra-terrorismo
americano, estava baseada em informação confiável e
corroborada por várias fontes. Alguns dos homens tinham os mesmos nomes
de membros identificados da Al Qaida e do Taliban, disse um responsável
sénior americano. Um dos homens é um piloto treinado com uma
licença comercial, de acordo com um responsável sénior
americano.
Responsáveis americanos pela aplicação da lei disseram que
os voos foram cancelados em resposta à mesma inteligência que
levou... a Segurança Interna... a ampliar o nível de alerta de
terror do país para o laranja...
Com aquela informação, as autoridades americanas contactaram a
inteligência francesa... Elas convenceram a Air France a cancelar [os
seus voos], porque a informação original de inteligência
advertia que mais de um voo a ser sequestrado".
[17]
Outros media confirmaram que "os relatos reunidos pelas agências
americanas eram 'muito, muito precisos' ". Enquanto a Fox News destacava
a possibilidade de que a Al Qaeda estivesse "a tentar plantar
desinformação, entre outras coisas para custar-nos dinheiro, para
lançar pessoas no pânico e talvez para experimentar as nossas
defesa para ver como respondemos?"
[18]
"IDENTIDADE ERRADA"
Não é preciso dizer que estes relatos fabricados pelos media
serviram para criar uma atmosfera tensa durante a quadra do Natal. O aeroporto
internacional de Los Angeles estava na "mobilização
máxima" com responsáveis do contra-terrorismo e do FBI a
trabalhar o dia inteiro.
Mas de acordo com a investigação francesa, verificou-se que o
alerta de terror era uma farsa. A informação não
"muito, muito precisa" como afirmado pela inteligência
americana.
Os seis homens da Al Qaeda verificaram-se ser um garoto de cinco anos, uma
senhora chinesa que dirigia um restaurante em Paris, um vendedor de seguros do
País de Gales e três cidadãos franceses.
[19]
No dia 2 de Janeiro o governo francês confirmou que a inteligência
comunicada por Washington era errónea: "Não havia nem um
traço de Al Qaeda entre os passageiros".
Contudo, estas "inconsistências" respeitantes à
inteligência americana já haviam sido descobertas em 23 de
Dezembro pelos serviços antiterroristas da França, os quais
haviam polidamente refutado as assim chamadas "fontes críveis"
provenientes do aparelho de inteligência americano.
Os peritos em contra-terrorismo da França estavam extremamente
"cépticos" acerca dos seus homólogos americanos.
Nós [investigadores de polícia franceses] mostrámos [em 23
de Dezembro] que os seus argumentos simplesmente não faziam sentido, mas
apesar disto os voos foram cancelados... O principal suspeito [um sequestrador
tunisino] verificou-se ser uma criança... Nós realmente
tínhamos o sentimento de tratamento não amistoso [por parte de
responsáveis americanos] (ils nous appliquent un traitement d'infamie).
A informação não era transmitida através dos canais
normais. Não era o FBI ou a CIA que contactavam connosco, foi tudo
através de canais diplomáticos..."
[20]
A decisão de cancelar os seis voos da Air France foi tomada após
dois dias de negociações intensas entre responsáveis
franceses e americanos. Elas foram canceladas por ordem do primeiro-ministro
francês a seguir a consultas com o secretário Colin Powell. Esta
decisão foi tomada depois de terminada a investigação
francesa. Apesar do facto de que a informação fora refutada, o
secretário da Segurança Interna, Tom Ridge, insistiu em manter a
ordem de ficar em terra. Se a Air France não houvesse cumprido, teria
sido impedida de utilizar o espaço aéreo americano, ou seja,
banida de voar nos EUA.
Foi só em 2 de Janeiro, ultrapassada a quadra festiva, que as
autoridades americanas admitiram que estavam erradas, afirmando que era um caso
inevitável de "identidade errada". Apesar de tacitamente
reconhecer o seu erro, a Segurança Interna insistiu em que "os
cancelamentos foram baseados em informação sólida".
PLANEAMENTO DE EMERGÊNCIA
É claro que, não tivessem os voos sido cancelados, a
justificação da administração para o Alerta
Código Laranja não mais se sustentaria. Por outras palavras, a
Segurança Interna precisava sustentar a mentira durante todo o
período das festas de fim dano. Também era preciso um Alerta
Laranja activo para lançar o planeamento dos procedimentos de
emergência aos mais altos níveis da administração
Bush.
No dia seguinte ao anúncio de Natal do secretário Ridge (21/Dez),
o presidente Bush era instruído
(briefed)
pelos seus "principais conselheiros anti-terror" em sessões a
portas fechadas na Casa Branca. Mais tarde nesse mesmo dia, o Homeland
Security Council (HSC) reunia-se, também na Casa Branca. O corpo
executivo do HSC, o chamado Principals Commitee (HSC/PC), encabeçado
pelo secretário Tom Ridge, inclui Donald Rumsfeld, o director da CIA
George Tenet, o procurador-geral John Ashcrof, o director do FBI Robert Mueller
e Michael D. Brown, sub-secretário para Preparação e
Resposta de Emergências, que superintende o Federal Emergency Management
Agency (FEMA).
[21]
Após a reunião do HSC em 22 de Dezembro, o secretário
Ridge confirmou que:
"revimos os planos específicos e a acção
específica que tomámos e continuaremos a tomar"
[22]
De acordo com a declaração oficial, que deve ser tomada
seriamente, um "ataque terrorista real" no futuro próximo
sobre solo americano conduzir a um Alerta Código Vermelho. Este, por
sua vez, criaria condições para a suspensão
(temporária) das funções normais do governo civil, como
previsto pelo general Tommy Franks. Este cenário foi encarado pelo
secretário Tom Ridge numa entrevista à CBS New em 22 de Dezembro
de 2003:
"Se nós simplesmente vamos para o vermelho ... isto basicamente
fecha o país", o que significa que corpos civis governamentais
seriam encerrados e o comando assumido por uma Administração de
Emergência.
[23]
PREPARANDO PARA A LEI MARCIAL
Na preparação para um Alerta Código Vermelho, em Maio de
2003 o Departamento de Segurança Interna conduziu um grande
"exercício anti-terrorista" intitulado TOPOFF 2. Este
é descrito como "a maior e mais abrangente resposta ao terrorismo e
exercício de segurança interna já conduzido nos Estados
Unidos".
Numa lógica strangeloviana, esta "capacidade de resposta
nacional" traduzida num exercício de estilo militar pelos governos
federal, estaduais e locais, incluindo participantes canadianos, estabelece
vários "cenários" sob um Alerta Código Vermelho.
No essencial, foi conduzida sob as mesmas suposições dos
exercícios militares em antecipação a um teatro de guerra
real, neste caso a ser travada por terroristas estrangeiros, examinando
vários cenários de ataques com armas de destruição
em massa e a resposta institucional dos governos do Estado e locais:
"Isto avaliou como aqueles que respondem, líderes e outras
autoridades reagiriam à libertação simulada de armas de
destruição em massa (WMD) em duas cidades americanas, Seattle, WA
e Chicago, IL. O cenário do exercício pintava uma
organização terrorista fictícia, estrangeira, que detonava
um dispositivo de dispersão radiológica simulado (RDD ou bomba
suja) em Seattle e libertava uma peste pneumonica em várias
localizações da área metropolitana de Chicago. Havia
também significativos jogos de inteligência
pré-exercício, um ciber-ataque, e ameaças críveis
contra outros locais".
[24]
O EXERCÍCIO DE TERROR, INCLUINDO CENÁRIOS WMD,
ESTÁ BASEADO NUMA GRANDE MENTIRA
Vamos ser muito claros acerca do que está a acontecer na América.
Já não estamos mais a tratar estritamente com uma campanha de
medo e de desinformação. "Eventos terroristas produtores de
baixas maciças"
reais
constituem a premissa básica e a força condutora por trás
do sistema de resposta de Emergência Interna, incluindo as suas
instruções preparadas pelo governo para os cidadãos, a sua
estrutura legal "antiterrorista" sob o Second Patriot Act, etc.
Aquilo que estamos a tratar é não só um acto criminoso
como também um acto de traição cuidadosamente projectado
(engineered)
que emana dos mais altos níveis do aparelho de Estado americano. Em
suma, do que estamos a tratar é do
"Mapa da estrada para um Estado policial"
na América, a ser executado no rastro de uma
emergência nacional, quer sob uma forma de governo militar ou sob uma
polícia de Estado, a qual mantem todas as aparências de uma
"Democracia" de dois partidos em funcionamento.
03/Fevereiro/2004
__________
Notas
1. Tommy Franks Interview, Cigar Aficionado, December 2003
2. David Rockefeller, Statement to the United Nations Business Council, 1994
3- Ver
http://www.globalresearch.ca/articles/NAC304A.html
4- ABC News, 13 February 2003.
5- ABC News, 9 February. 2003.
6- ABC News, 13 February 2003,
7-
http://www.globalresearch.ca/articles/CRG302A.html
.
8- Ibid
9- Ibid
10- Responsável americano citado em The Toronto Star, 12 February. 2003.
11- Ibid
12- Ver Department of Homeland Security em
http://www.dhs.gov/
13- Para a declaração completa do secretário Tom Ridge, em
21/Dec/2003,
http://www.dhs.gov/dhspublic/
14- Ver referências seleccionadas em
http://globalresearch.ca/articles/11SEPT309A.html
15- Boston Globe, 24 December 2003
16- ABC News, 23 December 2003
17- quoted by ABC News, 23 December 2003.
18- Seattle Post Intelligence, 25 December 2003.
19- Fox News, 28 December 2003.
20- Le Monde, Paris and RTBF TV, Bruxelles, 2 January 2004
21-quoted in Le Monde, 3 January 2003.
22- White House Briefing, 22 December 2003.
23- AFP, 23 December 2003.
24- O cenário é apresentado em pormenor no Homeland department's
Ready.Gov website em
http://www.ready.gov/
Para o texto completo ver, Department of Homeland Security, Summary Conclusions
From National Exercise, Office of the Press Secretary, December 19, 2003,
http://www.dhs.gov/dhspublic/display?content=2693
_________
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, nº 7, Primavera de 2004. Tradução de JF.
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