O usurpador

por César Príncipe

. D. Miguel de Portugal reinou (por usurpação do trono) de 1828 a 1834.   Efectivamente, renegou a Constituição de 1826 (mais tarde, de 1976), que jurou defender, e não acatou o Normativo Sucessório.   Encabeçou vários golpes contra a ordem parlamentar.   O mais famigerado foi a Vilafrancada (posteriormente, denomimada Vilacavacada).   Este materializado no golpismo anticonstitucional e no desrespeito pelas Honras devidas à República de Outubro e à República de Abril.   Miguel assaltou o poder de dentro para fora e de fora para dentro, através da traição da palavra dada, da intriga afidalgada e sobretudo das armas do vale-tudo.   Foi nomeado Generalíssimo.   Foi fervorosamente apoiado pelo Papa (hoje, representado pelo cardeal Clemente) e pela Espanha (agora, representada por Rajoy).   Após ter posto a Nação a ferro e fogo, a sangrar de vidas, penúrias, amarguras e dívidas, derrotado no terreno e nas pretensões, escapuliu-se num barco inglês.   As suas forças, batidas e isoladas, renderam-se.   Assinaram os termos da debandada na Convenção de Évoramonte.   Por carta de lei de 19 de Dezembro de 1834, a rainha Dona Maria II firmou a Lei do Banimento, riscando do Direito Pátrio o Usurpador e Absolutista e os seus existentes e hipotéticos herdeiros.   Também perdeu a pensão vitalícia.   Já sem tropas leais e operacionais, o ex- Generalíssimo , nomeou Supremo Comandante da Desforra o algarvio Remexido, bandoleiro a monte.   Miguel de Portugal faleceu na Alemanha, com os devidos confortos dos companheiros das curvas e dos negócios da História.   A Lei só foi revogada, em 1950, por Salazar, outro Usurpador e Absolutista.   A estirpe nunca se extirpa. Totalmente, claro.

E assim tivemos de volta a prole miguelista, com os genes recauchutados.

E aqui temos a heráldica desta costela retrógrada, pomposa e revanchista:

Eu
Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo de Bragança e Bourbon

De ora em diante e a título póstumo, também me reconheço condignamente reencarnado em

Aníbal Maria da Silva Coveiro da Agricultura Armador das Pescas Cremador da Indústria Caiador de Sepulcros BPN/BES Padre do Baptismo de Sangue Ponte 25 de Abril Criador do Monstro Apagador da Memória de Salgueiro Maia Supremo Comandante da Insurreição dos Pregos Intemerato Trepador de Coqueiros Vaqueiro do Gado Sorridente dos Açores e Leitor dos Lusíadas.

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23/Out/15