Aumento do superávit primário brasileiro:
mais dinheiro público para remunerar agiotagem
por Marco Antonio V. dos Santos
[*]
Um dos pilares da política econômica neoliberal que garante a
estabilidade para a remuneração do capital financeiro
é o superávit fiscal primário, que significa o que o
governo economiza a diferença ente as receitas e
despesas da União, dos Estados, municípios e estatais para
pagamento de juros.
O Presidente Lula, lá fora, em discurso na ONU, afirma que os
países ricos exercem um nova forma de colonialismo sobre os
países pobres e, ao voltar para o Brasil, na prática,
renuncia a legítimos projetos de desenvolvimento nacional,
se submete à dominação imperialista e decide aumentar a
meta do superávit primário em 2004 de 4,25% para 4,5% do Produto
Interno Bruto (PIB). O valor previsto sobe de R$ 72 mil milhões para R$
76 mil milhões. Mas até agosto deste ano (ou seja, em 8 meses) o
dinheiro economizado para pagar juros já chegou a R$ 63,728
mil milhões, valor equivalente a 5,82% do PIB referente ao período
Se a estes R$ 76 mil milhões for somado o montante referente à
rolagem da dívida pública interna (os R$ 76 mil
milhões não são suficientes para o pagamento da totalidade
da dívida que vence este ano) e ao pagamento da dívida externa,
chega-se ao estratosférico valor de
R$ 185 mil milhões
, que corresponde à previsão da sangria de recursos
públicos, em 2004, para a remuneração da agiotagem dos
bancos, fundos de investimento, etc, em detrimento das áreas sociais e
dos investimentos públicos.
Vejamos alguns dados comparativos.
* as dotações anuais respectivas estão 'fora de escala'.
US$1 =~2,8 reais
1- Sistema Único de Saúde, relativo ao dispêndio anual para
atenção hospitalar e ambulatorial;
2- Programa do governo que unificou as 'ações sociais';
3- Programa de alfabetização;
4- Ministério responsável pelo saneamento básico e pelas
habitações populares;
5- Orçamento previsto para o Ministério do Desenvolvimento
Agrário, responsável pelos investimentos em programas de
agricultura familiar;
6- Investimento previsto para construção de novas casas populares.
[*]
Economista.
O original encontra-se no Boletim do CeCAC, Ano X, nº 3, Outubro/2004,
cecac@terra.com.br
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Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
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