Marx e Malthus no Nordeste brasileiro
Uma nota acerca da maior diferença mundial de fertilidade entre classes
e as suas recentes tendências
No início dos anos 70 publiquei diversos artigos que focavam o
diferencial de fertilidade e a distribuição de rendimentos
per capita
no Nordeste Brasileiro.
[1]
A tese central do estudo era que, apesar de o Produto Nacional Bruto
agregado
per capita
para o Nordeste Brasileiro (a maior região pobre do Hemisfério
Ocidental) ter crescido rapidamente na ultima década, este crescimento
representava um inchaço ao invés de desenvolvimento,
porque o rendimento
per capita
dos 80% mais pobres da população estava, na melhor das
hipóteses, estável, enquanto o dos mais ricos 20% estava a
crescer muito rapidamente. Uma razão muito importante para esta
disparidade, e para a ausência de qualquer efeito difusor, era um
crescimento populacional mais rápido entre as classes mais baixas,
devido a uma maior fertilidade que mais do que compensava uma maior taxa de
mortalidade entre os pobres. À noção marxista da
exploração baseada no monopólio das classes sobre os meios
de produção deve-se adicionar uma noção de
exploração malthusiana ou romana do monopólio
das classes sobre os meios de controlo da população. Na Roma
antiga (como no Nordeste Brasileiro) o papel do proletariado era o de produzir
um fornecimento constante de trabalhadores e escravos para a República
(isto é, os Patrícios).
Nas discussões dos anos 60, o problema demográfico era usualmente
descartado por se verificar o facto de o PNB global crescer acima dos 6%,
enquanto a população crescia cerca de 3%. O consequente
crescimento do PNB
per capita
em cerca de 3% era considerado mais do que adequado. Adicionem-se a isto as
estatísticas que mostravam a escassa densidade populacional por
quilómetro quadrado na Amazónia, e o problema demográfico,
pensavam, podia ser descartado como um exagero na melhor das hipóteses,
ou como desculpas neo-malthusianas na pior. Este descarte era, sem
dúvida, tão estatisticamente inepto como a famosa receita para
Guisado de 50% de coelho (um coelho, um cavalo). Como veremos mais
tarde, este erro ainda prevalece em altos círculos.
A estimativa que fiz no fim dos anos 60 sobre a fertilidade total era de 8
crianças sobreviventes para os 80 a 90% mais pobres da
população e de 4 crianças sobreviventes para os 10 a 20%
mais ricos. Esta diferença entre classes do rácio de
reprodução no valor de 100% afecta imenso a
distribuição do rendimento
per capita.
Os efeitos podem ser sumarizados em três pontos.
1- O efeito denominador. O rendimento de uma família dividido por maior
número de pessoas vai resultar num rendimento
per capita
mais reduzido nessa família. Uma vez que as famílias com os
rendimentos mais baixos têm o dobro dos filhos daquelas com rendimentos
mais elevados, o efeito do diferencial de fertilidade na
distribuição do rendimento
per capita
é enorme e bastante regressivo.
2- O efeito numerador ou salarial. A elevada reprodutividade das classes
baixas gera uma quantidade ilimitada de mão-de-obra barata. Os
salários baixos (numerador menor para as classes baixas) representam
lucros maiores, mais reinvestimento, e maior crescimento do rendimento agregado
(numerador maior para as classes altas). Mas o crescimento nunca foi
rápido o suficiente para contrabalançar o efeito do diferencial
reprodutivo, e, por isso, não exerceu uma pressão ascendente nos
salários que conduzisse ao esperado efeito difusor. Por outro lado, o
abundante fornecimento de mão-de-obra barata permite que as esposas
instruídas dos membros das classes altas contratem empregadas
domésticas, libertando-as para terem empregos relativamente bem pagos,
reforçando desta forma a diferença do numerador das classes
(rendimento total da família). No Nordeste Brasileiro, as
famílias mais pobres têm menos elementos ganha-pão do que
as famílias mais ricas, mesmo tendo mais membros. Em 1970, 65,1% das
famílias com um rendimento
per capita
inferior ao salário mínimo tinham apenas um elemento
ganha-pão, enquanto o valor correspondente para famílias com um
rendimento acima do dobro do salário mínimo era de apenas 54-5%.
[2]
3- O efeito da estrutura etária. Um crescimento populacional mais
rápido nas classes baixas origina uma idade média menor que nas
classes altas e um maior nível de dependência. Isto faz com que
seja mais difícil para os membros da classe baixa pouparem, e
também afasta as esposas da força laboral. Para as classes altas
acontece o oposto. Mais especulativamente, uma menor idade média nas
classes baixas amplia o domínio da classe alta pela simples razão
de que, num estrato superior, as pessoas mais velhas consideram o seu maior
conhecimento e experiência de vida como uma vantagem no domínio
politico-económico de um grupo mais jovem. Em 1970, em todo o Brasil, a
percentagem da população com idade inferior a 15 anos que se
encontrava na categoria salarial mais baixa (menos de 50% do salário
mínimo) era de 47,8%. Na seguinte categoria mais baixa (entre 50 a 100%
do salário mínimo) o valor era de 28,7%, enquanto na categoria
mais alta (mais de 200% do salário mínimo) era de apenas 21,1%.
[3]
Como seria de esperar que os menores de 15 anos auferissem, em
média, salários mais baixos que os maiores de 15, seria seguro
dizer que numa classe cujos membros menores de 15 anos de idade atingem os 48%,
sendo tudo o resto igual, o rendimento
per capita
seria inferior ao de uma classe cujos membros menores de 15 anos de idade
rondam os 21%. Uma vez que o diferencial de fertilidade determina directamente
a estrutura etária, também determina indirectamente a
distribuição do rendimento
per capita
a um grau significativo.
A minha conclusão principal em 1970 foi a de que um programa de
planeamento familiar direccionado à democratização do
controlo de natalidade era uma condição necessária (mas
obviamente não suficiente) para o desenvolvimento económico,
compreendido como uma melhoria do conjunto dos mais pobres 80% da
população do Nordeste Brasileiro. Esta teoria não foi na
altura, nem é ainda, oficialmente aceite, embora seja largamente
debatida.
[4]
A oposição ao planeamento familiar foi bastante intensa
durante os anos 60 e partia da ala conservadora da Igreja Católica, dos
nacionalistas, dos militares, dos esquerdistas e da oligarquia. Com uma tal
aliança de inimigos, não se esperava que o controlo populacional
fosse tornar-se política obrigatória, como não o foi. A
oposição comum dos esquerdistas e da oligarquia ao controlo
populacional é especialmente interessante uma vez que ambos têm
expectativas diferentes no que toca às consequências
políticas de um rápido crescimento populacional nas classes
baixas. Os esquerdistas pensam (ou pensavam?) que iria acelerar a
revolução pelo aumento da pressão provocada pela
miséria, enquanto a oligarquia aparentemente acredita que
aumentará a estabilidade pela absorção de quaisquer
excedentes acima da subsistência que o proletariado pudesse usar em seu
próprio benefício. Os nacionalistas e os militares querem um
proletariado abundante para o serviço militar e para colonizar a
Amazónia de modo a protegê-la de interesses estrangeiros. Os
esquerdistas querem um proletariado crescente que lute pela
revolução e a oligarquia quer um proletariado crescente que
trabalhe nas suas fábricas, fazendas e moradias a troco de
salários baixos. Todos querem que o trabalho sujo seja feito por
outros, e quanto maior a população explorada melhor para aqueles
que querem continuar a manter as mãos limpas. Tanto os esquerdistas
como os oligarcas pareciam acreditar que as raposas não deveriam
defender o controle nascimento dos coelhos!
Como estão as coisas agora, cerca de 15 anos mais tarde? Que nova
informação está disponível? Até que
ponto ela corrobora ou contradiz a imagem apresentada no meu artigo de 1970 e
acima sumarizada? Que mudanças ocorreram nas atitudes e
política oficial?
Duas novas fontes de informação são relevantes. Primeiro,
o censo de 1970 mostra nova informação sobre os diferenciais de
fertilidade e mortalidade por classes de rendimento em 1970. Como pode ser
visto mais abaixo, esta informação corrobora fortemente a tese
principal. Segundo, no PNAD-1977
[5]
é dada informação comparável para aquele ano, que
mostra uma descida significativa na fertilidade total, junto com uma
diminuição das diferenças extremas de classes. A
informação de ambas as fontes foi elaborada num projecto conjunto
entre a UNICEF e o IBGE, publicado em 1982.
[6]
A tabela 1 é retirada desse estudo. {Lamento não ter
sido possível incluir a tabela neste artigo.}
O aspecto mais chocante da tabela 1 é a enorme queda na fertilidade
total
[7]
entre as categorias contíguas de rendimentos de menos de 50% do
salário mínimo e entre 50 a 100% do salário
mínimo. Para o Nordeste (1970) a queda é de 9,26 para 2,38
uma redução de cerca de sete nascimentos entre a classe
mais baixa (que compreende 84,6% da população de mulheres entre
os 15 e os 49 anos de idade) e a classe média-baixa
contígua (que compreende 5,6% dessa mesma população). Nas
duas categorias mais altas, que juntas somam cerca de 3% da
população, a fertilidade total é um pouco acima de 2,83.
Usando este valor como base de comparação obtemos um diferencial
de classes de 6,43. Podemos dizer com alguma confiança que o diferencial
da fertilidade total encontra-se entre 6,4 e 7,0.
A minha estimativa em 1970 de 8 e 4 para as classes baixas e altas,
respectivamente, referia-se a crianças sobreviventes e não a
nados vivos. Dada a taxa de mortalidade infantil de cerca de quinze a vinte por
cento
[8]
no Nordeste, uma fertilidade total de 9,26 é consistente com uma
média de 8 crianças sobreviventes, por isso, em retrospectiva,
essa estimativa ainda é válida. No entanto, eu evidentemente
sobrevalorizei a fertilidade na classe alta. Aparentemente andava por volta de
2,38 em vez de 4 (a correcção da mortalidade infantil na classe
alta seria menor, mas baixaria o valor de 2,38, o que faria da minha estimativa
de 4 um exagero ainda maior). A minha estimativa implícita do
diferencial de classes era, por isso, de 5 (= 9-4), enquanto o verdadeiro
diferencial estava aparentemente perto dos 7 (= 9,26-2,38).
Consequentemente, o efeito do diferencial de fertilidade na
distribuição de rendimentos foi subestimado no meu trabalho de
1970 porque o próprio diferencial foi subestimado. A nova
informação reforça o principal argumento desse trabalho,
para 1970. No entanto, num estudo recente e bastante detalhado de Merrick e
Berquo o valor de fertilidade total no Nordeste em 1970 para as classes baixas
é de 8,55, enquanto para a classe alta é de 3,95.
[9]
Estes valores, citados num estudo por Carvalho e Paiva, reflectem
diferentes definições estatísticas das classes sociais,
baseadas no rendimento familiar total em Cruzeiros absolutos em vez de
rendimento familiar
per capita
em múltiplos do salário mínimo. É aparente uma
diferença significante na fertilidade total independentemente da
definição exacta de classe baixa ou alta.
Existem, no entanto, limitações quer no uso do rendimento
familiar total quer no rendimento familiar
per capita.
Como Wood e Carvalho referem, "Famílias maiores tendem a ter um
rendimento total mais elevado devido ao maior número de elementos
ganha-pão, mas têm rendimentos menores
per capita
".
[10]
Quando as famílias são agrupadas por rendimento
per capita,
o diferencial de fertilidade e a desigualdade de rendimentos são mais
elevados do que quando se agrupam as famílias de acordo com o rendimento
total. Nenhuma das categorias é parcial. Simplesmente
são conceitos diferentes, cada um razoável e útil desde
que associados às suas definições próprias e
evitando misturar estas quando se fazem comparações.
Entre 1970 e 1977, no entanto, houve uma queda substancial na fertilidade total
de todas as classes em todas as regiões do País. No Nordeste
caiu cerca de 2 (de 8,36 para 6,22). Além do mais, o fosso entre os
grupos menos de 50% do salário mínimo e entre
50 a 100% do salário mínimo diminuiu de 7 para cerca de 4,4
(7,73-3,37). Parte desta diminuição deve-se a um aumento
surpreendente na fertilidade do grupo entre 50 a 100% do salário
mínimo (de 2,38 para 3,37), uma subida de mais de 40% em sete
anos. Porquê este forte movimento contra a tendência para esta
classe em particular, que era anteriormente a menos fértil?
Existem boas razões para crer que isto reflecte mais uma
reclassificação estatística do que uma verdadeira
mudança comportamental. Uma vez que a correcção
monetária para a inflação se arrastou atrás da taxa
de inflação entre 1970 e 1977, o poder de compra real do
salário mínimo desgastou-se, e embora algumas pessoas passassem
nominalmente da categoria mais baixa de rendimentos para a seguinte, não
houve nenhuma alteração quer nos seus rendimentos quer no seu
comportamento reprodutivo. Consequentemente, estas pessoas aumentaram a
fertilidade das classes nominais de rendimentos para onde a
inflação os atirou. O diferencial de fertilidade
real entre classes em 1977 era claramente maior que 4,4, embora ligeiramente
abaixo do valor de 7 registado em 1970 possivelmente cerca de 5,4,
partindo do princípio que a totalidade do aumento de fertilidade no
grupo entre 50 a 100% do salário mínimo foi
adulterado.
Entre 1970 e 1977 houve uma clara diminuição das
diferenças extremas entre classes na fertilidade e um consequente
enfraquecimento do efeito da distribuição do rendimento
per capita
comparado com 1970. No entanto, o total de fertilidade da classe baixa
continua acima do dobro do da classe alta, por isso o efeito continua a ser
significativo. Além do mais, uma vez que o crescimento do rendimento
total diminuiu drasticamente, a pressão da alta fertilidade no
rendimento
per capita
na classe baixa pode agora ser maior, em termos absolutos.
O diferencial de 7 registado em 1970 era provavelmente a maior diferença
de classes em fertilidade no mundo inteiro, e possivelmente em toda a
História. Uma revisão superficial da literatura mostra-nos
poucas possíveis comparações que não provam que o
Brasil teve a mais alta diferença de classes em fertilidade no mundo
inteiro mas fazem essa suposição ser bastante plausível.
1- Para o Peru em 1960, Stycos
[11]
definiu 5 classes socio-económicas e registou uma diferença em
fertilidade total entre a classe baixa (7,6) e a alta (3,8) de 3,8.
2- Para a Cidade do México em 1970, Zambrano Lupi
[12]
registou que a fertilidade total de mães com menos de 3 anos de estudos
era de 7,85 e a das mães com educação superior era de
4,53, uma diferença de 3,32.
3- Em Calcutá, Pakrasi e Haider
[13]
registaram uma fertilidade total na classe com os gastos mensais mais baixos
de 7,95, contra 4,52 na classe com os gastos mensais mais elevados, resultando
num diferencial de classes de 3,43.
4- Nos Estados Unidos da América em 1910, Petersen
[14]
registou uma diferença entre a fertilidade total de agricultores
e trabalhadores rurais (5,6) e profissionais urbanos (1,8) de
3,8.
5- No Brasil inteiro em 1970, Wood e Carvalho
[15]
registaram que o total de fertilidade para a mais baixa de 4 classes de
rendimentos familiares era de 7,6 enquanto o da classe mais alta era de 3,3,
resultando numa diferença de 4,3.
Em todos estes casos as comparações são feitas entre a
classe mais alta e a mais baixa, ficando excluída uma substancial classe
média, enquanto no Nordeste Brasileiro não existe esta classe
média uma vez que apenas na classe mais baixa se encontra 80% da
população e a comparação é feita com a
classe imediatamente seguinte. De qualquer maneira, os valores citados acima
não se aproximam minimamente do valor de 7 para o Nordeste Brasileiro em
1970, e encontram-se abaixo do valor de 5,4 para 1977. Duvido que qualquer
outra sociedade no mundo tenha uma tão grande diferença de
fertilidade entre classes de inclusividade comparável.
Além do mais, a diferença não é entre nativos
indígenas e colonizadores, nem entre subculturas religiosas ou
linguísticas. O diferencial de fertilidade no Nordeste Brasileiro
é baseado em classe económica. Ambas as classes falam a mesma
língua, pertencem à mesma Igreja, partilham os mesmos
antepassados raciais, vêm as mesmas novelas na televisão,
vão aos mesmos jogos de futebol, e votam (ou são proibidos de
votar) nas mesmas eleições. Um diferencial de fertilidade total
de quase 7 crianças é aparentemente tão extremo que
deveria ter atraído enorme atenção. Mas tal não
aconteceu. Nem está a ser dada muita atenção ao valor
actual de 5,4, que possivelmente continua a estar entre os mais elevados do
mundo. Porque têm sido ignorados estes factos chocantes?
Uma possibilidade, claro, é a de que os valores estejam errados. A
maioria das reacções (mas longe de ser unânime) dos meus
colegas economistas na Universidade Federal do Ceará quando confrontados
com a Tabela 1, foi de incredulidade. As diferenças de fertilidade,
diziam eles, são grandes e abruptas demais entre classes
contíguas, que não são tão diferentes assim na
escala social. Possivelmente estavam certos. Por outro lado, a fonte usada
(IBGE) era a melhor disponível, e foram usados dois conjuntos
independentes de informação, ambos mostrando resultados gerais
idênticos. Além do mais, as duas classes adjacentes entre as
quais havia a enorme diferença eram menos próximas do que poderia
parecer porque a primeira categoria (abaixo de meio salário
mínimo) é o que se poderia chamar de poço sem
fundo e contém perto de 80% do total de famílias e 92% do
total de indivíduos em 1970. Os rendimentos familiares
per capita
da maioria das pessoas desta populosa categoria eram efectivamente menos de um
quarto do salário mínimo. Em 1970, 67% das famílias e 76%
dos indivíduos estavam no grupo menos de 25% do salário
mínimo. Por isso, a mediana para a categoria (denominada
poço sem fundo) menos de 50% do salário
mínimo vai estar bem abaixo de um quarto do salário
mínimo. Assim, a mediana da categoria seguinte pode ser aproximada ao
ponto médio de 75% do salário mínimo. Encarando isto
desta maneira, verificamos que o rendimento mediano
per capita
da segunda categoria é três vezes superior ao da primeira, apesar
de serem contíguas.
O facto de estes números provocarem incredulidade numa primeira
reacção entre muitos nordestinos pode ser mais uma
indicação da habitual cegueira à realidade social que eles
reflectem do que uma razão para desconfiar dos valores. Essa foi, pelo
menos, a interpretação feita por algumas das pessoas do IBGE no
Rio de Janeiro que efectuaram o estudo ao serem informados da incredulidade
prevalecente entre os meus colegas no Ceará. De qualquer modo, o
assunto merece mais estudo por parte dos crentes e dos não-crentes
nestes valores.
Uma questão mais abrangente, também merecedora de mais estudo,
foi levantada há anos atrás por João Lyra Madeira.
[17]
Por que é que toda questão da fertilidade foi marcado como
um tabu virtual na demografia e na ciência económica brasileira?
Hoje em dia tabu será talvez uma palavra demasiado
forte embora persevere uma desinclinação para
estudar a fertilidade no seu contexto socio-económico. Quando um
assunto é tabu, geralmente revela uma injustiça demasiado
evidente para defender abertamente, mas importante demais para os interesses do
status quo para desafiar abertamente. Isto lembra-me a minha juventude no sul
segregacionista dos Estados Unidos sulistas. Era óbvio até para
qualquer criança que, de modo geral, os negros faziam todo o trabalho
pesado e eram pobres, enquanto os brancos faziam os trabalhos mais
interessantes e tinham melhores salários. E as leis da
segregação eram feitas para manter as coisas assim mesmo. Era
aceitável que se reconhecesse este facto desde que não se
prolongasse o discurso, ou não tomasse qualquer acção
relacionada com ele. Poucos eram os brancos sulistas nos anos 40 que
não gostavam de negros (ou pessoas de cor, maneira educada
de a eles se referir na época). Na realidade, a maior parte dos
brancos gostava dos negros a um nível pessoal e no seu
lugar, cliché da época. Do mesmo modo, é minha
opinião que os brasileiros de classe alta do Nordeste sentem um afecto
genuíno pelos seus compatriotas da classe baixa a um nível
pessoal e no seu lugar, isto é, a trabalhar nas
fábricas, fazendas e lares da classe alta. O Nordeste Brasileiro
é muito menos racista que os Estados Unidos mas as divisões
económicas de classe são muito mais fortes.
Numa sociedade de classes é natural que existam diferenças de
classes em tudo, incluindo fertilidade. O facto de o diferencial de
fertilidade reforçar a estrutura básica de classes da sociedade
é o que torna inconveniente estudar o assunto em profundidade. É
inconveniente para a oligarquia porque expõe outra dimensão na
exploração das classes. Poder-se-ia pensar, no entanto, que os
marxistas estariam desejosos de expor os factos. No entanto, estes não
estão dispostos a admitir qualquer outra causa para a pobreza que
não seja o monopólio dos meios de produção. As
políticas neo-malthusianas são especialmente desagradáveis
para os marxistas pois proporcionam a possibilidade de melhoria por
acção individual, enfraquecendo assim a solidariedade entre
classes e retirando algum vento das velas da sua cura única para todos
os males, a revolução de classe. Consequentemente, o assunto
é negligenciado.
Devido a esta negligência, o enorme diferencial de fertilidade no
Nordeste Brasileiro continua à espera de uma
explicação adequada. Conforme indiquei, acredito
que a explicação básica reside na natureza classista da
sociedade. Como defendi nos meus estudos de 1970 e 1971, o papel literal de um
proletariado é crescer.
[18]
O significado literal da palavra proletariado na Roma antiga
era o daqueles com muitos filhos (muita prole), a classe mais pobre da
sociedade e cujos membros estavam isentos de impostos e cuja utilidade para a
República era principalmente a procriação de
crianças. A associação da pobreza com a rápida
proliferação está implícita neste significado
literal e era explicitamente desenvolvida no pensamento malthusiano e
neo-malthusiano. No tempo de Marx a palavra já havia perdido o seu
significado original, e este cortou qualquer ligação
etimológica remanescente com proliferação ao redefinir a
palavra para se referir aos não-proprietários dos meios de
produção que têm de vender o seu trabalho aos capitalistas
para sobreviver. Uma teoria de pobreza está também
implícita na definição de Marx, especificamente porque a
pobreza é uma consequência do monopólio da propriedade dos
meios de produção por poucos e a consequente
não-propriedade dos meios de produção por
muitos. Ideologicamente, no sentido de fornecer uma única causa e cura
para o problema da pobreza, as duas tradições entram em conflito.
Mas em termos lógicos as teorias marxistas e malthusianas não
entram em conflito. É perfeitamente possível uma classe ter o
monopólio tanto dos meios de produção como dos meios de
controlo da população. De facto, foi o próprio Marx que
disse que a mera propriedade de terra ou capital não é suficiente
para fazer de um homem proprietário ou capitalista se faltar o
respectivo requisito social, o proletário sem outra alternativa que
não seja a de vender o seu trabalho ao capitalista.
[19]
A rápida reprodução de correlativos
suporta e reforça a distribuição diferenciada da riqueza
produtiva que é a característica dominante da vida social no
Nordeste Brasileiro.
Mais provas demográficas da natureza classista da sociedade, e uma
explicação parcial das extremas diferenças de fertilidade,
são fornecidas pelas estatísticas das diferenças em
mortalidade entre classes na Tabela 2. {Lamento não ter sido
possível incluir a tabela neste artigo}
No Nordeste inteiro em 1970 havia uma diferença na expectativa de vida
à nascença de 17,5 anos entre a categoria mais baixa (menos de
50% do salário mínimo) que continha acima de 80% da
população, e a categoria mais alta (mais de 200% do
salário mínimo) que continha cerca de 1% da
população. No Nordeste urbano a diferença era de cerca de
20 anos! Uma espécie, ou classe, que tenha uma elevada taxa de
mortalidade (baixa expectativa de vida) tem de ter uma elevada taxa de
natalidade para sobreviver. Embora altamente significativas, as
diferenças em mortalidade são menos dramáticas quando
comparadas com as da fertilidade. Isto é, a elevada fertilidade na
classe baixa mais do que compensa a elevada mortalidade.
Até 1977 a diferença em expectativa de vida entre as classes
respectivas no Nordeste havia descido para cerca de 15 anos. A maior
alteração, cerca de 11 anos, deu-se entre as categorias
entre 50 a 100% do salário mínimo e entre 100 a
200% do salário mínimo, enquanto que a maior
alteração em fertilidade no mesmo período deu-se entre as
categorias menos de 50% do salário mínimo e
entre 50 a 100% do salário mínimo. A queda na taxa
de natalidade ocorre então antes da queda da taxa de mortalidade
conforme subimos a escala do rendimento familiar
per capita
um facto que parece enfraquecer a hipótese de que a taxa de
natalidade desce como resposta atrasada à queda da taxa de mortalidade.
Em resumo, as diferenças de mortalidade entre classes não
são tão extremas como as diferenças de fertilidade, nem a
linha divisória é tão dramática, nem ocorre ao
mesmo nível de rendimento. De qualquer modo, as diferenças de
mortalidade aumentam significativamente o retrato total das dimensões
reais de uma sociedade classista. As dimensões demográficas das
classes no Nordeste Brasileiro podem ser resumidas do seguinte modo:
1- Em 1970, havia uma diferença na fertilidade total entre classes de
quase 7 nascimentos e uma diferença na expectativa de vida à
nascença de cerca de 18 anos.
2. Em 1977 havia uma diferença na fertilidade total entre classes de
cerca de 5,4 e uma diferença da expectativa de vida à
nascença de cerca de 15 anos.
Houve uma dramática melhoria nesses 7 anos, embora ainda haja um longo
caminho a percorrer. A diferença na mortalidade era um objectivo de
política pública. A diferença na fertilidade não
ocorreu directamente através de políticas, mas sim como
consequência de outros factores. Que factores?
Não se pode apelar à usual tese de transição
demográfica porque a condição económica dos
80% mais pobres não melhorou, no entanto foi aí que ocorreu o
grosso da redução em fertilidade. No entanto, como já
notamos, a grande queda na fertilidade ocorreu a níveis de rendimento
per capita
menores que a grande queda na mortalidade. De facto, poderia ser argumentado
para o Nordeste, como o foi por Merrick e Berquo para todo o Brasil
[20]
, que a deterioração do rendimento real da classe mais baixa foi
o que levou à descida da fertilidade de modo a manterem as suas
crescentes expectativas consumistas. Alternativamente, e talvez mais relevante
para o Nordeste, estes sugeriram que o aumento da miséria na classe mais
baixa pode ter diminuído a fecundidade e o desejo de
reprodução. A queda na fertilidade não foi uma
consequência de melhorias económicas para as massas. Parece ter
sido, ao invés, o resultado de uma certa democratização do
controlo de natalidade tanto em termos de atitudes como de acesso a meios.
Esta inicial dispersão de hábitos da classe alta para a baixa
não foi um objectivo político do Governo longe disso.
Parece ter acontecido em resposta a um desejo latente por parte do proletariado
para o controlo da reprodução, assim que a prática ganhou
uma certa legitimidade.
Esta legitimidade acrescida partiu de diversas fontes. Primeiro, a
urbanização ajudou a espalhar a informação.
Segundo, a ala liberal da Igreja Católica deu mais ênfase à
paternidade responsável do que à relativa
aceitação dos métodos alternativos de controlo de
natalidade. Terceiro, a prática do controlo de natalidade pela classe
alta foi naturalmente difundido das donas de casa para as suas empregadas, e
dos médicos para os seus pacientes, porque são desenvolvidas
relações de afecto humano entre linhas de classes. Quarto,
pílulas e preservativos estão agora disponíveis ao
público em geral, estando os últimos em exposição
em muitas superfícies comerciais, o que certamente não era o caso
nos anos 60. Quinto, houve uma revolução sexual geral no sentido
que o sexo passou de assunto quase tabu (os brasileiros nunca foram puritanos)
a objecto de intensa exploração comercial através da
televisão (nas telenovelas e anúncios), do cinema (as agora
famosas pornochanchadas brasileiras) e das revistas que vão desde
sensuais a pornográficas vendidas em todos as bancas de jornais.
É interessante ver que, em matéria de sexo, praticamente deixou
de haver censura ao mesmo tempo que a censura política se intensificou.
Algumas pessoas argumentam que isso foi um esquema para dar a aparência
de imprensa livre. Pornografia livre foi um fácil substituto para a
liberdade de expressão. A consequência involuntária disto
foi o apressar da difusão do controlo de natalidade ao colocar um
intenso foco comercial no sexo e ao legitimar a discussão aberta de tudo
com isso relacionado, incluindo o controlo de natalidade.
[21]
A atitude adoptada pelo governo é a de
laissez-faire
as iniciativas privadas de controlo de natalidade são toleradas,
mas a política oficial é pro-natalidade. Alguns acreditam que o
governo gostaria de fazer uma inversão de marcha, como
aconteceu no México, mas estão impossibilitados disso pelo facto
de não quererem mais conflitos com a Igreja Católica, uma vez que
já são alvo de bastantes críticas por parte desta em
assuntos relacionados com os direitos humanos e a justiça social.
Em contraste com a noção de que o Governo realmente quer controlo
de natalidade e encontra-se restringido pelo contexto político,
está a noção de que o Governo é genuinamente
pro-natalidade e muito dificilmente mudará. Historicamente, o Brasil
sempre seguiu uma política de mão-de-obra barata.
[22]
No início do século XIX, a escravatura representava um meio
de ter mão-de-obra barata involuntária vinda de África.
Quando a escravatura foi abolida nos finais do século XIX, a
imigração subsidiada de pobres do Sul da Europa providenciou uma
fonte de mão-de-obra barata até ao século XX, altura em
que a taxa de crescimento natural da classe operária brasileira foi por
si só suficiente para garantir mão-de-obra barata. A singular
falta de entusiasmo que os recentes governos brasileiros mostraram em prol de
uma política de difusão do controlo de natalidade entre a classe
operária (a classe alta já a pratica) pode ser vista como uma
continuação de uma política histórica de
mão-de-obra barata, embora de forma passiva ao invés de activa.
Mais provas que suportam a segunda noção podem ser encontradas em
vários anúncios públicos oficiais. Em 1982 um grupo de
estudo da Escola Superior de Guerra publicou um pequeno livro intitulado
O Problema Demográfico Brasileiro,
[23]
que reflecte a visão oficial, ilustrada pelas seguintes
citações:
"Um país das dimensões continentais do Brasil, com fabulosos
recursos naturais, riqueza abundante e sem preconceitos em
relação a raça, cor ou religião precisa de uma
população suficiente para ocupar e defender o seu
território contra a ganância internacional.
"As políticas demográficas implícitas em campanhas
anti-natalidade, tidas por alguns como absolutamente necessárias ao
nosso desenvolvimento, resultariam na estagnação ou
regressão do crescimento da nossa população
nós que já somos tão poucos num país tão
grande e com tantos recursos inesgotáveis. Uma política de
estímulo à natalidade assegurando mais desenvolvimento
económico irá permitir-nos ter mais trabalhadores,
técnicos e cientistas brasileiros. A acrescer à
produção de bens de consumo e produção, com o
Brasil industrializado os nossos técnicos e cientistas serão
capazes de transformar parcialmente a nossa indústria pesada numa
indústria capaz de produzir bens militares". [página 75]
"Do ponto de vista militar, população é poder, e no
Brasil, apesar das campanhas malthusianas, o aumento da população
tem servido o país historicamente através de um crescimento
económico mais rápido do que nos países com baixa taxa de
natalidade, como a Argentina, o Chile ou o Uruguai". [página 72]
Os autores deste pequeno livro citam aprovadoramente o ministro João
Paulo dos Reis Veloso que disse que "um país como o Brasil
não tem qualquer direito de criar programas de controlo de natalidade
porque enquanto a nossa população cresce anualmente 2,5%, o
desenvolvimento económico cresce a 9%". [página 76]
De notar que esta última declaração reflecte precisamente
a enganosa agregação do guisado com 50% de coelho
citado anteriormente, a qual a muito custo tentei refutar no meu trabalho de
1970 o que também demonstra que este segundo exame
não é de todo despropositado. Em todo o caso, é certo que
o crescimento económico de 9% provou ser de pouca duração.
Para resumir, as conclusões principais deste segundo exame, 15
anos depois são descritas abaixo.
1- O Nordeste Brasileiro tem, provavelmente, a maior diferença de
fertilidade entre classes de qualquer sociedade. A dimensão das
diferenças de classe em fertilidade foi subestimada no meu estudo de
1970, e consequentemente os argumentos baseados nessa diferença
têm agora um suporte empírico mais forte do que o que estava
disponível na altura.
2- Entre 1970 e 1977, a fertilidade desceu significativamente em todas as
classes. As diferenças entre classes foram reduzidas mas continuavam
muito altas de acordo com os padrões internacionais. O efeito do
diferencial de fertilidade na distribuição do rendimento continua
a ser muito importante apesar do progresso real feito na
diminuição da fertilidade.
3- Uma definição marxista-malthusiana da classe social em termos
de controlo e não-controlo tanto da produção como da
reprodução reflecte bem o Nordeste, e oferece a possibilidade de
integrar as percepções válidas de ambas as
tradições. Isto é importante uma vez que, com o recente
renascimento do conceito de Economia Marxista nas universidades brasileiras, as
percepções malthusianas correm o risco de serem perdidas ou
ignoradas junto com a frágil estrutura analítica dos dissecados
modelos neoclássicos. A democratização do controlo da
reprodução não é menos (e não mais)
importante que a democratização da propriedade de terra no
Nordeste. Todos falam sobre reforma agrária, mas muito poucos falam
sobre uma reforma reprodutiva. Paradoxalmente, a reforma reprodutiva parece
estar agora a acontecer mais rapidamente que a reforma agrária.
Agradeço à Comissão Fulbright por um leitorado que me
permitiu passar três meses no Nordeste do Brasil em 1983. Do mesmo modo,
estou em dívida para com os meus colegas da Universidade Federal do
Ceará, da Fundação Joaquim Nabuco e do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística pelos debates e sugestões.
A responsabilidade por qualquer ponto de vista e qualquer erro é
claramente minha.
Notas
1- "The Population Question in Northeast Brazil: Its Economic and
Ideological Dimensions", Economic Development and Cultural Change, July
1970; "A Marxian-Malthusian View of Poverty and Development",
Population Studies, May 1971.
2- Perfil Estatístico de Crianças e Mães no Brasil:
Características Socio-demográficas, 1970-1977 (Rio de Janeiro,
IBGE), 99. Este estudo passará, a partir daqui, a ser citado como
"Perfil'.
3- Perfil, 89.
4- Ver comentário de Yony Sampaio, com a minha resposta,, in Economic
Development and Cultural Change, January 1976.
5- PNAD é um acrónimo para Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílio (Pesquisa nacional baseada na amostragem de famílias).
6- Ver nº 3, acima.
7- Fertilidade total é o número de nados vivos por mulher, se
esta sobreviveu à menopausa, e estava sujeita às taxas de
fertilidade de um grupo etário específico da
população em questão.
8- Em 1970 a mortalidade infantil abaixo dos dois anos de idade era de 192,3
por 1000 e em 1977 de 154,7 por mil (Perfil, 55).
9- Thomas W Merrick e Elsa Berquo, The Determinants of Brazil's Recent Rapid
Decline in Fertility (Washington, DC: National Academy Press, 1983), 24.
10- Charles H Wood e Jose Alberto Carvalho, "Population Growth and the
Distribution of Household Income: The Case of Brazil", The Sociological
Quarterly 23 (Winter 1982): 53.
11-
J Mayone Stycos, "Social Class and Differential Fertility in
Peru", Proceedings of the International Population Conference, New York,
1961, vol 2 (London, 1963), 123-38.
12- Jorge H Zambrano Lupi, "Fertility and Educational Status in Mexico
City" (in Spanish), Demografiay Economfa 13 (4), no 40 (1979): 442.
13- Kanti Pakrasi e Ajit Haider, "Fertility in Contemporary Calcutta: A
Biosocial Profile", Genus 37 (3-4). (July-December 1981): 201-19.
14- William Petersen, Population (New York: Macmillan Co., 1975), 527.
15- Wood e Carvalho, "Population Growth", n 11, ver sua Tabela 1, 54.
16- Perfil, 157.
17- João Lyra Madeira, "Migrações Internas no
Planejamento Economico", in Atigrafffes Internas no Brasil, editado por
Manoel A Costa (Rio de Janeiro: Instituto de Planejamento Econômico e
Social, 1971), 42.
18- Ver nota 1 acima.
19- Ver Karl Marx, Capital, capítulo 33, "The modern theory of
colonization", pages 379-83 in Great Books edition (University of Chicago,
1952).
20- Merrick e Berquo, Determinants, 82, 83.
21-
Para um estudo interessante sobre alteração de atitudes
sexuais em diferentes classes sociais, ver Rose Marie Muraro, Sexualidade da
Mulher Brasileira (Editora Vozes, Petrópolis, RJ, Brasil, 1983).
22- Nathaniel H Leff, Underdevelopment and Development in Brazil, 2 vols
(London: George Allen and Unwin, 1982). Ver especialmente capítulo 4,
volume 1.
23- O Problema Demográfico Brasileiro (Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra, Grupo 05, Belo Horizonte, MG, 1982).
(Traduções minhas.)
[*]
Professor da School of Public Affairs da Universidade Maryland. O texto acima
é o Capítulo 9 do seu livro
Beyond Growth : The Economics of Sustainable Development
(Beacon Press, 1996).
Tradução de Miguel Mota.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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