Testemunho de um operador de vídeo no Ground Zero do WTC
por Kurt Sonnenfeld
[*]
entrevistado por Alan Miller
Como operador de vídeo do governo dos Estados Unidos, Kurt Sonnenfeld
foi despachado para o Ground Zero no dia 11 de Setembro de 2001, onde registou
29 filmes ao longo de um mês: "O que vi em certos momento e em
certos lugares... é muito perturbador!". Ele nunca os transmitiu
às autoridades e desde então foi perseguido. Kurt Sonnenfeld
exilou-se na Argentina, onde acaba de publicar
El Perseguido.
A obra relata o seu interminável pesadelo e dá um novo golpe no
Relatório da Comissão presidencial sobre os acontecimentos do
11/Set. Uma entrevista exclusiva realizada pelo Réseau Voltaire.
9 Julho 2009
Kurt Sonnenfeld, diplomado pela Universidade do Colorado (EUA), estudou
relações internacionais e economia, bem como literatura e
filosofia. Trabalhou para o governo dos Estados Unidos como operador de
vídeo oficial e como director das operações de
divulgação da equipe de intervenção de
emergência para a Agência Federal das Situações de
Emergência (Federal Emergency Management Agency, FEMA). Sonnenfeld
trabalhou igualmente sob contrato para
diversas agências governamentais e programas para operações
confidenciais e "sensíveis" nas instalações
científicas e militares sitas no território dos EUA.
No dia 11 de Setembro de 2001 a zona denominada "Ground Zero" foi
encerrada ao público. Entretanto, Sonnenfeld tinha acesso livre à
mesma, o que lhe permitiu documentar o inquérito (que nunca houve) e
fornecer cenas "expurgadas" a praticamente todas as cadeias de
informação do mundo. Os registos revelando certas anomalias que
ele descobriu no Ground Zero continuam na sua posse.
Acusado conforme o cenário manifesto de um golpe montado,
sobretudo à luz dos acontecimentos que se seguiram de um crime
que não houve, Kurt Sonnenfeld foi perseguido em dois continentes.
Após dois anos de medo, de injustiça e de isolamento, decidiu
tomar posição publicamente contra a versão oficial do
governo. Ele está pronto a submeter os documentos na sua posse ao exame
minucioso de peritos fiáveis.
Entrevista
Réseau Voltaire:
Vosso livro autobiográfico intitulado
El Perseguido
foi publicado recentemente na Argentina, onde vive exilado desde 2003.
Diga-nos: quem vos perseguiu?
Kurt Sonnenfeld:
Apesar de ser uma autobiografia, não se trata da história da
minha vida. Tendo-me tornado uma testemunha embaraçosa após o meu
serviço no Ground Zero, é antes a narrativa dos acontecimentos
extraordinários que nos afectaram, à minha família e a mim
próprio, durante mais de sete anos e nos dois continentes, devido
às autoridades dos EUA.
Réseau Voltaire:
Explicou que o vosso pedido do estatuto de refugiado político, conforme
a Convenção de Genebra de 1951, ainda está em estudo no
Senado argentino, ainda que em 2005 vos tenha garantido o asilo político
em bases provisórias. Isto o torna provavelmente o primeiro
cidadão estado-unidense nesta situação! Sem dúvida
o primeiro responsável do governo exposto directamente aos
acontecimentos em torno do 11 de Setembro de 2001 que se tornou um
"denunciante"
("whistle-blower"),
uma fonte pública. Foi isso que vos levou ao exílio?
Kurt Sonnenfeld:
Um refugiado é uma pessoa que foi forçada a deixar o seu
país (ou não pode regressar a ele) devido a
perseguição. É inegável que numerosas pessoas foram
injustamente perseguidas por causa das leis quase-fascistas e das
políticas saídas do choque do 11 de Setembro de 2001 e elas
têm direito ao estatuto de refugiado. Mas o facto é que pedir o
estatuto de refugiado é acto arriscado e perigoso. Os Estados Unidos
são a única "super potência" que resta no mundo e
a dissidência ali é reprimida de facto. Qualquer um que
peça o estatuto de refugiado com bases políticas comete assim um
acto de dissidência extrema. Se o vosso pedido for rejeitado, o que
é que se faz? Uma vez apresentado o pedido, é impossível
voltar atrás.
Pessoalmente, eu não era obrigado a deixar os Estados Unidos, certamente
não fugi. Na época, muito simplesmente não estava
consciente do que se tramava contra mim. Eu ainda não havia estabelecido
as ligações. Assim, quando parti em 2003, tinha a
intenção de retornar. Vim à Argentina para um curto
descanso, para tentar recuperar-me depois tudo aquilo que me aconteceu. Vim
aqui livremente com o meu próprio passaporte, utilizando os meus
próprios cartões de crédito. Mas por uma sequência
incrível de acontecimentos, desde então foi forçado ao
exílio e não retornei.
Réseau Voltaire:
A que espécie de acontecimentos se refere?
Kurt Sonnenfeld:
Fui objecto de denúncias mentirosas a propósito de
"crimes" que, como as evidências indicam, não se
verificaram, de um aprisionamento abusivo e de torturas na sequência
destas acusações, além de calúnias escandalosas
para a minha reputação, ameaças de morte, tentativas de
sequestro e várias outras violações dos direitos civis e
humanos tais como as denunciadas por numerosos acordos internacionais. O meu
retorno aos Estados Unidos não seria apenas um prolongamento destas
violações, resultaria numa separação talvez
permanente da minha mulher e dos nosso gémeos de três anos,
a única razão de ser que me resta. E depois, com a
impossibilidade de obter um processo justo para uma crise que nunca se
verificou, arriscar-me-ia mesmo à pena de morte.
Réseau Voltaire:
Em 2005, o governo estado-unidense requereu a vossa extradição,
o que foi recusado por um juiz federal. Depois, em 2007, o Tribunal Supremo
argentino numa demonstração de integridade e
independência recusou o apelo estado-unidense, mas o vosso governo
persistiu. Pode-nos esclarecer sobre a situação?
Kurt Sonnenfeld:
Em 2008, absolutamente sem qualquer base legal, o governo estado-unidense fez
novo apelo junto ao Tribunal Supremo argentino, que certamente manterá
as duas decisões inatacáveis já tomadas pelo juiz federal.
Uma destas decisões relativa que havia demasiadas sombras, ou zonas de
sombras, no meu caso. Havia numerosas mentiras no pedido de
extradição enviado para aqui pelas autoridades dos EUA e
felizmente nós pudemos prová-lo. O facto de que tenha havido
tantas mentiras serviu para sustentar o meu requerimento de pedido de asilo.
Pudemos mostrar que fomos vítimas de uma longa campanha de
perseguição e intimidação por parte dos
serviços de informação estado-unidenses. Em
consequência, minha família está desde então sob
protecção policial permanente. Como observou um senador a
propósito do meu caso: "o seu comportamento trai as suas
motivações reais".
Réseau Voltaire:
Eles querem vos prender por um crime imaginário. Como é que
justifica um tal encarniçamento? No tempo em que era funcionário
do FEMA, o governo deveria ter acreditado em vós. Em que momento a
situação foi revertida?
Kurt Sonnenfeld:
Retrospectivamente, percebo que a situação reverteu-se pouco
antes de eu tomar consciência disso. Inicialmente, a falsa
acusação levantada contra mim era totalmente irracional, ela
demoliu-me completamente. É incrivelmente difícil sofrer com a
perda de alguém que se ama e que se suicida. Mas ser acusado, é
insuportável. O assunto saldou-se por um cancelamento de julgamento pois
uma montanha de provas absolvia-me totalmente (Nancy, minha mulher, deixou uma
carta e escritos suicidários no seu diário; houve casos de
suicídio na sua família; etc). A acusação estava
certa a 100% da minha inocência antes de pedir o cancelamento.
Mas a detenção foi prolongada, mesmo DEPOIS de ter sido dito que
eu devia ser libertado, o que me provou alguma coisa era tramada nos
bastidores. Fui encarcerado QUATRO MESES depois de os meus advogados terem sido
informados de que um cancelamento fora requerido; fui finalmente libertado em
Junho de 2002. Enquanto estava detido, tive uma conversação
telefónica com funcionários do FEMA a fim de resolver o problema,
mas percebi que era considerado como "comprometido", representando um
perigo. Foi-me dito que fora acordado que "a Agência devia ser
protegida", sobretudo à luz perturbação que se
ameaçava com a entrada em vigor do Patriot Act e da intrusão
esperada que viria com o novo Departamento de Segurança Interna
(Department of Homeland Security).
Após todos os riscos em que havia incorrido, todas as provas e
dificuldades que havia suportado durante quase 10 anos, senti-me traído.
A decepção foi terrível.
Como me abandonavam, disse-lhes que não tinha os registos, que os havia
dado a um burocrata de Nova York e que deveriam esperar que fosse libertado
para recuperar qualquer outro documento na minha posse. Pouco depois desta
conversação, a minha casa foi "revistada", as
fechaduras foram mudadas e vizinhos viram homens entrarem na minha casa, apesar
de não haver no Tribunal menções às suas entradas,
como deveria. Quando por fim fui libertado, descobri que o meu
escritório fora saqueado, o meu computador não estava mais
lá e vários vídeos haviam desaparecido da minha videoteca
no sub-solo. Havia homens constantemente parados na rua próximo à
minha casa, o meu sistema de vigilância foi pirateado mais de uma vez, as
lampas de segurança externas foram desenroscas, etc, a ponto de me ter
instalado em casa de amigos, na sua propriedade na montanha, que em seguida
TAMBÉM foi arrombada.
Qualquer um que procure a verdade reconhece que houve séries de
irregularidades extraordinárias neste caso e que uma escandalosa
injustiça foi cometida contra mim e aqueles que amo. Esta campanha
intensa para me fazer retornar ao solo americano é um falso pretexto com
as motivações mais obscuras.
Réseau Voltaire:
Sugeriu ter observado coisas no Ground Zero que não concordam com o
relatório oficial. Disse ou fez alguma coisa para despertar a
dúvida a este respeito?
Kurt Sonnenfeld:
Naquele mesmo telefonema eu disse que revelaria ao público não
só as minhas suspeitas sobre os acontecimentos em torno do 11 de
Setembro como também sobre diversos contratos para os quais trabalhei no
passado.
Réseau Voltaire:
Em que se baseiam as vossas suspeitas?
Kurt Sonnenfeld:
Retrospectivamente, havia muitas coisas perturbadoras no Ground Zero.
Pareceu-me bizarro ser enviado a Nova York antes mesmo de o segundo
avião se ter chocado com a torre Sul, quando os media ainda relatavam
apenas que um "pequeno avião" colidira com a torre Norte
uma catástrofe demasiado pequena para fazer intervir a FEMA. A
FEMA foi mobilizada em alguns minutos, quando foram precisos dez dias para se
deslocar à Nova Orleães em resposta ao furacão Katrina,
apesar de numerosas advertências prévias! Achei bizarro que as
câmaras fossem tão ferozmente proibida no perímetro de
segurança do Ground Zero, que toda a zona fosse declarada cena do crime,
enquanto as peças de convicção eram levadas dali e
destruídas tão rapidamente. Depois achei muito estranho saber que
a FEMA e várias outras agências federais já estavam
posicionadas no seu centro de comando, no Pier (cais) 92, a 10 de Setembro, um
dia antes dos atentados.
Pedem-nos para acreditar que as quatro caixas negras
"indestrutíveis" dos dois aviões que se chocaram com as
torres nunca foram reencontradas pois foram completamente pulverizadas.
Entretanto, tenho um filme mostrando rodas do trem de aterragem pouco
danificadas e também poltronas, pedaço de fuselagem, uma turbina
de avião, que não estavam absolutamente desintegrados. Dito isto,
considero bastante estranho que tais objectos quase intactos tenham podido
resistir a este tipo de destruição que transformou a maior parte
das Torres Gémeas em pó. E tenho seguramente algumas
dúvidas quanto à autenticidade da turbina "do
avião".
O que aconteceu ao Edifício 7 é extremamente suspeito. Tenho um
vídeo que mostra a que ponto a pilha de fragmentos era curiosamente
pequena e como os edifícios de cada lado não foram afectados pelo
Edifício 7 quando este ruiu. Ele não foi atingido por um
avião; não sofreu senão danos menores quando as Torres
Gémeas afundaram, não havia senão incêndios menores
em alguns andares. É impossível que este edifício tenha
podido implodir como aconteceu sem uma demolição controlada.
Contudo, o colapso do Edifício 7 foi apenas evocado pelo media
dominantes e ignorado de maneira suspeita pela Comissão sobre o 11/Set.
Réseau Voltaire:
Segundo algumas informações, os subsolos do WTC7 continham
arquivos sensíveis e sem dúvida comprometedores. Encontrou alguma
coisa assim?
Kurt Sonnenfeld:
O Serviço Secreto, o Departamento da Defesa, o FBI, o fisco (IRS), a
Comissão de Regulamentação e Controle dos Mercados
Financeiros (SEC) assim como a Célula de crise [da cidade de Nova York,
NR] para as situações de emergência (OEM) ocupavam muito
espaço em vários andares do edifício. Outras
agências federais também tinham escritórios ali.
Após o 11 de Setembro descobriu-se que, escondido no edifício 7,
se encontrava o maior centro clandestino da CIA no país, exceptuado o de
Washington DC; uma base operacional a partir de onde espionavam os diplomatas
das Nações Unidas e onde eram conduzidas as
operações de contra-terrorismo e contra-espionagem (assim como a
inteligência económica, NR).
Não havia parqueamento subterrâneo no edifício 7 do World
Trade Center. Não havia caves. Em substituição, as
agências federais do Edifício 7 arrumavam seus veículos,
documentos e peças de convicção no edifício dos
seus parceiros do outro lado da rua. Sob o nível da praça do
Gabinete das Alfândegas (Edifício 6) havia um grande parqueamento
subterrâneo separado do resto da zona subterrânea do complexo e
altamente vigiado. Era lá que os diversos serviços do governo
guardavam os seus carros resistentes a bombas, as suas limusines blindadas, os
falsos táxis e os camiões da companhia telefónica
utilizados para vigilâncias secretas e operações secretas,
furgonetas especializadas e outros veículos. Nesta zona de parqueamento
com segurança reforçada havia também um acesso à
câmara forte inferior do Edifício 6.
Quando a torre Norte caiu, o Gabinete das Alfândegas dos EUA
(Edifício 6) foi esmagado e completamente devastado pelo fogo. A maior
parte dos seus andares subterrâneos foi igualmente destruída. Mas
havia cavidades. E foi por uma destas cavidades, descoberta recentemente, que
eu desci para investigar com a Força de intervenção
especial. Foi lá que se descobriu a ante-câmara de
segurança da cave severamente danificada. No extremo do gabinete de
segurança encontrava-se a grande porta de aço da caixa forte
tendo, ao lado, o teclado com código na muralha em betão. Mas a
muralha estava fissurada e parcialmente ruída e a porta estava aberta
parcialmente. Com a ajuda dos nossos holofotes, olhou-se o que havia lá
dentro. Se não fossem as várias fileiras de prateleiras vazias, a
caixa forte não continha senão resíduos e poeira. Ela fora
esvaziada. Por que? E quando pôde ser esvaziada?
Réseau Voltaire:
E isto fez soar um sinal de alarme para si?
Kurt Sonnenfeld:
Sim, mas não imediatamente. Num tal caos era difícil reflectir.
Só depois de ter digerido tudo é que se desencadeou o alarme.
O Edifício 6 foi evacuado 12 minutos depois de o primeiro avião
ter chocado com a torre Norte. As ruas ficaram imediatamente congestionadas
pelos veículos de bombeiros, viaturas de polícia e
engarrafamentos. A caixa forte era bastante grande, 15 metros por 15 penso eu,
para necessitar pelo menos um grande camião para evacuar o seu
conteúdo. Depois de as torres terem caído e de terem
destruído o nível do parqueamento, uma missão para
recuperar o conteúdo da ante-câmara teria sido impossível.
A caixa forte foi portanto esvaziada antes do ataque.
Descrevi tudo isso amplamente no meu livro. Aparentemente as coisas importantes
foram postas em lugar seguro antes dos atentados. Por exemplo: a CIA não
pareceu demasiado inquieta com as suas perdas. Depois de a existência do
seu gabinete secreto no Edifício 7 ter sido descoberta, um porta-voz da
agência disse aos jornais que uma equipe especial fora despachada para
procurar entre os resíduos em busca de documentos secreto e de
relatórios dos serviços de informação, apesar de
haver milhões, se não milhares de milhões de folhas a
flutuarem nas ruas. Contudo, o porta-voz estava confiante. "Não
é provável que haja demasiados papéis dispersos",
declarou.
E as alfândegas primeiro afirmaram que fora destruído tudo. Que o
calor fora tão intenso que todas as peças de
convicção da caixa forte haviam sido reduzidas a cinzas. Mas
alguns meses mais tarde eles anunciaram ter acabado com as actividades de uma
importante rede colombiana de tráfico de narcóticos e de
branqueamento de dinheiro depois de terem recuperado provas cruciais da caixa
forte, incluindo fotos de vigilâncias e registos de escutas
telefónicas muito sensíveis. E quando fizeram a mudança
para o seu novo edifício na Penn Plaza 1, em Manhattan, orgulhosamente
afixaram sobre a parede do hall a sua placa honorífica e a grande
tabuleta redonda dos Gabinetes da Alfândega dos EUA, também ela
miraculosamente reencontrada, imaculada, nos seus antigos escritórios do
World Trade Center, esmagados e incendiados.
Réseau Voltaire:
Não estava só na missão ao Ground Zero. Será que
os outros notaram as mesmas anomalias? Sabe se eles foram igualmente
perseguidos?
Kurt Sonnenfeld:
De facto, ouvi falar de algumas pessoas em duas ocasiões diferentes.
Alguns dentre nós discutiram mesmo posteriormente. Eles sabem do que se
trata e espero que venham a manifestar-se, mas estou certo de que têm
fortes apreensões sobre o que lhes acontecerá se o fizerem.
Deixo-os decidirem, mas a união faz a força.
Réseau Voltaire:
Com o lançamento do vosso livro, tornou-se um "lançador de
alerta" mas a um ponto de não retorno! Deve haver muitas
pessoas que sabem o que realmente se passou ou não neste dia
fatídico. Contudo, ninguém se apresentou, sobretudo não
aqueles que estavam directamente implicados de maneira oficial. É isso
que torna o vosso caso tão convincente. A julgar pelas vossas provas,
não é difícil imaginar o que tais pessoas retêm.
Kurt Sonnenfeld:
De facto, também há pessoas muito correctas e críveis que
lançaram alertas. Elas são desacreditadas, ignoradas. Alguns
são perseguidos e acossados como eu.
As pessoas são contidas pelo medo. Todo o mundo sabe que se questionar
as autoridades dos EUA terá problemas de um modo ou de outro. No
mínimo, seremos desacreditados, desumanizados. O mais verosímil
é ser acusado de alguma coisa sem relação alguma, como uma
fraude fiscal ou mesmo alguma coisa pior, como no meu caso. Veja o que
aconteceu a Abraham Bolden por exemplo
[1]
, ou ao mestre de xadrez Bobby Fischer depois de ele ter mostrado o seu
desprezo pelos Estados Unidos. Há uma grande quantidade de exemplos. No
passado, pedi aos meus amigos e associados para falarem por mim, para recontar
todas as mentiras difundidas nos media, mas todos eles tiveram medo das
consequências contra si próprios e as suas famílias.
Réseau Voltaire:
Em que grau as vossas descobertas no Ground Zero implicariam o governo nestes
acontecimentos? Está ao par dos inquéritos efectuados por
vários cientistas e profissionais qualificados que não só
corroboram as vossas descobertas como em certos casos ultrapassam-nas de longe?
Considera estas pessoas como "adeptas da teoria da
conspiração"
("conspiracy nuts").
Kurt Sonnenfeld:
Ao mais alto nível em Washington DC alguém sabia o que ia
acontecer. Eles queriam de tal forma uma guerra que, no mínimo, deixaram
acontecer e mais provavelmente ajudaram mesmo estes acontecimentos a
verificarem-se.
Por vezes, parece-me que os "loucos" [os "adeptos da teoria da
conspiração, NR] são aqueles que se aferram com um fervor
quase religioso àquilo que lhes é dito, apesar de todas as provas
em contrário aqueles que não querem considerar o facto de
que houve uma conspiração interna. Há tantas anomalias no
inquérito "oficial" que não se pode atribuí-las
a erros ou à incompetência. Eu conhecia os cientistas e
profissionais qualificados a que fez referência, as suas descobertas
são convincentes, críveis e apresentadas conforme o protocolo
científico, em total oposição à descobertas do
inquérito "oficial". Além disso, numerosos agentes dos
serviços secretos e funcionários do governo avançam as
suas opiniões muito informadas (dizendo) que a Comissão sobre o
11/Set era na melhor das hipóteses uma farsa e na pior uma cobertura
[2]
. A minha experiência no Ground Zero não é senão uma
peça a mais a acrescentar ao puzzle.
Réseau Voltaire:
Estes acontecimentos remontam a quase oito anos. Pensa que descobrir a verdade
em torno do 11/Set continua a ser um objectivo importante? Por que?
Kurt Sonnenfeld:
É da mais alta importância. Será assim também daqui
a 10 ou mesmo 50 anos se a verdade não explodir até lá.
É um objectivo importante pois, neste ponto da história, muitas
pessoas são demasiado crédulas em relação ao que as
autoridades lhes contam e muito inclinadas a segui-las. Em
situação de choque, as pessoas procuram ser guiadas. As pessoas
que têm medo são manipuláveis. Saber manipular as massas
resulta em benefícios inimagináveis para numerosas pessoas muito
ricas e muito poderosas. A guerra é incrivelmente cara, mas o dinheiro
acaba em algum lugar. A guerra é sempre muito lucrativa para um pequeno
número. De uma maneira ou de outra, os seus filhos acabam sempre em
Washington, DC, eles tomam as decisões, preparam os orçamentos,
ao passo que os filhos dos pobres e daqueles que não são
bafejados acabam sempre na frente, recebendo as ordens e travando as guerras
dos primeiros. As enormes caixas negras do Departamento da Defesa dos EUA
representam uma máquina de financiamento ilimitado para o complexo
militar-industrial, avaliado em vários milhares de milhões de
dólares, e assim será enquanto as massas não acordarem,
enquanto não se tornarem cépticas e enquanto não exigirem
contas. As guerras (e os falsos pretextos que as empurram) não
cessarão enquanto as pessoas não tomarem consciência dos
motivos reais da guerra e não cessarem de acreditar nas
explicações "oficiais".
Réseau Voltaire:
O Movimento para a verdade sobre o 11 de Setembro (9/11 Truth Movement) pediu
um novo inquérito independente acerca destes acontecimentos. Acredita
que haja uma esperança com a administração Obama?
Kurt Sonnenfeld:
Desejo isso realmente, mas permaneço céptico. Por que
razões a liderança de um qualquer governo estabelecido agiria
voluntariamente no que redundaria num sério comprometimento da sua
autoridade? Eles preferem manter o statu quo e deixar as coisas como
estão. O condutor do comboio mudou, mas o comboio mudou de
direcção? Duvido. O impulso deve vir do público,
não só ao nível nacional como também internacional,
como faz a vossa rede.
Réseau Voltaire:
Numerosas associações de defesa dos direitos humanos, grupos de
activistas e personalidades vos apoiam na adversidade, e não das
menores, como o Prémio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquível
por exemplo. Como os argentinos em geral respondem à vossa
situação?
Kurt Sonnenfeld:
Por uma incrível reunião de apoios. Aqui a ditadura militar
ainda está fresca na memória colectiva da maior parte das
pessoas. Elas sabem que a ditadura (assim como as outras ditadura na
América do Sul) foi apoiada pela CIA, na época dirigida por
George Bush pai. Eles lembram-se muito bem dos centros de tortura, das
prisões secretas, dos milhares de pessoas "desaparecidas" por
causa das suas opiniões, do medo quotidiano. Sabem que os Estados Unidos
recomeçarão hoje se o julgarem oportuno, que invadirão um
país para atingir os seus interesses políticos e
económicos, depois para manipular os media com a ajuda de "casus
belli" inteiramente fabricados a fim de justificar as suas conquistas.
Minha família e eu estamos muito honrados por contar dentre os nosso
mais queridos amigos com Adolfo Pérez Esquivel
[3]
e os seus conselheiros do Servicio de Paz y Justicia (SERPAJ).
Trabalhámos juntos em numerosas causas, como os direitos dos refugiados,
os direitos das mulheres, das crianças sem família e das
crianças portadoras de HIV/SIDA. Somos igualmente honrados por ter o
apoio de: Abuelas de Plaza de Mayo; Madres de Plaza de Mayo, Línea
Fundadora
[4]
; Centro de Estudios Legales y Sociales (CELS); Asamblea Permanente de Derechos
Humanos (APDH)
[5]
; Familiares de Detenidos y Desaparecidos por Razones Políticas;
Asociación de Mujeres, Migrantes y Refugiados Argentina (AMUMRA);
Comisión de Derechos Humanos de la Honorable Cámara de Diputados
de la Provincia de Buenos Aires; Secretaría de Derechos Humanos de la
Nación; e do Programa Nacional Anti-Impunidad. Ao nível
internacional, um "amicus curiae" foi apresentado em nosso favor pela
ONG Reprieve, da Grã-Bretanha, e beneficiámos da
colaboração de NIZKOR da Espanha e da Bélgica. Além
disso, minha mulher, Paula, e eu fomos recebidos no Congresso pela La
Comisión de Derechos Humanos y Garantías de la Honorable
Cámara de Diputados de La Nación.
Réseau Voltaire:
Como dizíamos, decidir escrever este livro e torná-lo
público foi um passo gigantesco. O que é que vos levou a
fazê-lo?
Kurt Sonnenfeld:
Salvar a minha família. E fazer saber ao mundo que as coisas não
são o que parecem ser.
Réseau Voltaire:
Última pergunta, mas não a menor importante: o que é que
vai fazer dos vossos registos?
Kurt Sonnenfeld:
Estou certo de que os meus registos revelam mais coisas do que sou capaz de
analisar dadas as minhas limitadas competências. Por isso cooperarei
tanto quanto possa com peritos fiáveis e sérios num
esforço comum para fazer surgir a verdade.
Notas
[1] Nomeado pelo presidente Kennedy, Abraham Bolden foi o primeiro agente negro
do Serviço Secreto encarregado da protecção das altas
personalidades, inclusive o presidente. Após o assassinato de JFK, ele
assegura que o Serviço Secreto fora prevenido previamente do atentado,
mas falhara na sua missão. Ele foi afastado bruscamente da cena
pública, acusado de corrupção e encarcerado. Em 2008 ele
publicou o seu testemunho em
The Echo from Dealey Plaza: The True Story of the
First African American on the White House Secret Service Detail and His Quest
for Justice After the Assasination of JFK.
NR.
[2]
"41 anciens responsables états-uniens de l’anti-terrorisme et du renseignement mettent en cause la version officielle du 11-Septembre"
, por Alan Miller, Réseau Voltaire, 09/Junho/2009.
[3] Ver
artigos em castelhano de Adolfo Perez Esquivel
no sítio web da Red Voltaire.
[4] "Marcha da resistência das mães da praça de
Maio", por Ines Vázquez, Réseau Voltaire, 24/Janeiro/2006.
[5] Ver as intervenções de
Alexis Ponce
na conferência Axis for Peace. Por exemplo:
"Le Mossad a formé la police équatorienne aux techniques de torture"
, Réseau Voltaire, 18/Novembro/2005. E o
seus artigos em castelhano no sítio da Red Voltaire
.
O original encontra-se em
http://www.voltairenet.org/article160943.html
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
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